2. Sobre responsabilidades e comprometimento

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Yo yo yo!

Preparados? Mídia da maravilhosa Cristina Yang pra vocês.

Escrevi esse capítulo ouvindo The Smiths, alguém aí curte? <3

Qualquer erro, me corrijam ok?

Nos vemos lá embaixo.

Enjoy!

( • ) ( • )

Cirurgiões sempre têm um plano: onde cortar, onde grampear, onde costurar... Mas, mesmo com os melhores planos, complicações podem acontecer.

O lance com os planos é que eles não levam em conta o inesperado. Então, quando nos arremessam uma bola curva para rebatermos - seja numa sala de operações ou na vida - é necessário improvisar. Claro, alguns são melhores que os outros. Já outros têm que partir pro plano B e fazê-lo dar certo. E, às vezes, o que queremos é exatamente que precisamos. Mas às vezes... às vezes, o que precisamos é de um novo plano, e é claro, de tempo.

Veja bem. Dentro do centro cirúrgico, o tempo perde todo o significado. No meio de suturas, e de salvar vidas... o tempo para de ter importância. 15 minutos... 15 horas... - Dentro do CC, os melhores cirurgiões fazem o tempo voar. Fora do CC, porém, o tempo tem o prazer de acabar conosco. Até mesmo para os mais fortes de nós, o tempo parece pregar peças. Desacelerando, hesitando... até que ele congela, deixando-nos presos em um momento - incapazes de nos movermos em uma ou outra direção.

*

Camila finalmente chega ao seu destino. Estaciona seu veículo, e caminha em direção ao mercado. Cumprimenta Nick, o tal garoto que Gustav acha "o maior gato" - palavras dele -, pede a ele a preciosa jaqueta de seu amigo e segue para a seção de biscoitos e cereais. Ela sabe o quanto a tal videoconferência será cansativa, e que provavelmente não terá tempo para fazer uma refeição decente.

Enquanto isso, mais ao fundo, no mesmo mercado, uma senhora que possui lá seus 50 anos sente mais uma de suas frequentes dores de cabeça. Há algum tempo a mesma apresenta esse quadro: dores de cabeça muito fortes e constantes, náusea, fraqueza, dor no abdômen e costas, e por vezes, formigamento e dificuldade de locomoção - esses últimos, ela não fez questão de compartilhar com sua família.

- Mamãe, você está bem? - Questiona Taylor, sua caçula, ao segurar sua mãe para evitar que ela caia. - É mais uma de suas dores, não é Dona Clara?

- Não se preocupe comigo, não é nada. Lauren, diga pra sua irmã que não é nada demais.

- Eu não sou médica para afirmar isso, e nós já conversamos sobre sua ida ao médico, aquela mesma que você adia toda semana. - Diz Lauren, um pouco irritada.

- Vocês bem sabem que as coisas andam difíceis. Muitos funcionários da empresa de Mike foram demitidos, e é bem provável que ele também seja em breve... E mais, vocês sabem a fortuna que custa uma simples consulta? Sem falar dos exames e medicação que eles com certeza vão pedir. Deixa isso pra lá, eu estou bem. - Pediu, e o assunto se encerrou.

Até porque não teria como dar continuidade, quando no instante seguinte, Clara estava desacordada no chão daquele mercado, com um contínuo sangramento nasal.

Suas filhas entraram em desespero, tentando a todo custo acordar Clara. É claro que ela não acordou. E o sangramento não cessou.

*

Camila segue em direção aos caixas, mas ao escutar um burburinho vindo mais ao fundo e uma grande quantidade de pessoas ao redor de alguém aparentemente desmaiado, seu instinto de super-herói praticamente grita. Era hora de salvar, e hora de esquecer. Esquecer da sua dor, e tomar para si a dor de outra pessoa. Ela larga tudo que tinha nas mãos e corre para o que observa ser a seção de enlatados.

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