CAPÍTULO 8 - Ciúmes

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Dante

Eu conversava com as meninas quando meu celular tocou.
Pensei que fosse Rodrigo perguntando algo da festa — ele também viria.
Mas era Fernanda.
Bendita hora em que fui mexer com essa mulher.
Afastei-me para a sala, longe da mesa de jantar.

— Fala, Fernanda — disse, ríspido.

— Nossa, Dan... é assim que você me trata? — veio a voz melosa de sempre.

— Sem enrolação. O que você quer?

Olhei para a mesa. Mesmo com cara de sono, Beatriz estava linda.

— Só queria saber se você pode vir me buscar hoje. Vou à festa do seu tio, mas também quero ir para a festa da piscina.

Revirei os olhos.

— Pode vir, mas não sou taxista. Quer carona? Chama o mesmo motorista que te levou embora aquele dia — debochei. — E, aliás, a festa da piscina é só para a família.

— Eu sou da família. Sua namorada não é família, docinho?
Ri, já irritado.

— As mulheres com quem eu saio não são minhas namoradas.

— EU VOU!

— NÃO! — me exaltei, percebendo as meninas olhando.
Saí para o quintal.

— Tio, preciso da sua ajuda.

Ele me olhou intrigado.

— O que aconteceu, filho?

— Lembra da Fernanda? Filha do nosso sócio. Tive um caso com ela... nada demais. Mas ela quer aparecer na festa da piscina. Ela não pode vir.

Andei de um lado para o outro.

— Não estou a fim de dor de cabeça hoje.

Meu tio sorriu de canto.

— Ela mexe com qualquer um mesmo...

— Nunca gostei dela. Foi só sexo.

Ele riu.

— Não estou falando da Fernanda.

Parei.

— Desde pequena, quando eu buscava sua prima e a Beatriz nas matinês, os meninos ficavam babando. A Beatriz merece ser feliz... e acho que você pode fazer isso.

Limpei a garganta.

— O senhor está entendendo errado.

— Filho... todos nós percebemos como você fica quando o assunto é a Beatriz. E sua prima já comentou que ela também fica mexida com você. Quanto à Fernanda, pode ficar tranquilo. Ela não vai aparecer.

Respirei aliviado.

— Agora vai lá. Não deixa sua felicidade passar pela sua porta.

Fiquei em silêncio.
E subi para falar com Ana.

Beatriz

Eu observava Dante e o tio Carlos de longe.
Ele parecia nervoso, andando de um lado para o outro.

Terminamos o café e subimos para nos arrumar.
Saí do quarto e virei o corredor.
Bati direto no peito dele. Se ele não tivesse me segurado, eu teria caído.

— Olha por onde anda, mocinha.

— Desculpa... você também estava distraído.

Ele tentou manter a cara séria, mas um sorriso escapou.
— A Ana está no quarto?

— Está... vamos nos arrumar.

Quando percebi, ele estava perto demais.
Muito perto.
Nossos lábios quase encostando.
Eu não pensei.
Beijei.
Passei a mão em volta do pescoço dele e Dante me puxou contra o corpo.
O beijo começou lento... e virou intenso.

— Meu Deus... — ouvimos Ana atrás de nós.

Afastei-me imediatamente.
— Me desculpa, Dante... eu não devia...

Ele não deixou terminar.

Beijou de novo.
Meu coração disparou.

— Priminha, você não viu nada — disse ele para Ana, tentando disfarçar.
Mas logo voltou a ficar sério.

— Ana, vem comigo. Precisamos conversar.

Ele me beijou... e agiu como se não tivesse significado nada.
E foi aí que me senti uma idiota.

Tomei um banho rápido e voltei para o quarto ainda vazio. Confesso que estava curiosa sobre o que Ana e Dante tinham ido conversar.
Coloquei o biquíni que ela havia me dado e a saída de praia.
Sentei diante do espelho e arrumei o cabelo, deixando-o levemente ondulado, combinando com o clima da festa na piscina.

A porta se abriu de repente.

Ana entrou ofegante e a fechou atrás de si.

— Tá tudo bem? — perguntei.

— Essas escadas ainda vão me matar, juro — respondeu, tentando recuperar o ar.

Franzi o cenho.

— Ana... o que aconteceu?

— Nada! Coisas da festa. Meu primo nervosinho não estava conseguindo resolver.

Ela desviou o olhar e foi para o banheiro.
Estava escondendo algo. Eu tinha certeza.
Suspirei.
O beijo.
Droga... era justamente aquilo que eu queria esquecer.

— Menina, tá até saindo fumaça da sua cabeça — ela disse ao voltar e me encarar.

— Já te falaram que você fala demais?

Ela revirou os olhos.

— Preciso de um favor. Urgente.

— O quê?

— Vai na casa do Dante buscar uns arranjos que entregaram errado lá.

— Oi? Você tá maluca? — levantei da cama ainda mancando.

— Por favor, Bea...

Respirei fundo.

— Tá bom... mas você me paga por isso. E espero, do fundo do coração, que aquele mala não esteja lá.

Cheguei à casa dele.
Estranhamente silenciosa.
A porta estava aberta.

— Dante? — chamei, colocando apenas a cabeça para dentro.

Nenhuma resposta.
Entrei.
A casa era linda, moderna, com uma escada toda em vidro. Dei mais alguns passos.
Então senti braços fortes envolverem minha cintura.

— Estava me procurando? — ele sussurrou perto do meu ouvido.

Arrepiei inteira.

— Dante... você está me apertando...

Ele afrouxou o abraço e me virei para encará-lo.

Fiquei sem palavras.

— Você sempre fica muda perto de mim? — perguntou, com um sorriso.

Ele aproximou a boca da minha.
Desviei.

— Não... Dante, não...

Ele franziu o cenho.

— Agora não pode? Há pouco você me beijou.

— Vim buscar os arranjos.

Ele respirou fundo.

— Não tem arranjo nenhum. Eu pedi pra Ana fazer isso.

Cruzei os braços.

— Maravilha. Obrigada, Ana.

— Eu precisava falar com você.

— Seja rápido. Daqui a pouco sua namorada chega.

— Ela não é minha namorada. Foi só... um caso.

Esperei.

Ele passou a mão na nuca, visivelmente nervoso.

— Eu... queria saber se você aceita ser meu par hoje à noite.

— O quê?

— A festa... é para casais. E... você tá aqui... eu também... então...

Comecei a rir.

Ele fechou a cara.

— Vai aceitar ou não?

Sorri.

— Tá bom. À noite nos vemos.

— Oito horas! — ele gritou atrás de mim.

A casa estava cheia. Música, gente rindo, piscina iluminada.
Eu conversava com Ana e as primas dela, mas não parava de procurar Dante.
A música começou e Ana me puxou para dançar.

— Isso me lembra nossos 17 anos — falei rindo.

Braços envolveram minha cintura.
Virei.

— Dan... Rodrigo?

— Pra você posso ser o Dante — ele brincou.

Começamos a dançar.

Eu ri, relaxei... e por um momento esqueci tudo.
Até sentir um olhar.
Levantei a cabeça.
Dante. Parado, rígido, olhando diretamente para mim.
Raiva pura.
Ignorei. Nós não tínhamos nada.

Dante

A festa já tinha começado, mas eu só via ela.
Beatriz.
Ana a puxou para dançar e, segundos depois, Rodrigo estava perto demais.
Perto demais.
Ela ria e parecia gostar.

— Para de ser idiota — murmurei para mim mesmo.

Fui até a mesa de bebidas e virei um copo de whisky.

— DANTE!

Ignorei.
Outro copo.
Rodrigo me alcançou e segurou meu ombro.
Virei e o soco saiu antes mesmo de eu pensar.
Ele caiu para trás.

— VOCÊ FICOU MALUCO?!

Então vi ela na porta assistindo tudo.
Correu para ajudá-lo e aquilo me queimou por dentro.

— Vem comigo, Beatriz.
Ela negou.
Perdi o controle.

— VEM!
Segurei seu braço e a puxei escada acima.

Cláusulas do DestinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora