Beatriz
Assim que comecei a chamar por Dante, Ana entrou desesperada no banheiro e me puxou para longe da janela.
— Amiga, não faz isso! Você pode chamar atenção! — disse nervosa, me levando de volta para o quarto.
Sentei na cama ainda trêmula.
Alguém bateu à porta.
— Entra — Ana autorizou.
Minha futura sogra entrou com cuidado.
— Está tudo bem, querida?
Ela se sentou ao meu lado enquanto Ana passava a escova em meus cabelos.
— E-está... — respondi, tentando conter o choro.
— Pedi para trazerem um chá para você. Precisa se acalmar. Não pode ficar assim toda vez que algo acontecer.
Ela segurou minha mão com carinho.
— Deite aqui, fique com a Ana. Logo o Dante estará de volta.
Assenti.
Depois que ela saiu, Ana terminou de escovar meu cabelo.
— Obrigada, amiga...
— Vem. Essa cama cabe umas dez pessoas — brincou.
Deitamos, tentando conversar sobre qualquer coisa. Eu até respondia, mas minha mente só pensava nele... lá fora.
Pouco depois, uma senhora entrou.
— Com licença.
— Entra, Marta. Essa é a Beatriz, namorada do Dante.
Corei.
— Eu vi vocês ontem. Fazem um belo casal — disse sorrindo, deixando uma bandeja com chá e biscoitos.
Tomamos o chá de camomila. Só então percebi o quanto estava com fome.
O cansaço venceu.
Eu e Ana acabamos adormecendo abraçadas.
Dante
— Pode voltar para casa, os seguranças estão controlando — disse Rodrigo pelo rádio.
Falei com Conrado e demos a volta na casa. Quando estávamos entrando, Rodrigo chegou de carro.
— Tudo bem por aqui?
— Mais ou menos... — respondi.
Entramos.
Chamei meu pai, meu tio e Rodrigo para o escritório.
Assim que fechamos a porta, perguntei:
— A Beatriz está bem?
Rodrigo revirou os olhos.
— A gente vem resolver uma invasão e você quer saber da Beatriz?
— Cala a boca! — respondi irritado.
Meu pai falou:
— Ela está no nosso quarto. Tomou chá e acabou dormindo.
Sentei na poltrona, inclinei o corpo para frente e respirei fundo.
— Conrado atingiu um dos invasores... Ele ia atirar em mim.
— Quem era? — perguntou meu pai.
Ergui os olhos.
— Hugo.
Silêncio.
— Se ele ameaçou minha família, Conrado fez o certo — disse meu pai firme, colocando a mão em meu ombro. — Agora vá cuidar da sua namorada.
Conversamos ainda sobre os negócios e as consequências.
Algum tempo depois, minha mãe entrou:
— O almoço está quase pronto. Vá acordar a Beatriz.
Assenti.
Subi.
Abri a porta devagar.
Ana já não estava lá.
Beatriz dormia tranquila.
Sentei ao seu lado e fiz carinho em seu rosto.
— Amor... — ela murmurou.
Dante
Senti um toque no rosto.
— Ei, Bia...
Abri os olhos.
Dante.
Sentei rapidamente e o abracei forte.
— Você está bem?
— Estou. Eu voltei.
As lágrimas vieram mesmo assim.
Eu precisava sentir que era real.
Beijei-o com saudade, com alívio... como se tivesse passado meses longe.
— Não me assusta assim... — sussurrei entre beijos.
— Eu precisei. Aconteceu rápido demais.
Batidas na porta.
— Filho... — era Margo.
Tentei me afastar, mas Dante não deixou.
— Entra, mãe.
Ela sorriu com ternura.
— Venham almoçar. E não chore, querida... ele está aqui.
Sorri sem graça.
Tentei levantar e uma dor atravessou meu tornozelo.
— Meu pé...
— Merda! — Dante murmurou.
— Dante! — a mãe dele repreendeu.
Ela trouxe minha bota. Ele mesmo colocou em mim.
Ainda doía.
— Vem — disse ele, me pegando no colo.
O almoço foi surpreendentemente leve. Conversamos, rimos, principalmente com as histórias da Ana sobre o desespero do Matheus tentando entrar na casa.
Passamos a tarde assistindo filmes.
Já estava anoitecendo quando senti frio.
— Quer ir embora? — Dante sussurrou.
Assenti.
Nos despedimos.
Margo me abraçou:
— Desculpe pela manhã... mas fico feliz que esteja aqui.
— Foi um dia... diferente — respondi sorrindo.
Mais tarde, já sozinhos, o silêncio entre nós não era desconfortável... era carregado de sentimento.
Dante me puxou pela cintura.
— Senti sua falta.
Meu coração acelerou.
Beijei-o.
O beijo começou suave... mas rapidamente carregado de saudade e necessidade.
Entre carícias e risadas baixas, acabamos nos entregando um ao outro, sem pressa, sem medo — apenas a certeza de que, depois do que aconteceu, nenhum dos dois queria mais fingir distância.
Quando nos separamos, ainda ofegantes, ele encostou a testa na minha.
— Você está me fazendo feliz sabia amor?
A enfase na palavra amor me fez corar.
— Eu não te chamei de amor.
Ele sorriu de lado.
— Não?
Aproximei-me novamente e o abracei.
— Amor...
E dessa vez... não neguei
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Cláusulas do Destino
Storie d'AmoreEle vive por regras. Ela nasceu para quebrá-las. Quando Beatriz Alcântara começa a estagiar no Escritório Montenegro, descobre que seu chefe, Dante Montenegro, é arrogante, controlador... e perigosamente atraente. Apaixonar-se nunca fez parte do con...
