CAPÍTULO 12 - Depois do Caos

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Beatriz

Assim que comecei a chamar por Dante, Ana entrou desesperada no banheiro e me puxou para longe da janela.

— Amiga, não faz isso! Você pode chamar atenção! — disse nervosa, me levando de volta para o quarto.

Sentei na cama ainda trêmula.

Alguém bateu à porta.

— Entra — Ana autorizou.

Minha futura sogra entrou com cuidado.

— Está tudo bem, querida?

Ela se sentou ao meu lado enquanto Ana passava a escova em meus cabelos.

— E-está... — respondi, tentando conter o choro.

— Pedi para trazerem um chá para você. Precisa se acalmar. Não pode ficar assim toda vez que algo acontecer.

Ela segurou minha mão com carinho.

— Deite aqui, fique com a Ana. Logo o Dante estará de volta.

Assenti.

Depois que ela saiu, Ana terminou de escovar meu cabelo.

— Obrigada, amiga...

— Vem. Essa cama cabe umas dez pessoas — brincou.

Deitamos, tentando conversar sobre qualquer coisa. Eu até respondia, mas minha mente só pensava nele... lá fora.

Pouco depois, uma senhora entrou.

— Com licença.

— Entra, Marta. Essa é a Beatriz, namorada do Dante.

Corei.

— Eu vi vocês ontem. Fazem um belo casal — disse sorrindo, deixando uma bandeja com chá e biscoitos.

Tomamos o chá de camomila. Só então percebi o quanto estava com fome.

O cansaço venceu.

Eu e Ana acabamos adormecendo abraçadas.


Dante

— Pode voltar para casa, os seguranças estão controlando — disse Rodrigo pelo rádio.

Falei com Conrado e demos a volta na casa. Quando estávamos entrando, Rodrigo chegou de carro.

— Tudo bem por aqui?

— Mais ou menos... — respondi.

Entramos.

Chamei meu pai, meu tio e Rodrigo para o escritório.

Assim que fechamos a porta, perguntei:

— A Beatriz está bem?

Rodrigo revirou os olhos.

— A gente vem resolver uma invasão e você quer saber da Beatriz?

— Cala a boca! — respondi irritado.

Meu pai falou:

— Ela está no nosso quarto. Tomou chá e acabou dormindo.

Sentei na poltrona, inclinei o corpo para frente e respirei fundo.

— Conrado atingiu um dos invasores... Ele ia atirar em mim.

— Quem era? — perguntou meu pai.

Ergui os olhos.

— Hugo.

Silêncio.

— Se ele ameaçou minha família, Conrado fez o certo — disse meu pai firme, colocando a mão em meu ombro. — Agora vá cuidar da sua namorada.

Conversamos ainda sobre os negócios e as consequências.

Algum tempo depois, minha mãe entrou:

— O almoço está quase pronto. Vá acordar a Beatriz.

Assenti.

Subi.

Abri a porta devagar.

Ana já não estava lá.

Beatriz dormia tranquila.

Sentei ao seu lado e fiz carinho em seu rosto.

— Amor... — ela murmurou.

 Dante

Senti um toque no rosto.

— Ei, Bia...

Abri os olhos.

Dante.

Sentei rapidamente e o abracei forte.

— Você está bem?

— Estou. Eu voltei.

As lágrimas vieram mesmo assim.

Eu precisava sentir que era real.

Beijei-o com saudade, com alívio... como se tivesse passado meses longe.

— Não me assusta assim... — sussurrei entre beijos.

— Eu precisei. Aconteceu rápido demais.

Batidas na porta.

— Filho... — era Margo.

Tentei me afastar, mas Dante não deixou.

— Entra, mãe.

Ela sorriu com ternura.

— Venham almoçar. E não chore, querida... ele está aqui.

Sorri sem graça.

Tentei levantar e uma dor atravessou meu tornozelo.

— Meu pé...

— Merda! — Dante murmurou.

— Dante! — a mãe dele repreendeu.

Ela trouxe minha bota. Ele mesmo colocou em mim.

Ainda doía.

— Vem — disse ele, me pegando no colo.

O almoço foi surpreendentemente leve. Conversamos, rimos, principalmente com as histórias da Ana sobre o desespero do Matheus tentando entrar na casa.

Passamos a tarde assistindo filmes.

Já estava anoitecendo quando senti frio.

— Quer ir embora? — Dante sussurrou.

Assenti.

Nos despedimos.

Margo me abraçou:

— Desculpe pela manhã... mas fico feliz que esteja aqui.

— Foi um dia... diferente — respondi sorrindo.

Mais tarde, já sozinhos, o silêncio entre nós não era desconfortável... era carregado de sentimento.

Dante me puxou pela cintura.

— Senti sua falta.

Meu coração acelerou.

Beijei-o.

O beijo começou suave... mas rapidamente carregado de saudade e necessidade.

Entre carícias e risadas baixas, acabamos nos entregando um ao outro, sem pressa, sem medo — apenas a certeza de que, depois do que aconteceu, nenhum dos dois queria mais fingir distância.

Quando nos separamos, ainda ofegantes, ele encostou a testa na minha.

— Você está me fazendo feliz sabia amor? 

A enfase na palavra amor me fez corar.

— Eu não te chamei de amor.

Ele sorriu de lado.

— Não?

Aproximei-me novamente e o abracei.

— Amor...

E dessa vez... não neguei

Cláusulas do DestinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora