Capítulo 17

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- Meninas, vocês viram o Michael Bob? - perguntei revirando a mala. Fiquei jogando as coisas para cima como maluca, olhei embaixo da cama e revirei os lençóis.

- Não. Por quê? - Gaia perguntou.

- Não estou achando. Sei lá. Ele sempre fica dentro da minha mala, agora que percebi, ele não está aqui.

- Ele finalmente fugiu de você? - Audrey exclama e a repreendo com olhar - É brincadeira. Logo, logo você o acha. Vem, já são mais de dez da noite, os meninos estão esperando lá fora.

- Mais de dez? Por que não tem ninguém no chalé? - olhei ao redor e arrumei a blusa do pijama.

- Hoje é sábado. Eu soube que nos fins de semana os funcionários ficam de folga. Só tem a Johanna e aposto que ela está lá no quarto dela de camisola, comendo pipoca e assistindo novelas mexicanas na Netflix. Vamos!

- O Michael Bob vai aparecer - Gaia disse e assenti com a cabeça - Não se preocupe.

Saímos do chalé e corremos até a parte quase dentro da floresta. Alex, Max e Luke estavam nos esperando.

- Isso virou festa do pijama por acaso? - Max perguntou olhando para nós. Ele e Alex tinham pijamas combinando, olha quem fala!

- Parece que sim. Onde fica esse porão? - Gaia diz.

- Por aqui... Eu acho - ele começou a andar e procurar pelo chão.- Alex está morrendo de medo.

- Não tenho medo - ele repreendeu.

- Tem sim. Quando assistimos aquele filme, você pediu pra mamãe jogar água benta na casa inteira!

- Max, isso é pegadinha? - pergunto mudando de assunto, coitado do Alex.

- Não.

- Sabe onde fica esse lugar?

- Sim.

- A gente vai se dar mal?

- Provavelmente... Mas eu tenho total controle e sei exatamente onde fica o lugar... - Max tropeçou e caiu de cara na grama.

- Você tá bem? - perguntamos.

- Hunssjxmm... - ele gemeu e apontou para o chão - Achei.

Gaia o ajudou a levantar e vi o pequeno arco de ferro no chão. Tirei as folhas e vi a madeira velha. Tentei abrir mas era pesado demais. Luke me ajudou a abrir e todos vimos o que tinha: uma escada enorme de madeira. Não pude enxergar o final dela. Engoli seco.

- Olha, existe!

- Pois é. Vamos entrar?

- Eu entro primeiro - falei sorridente.

- Ótimo - Audrey disse nervosa - Pelo menos, se vier alguma coisa, você espanta.

- Audrey!

Desci as escadas devagar e a cada degrau que eu pisava, vinha o som de madeira velha, como nos filmes. Acho que pode aguentar o peso de todos nós.

- Já consegue ver alguma coisa? - Luke pergunta, atrás de mim e semicerro os olhos.

- Não. É muito escuro... Aqui, me ajuda - falo e antes que pudesse responder, pego em sua mão para conseguir descer. Vamos afundando cada vez mais na escada. - Gente, até agora tudo bem. Podem descer!

- Não posso - Alex diz, lá fora - lembrei que acabei de comer, tenho que esperar uma hora para mergulhar no sobrenatural. Com licença.

Alex tenta ir embora mas Audrey o puxa pela gola do pijama. Todos descemos a escada enorme. Desço outro pé e sinto o chão frio.

- Gente, achei o chão! Acheeeeii!

Desço mais até Luke conseguir ficar ao meu lado. Olhamos em volta e está tudo escuro.

Todos descem e param no chão. Ouço o som da porta batendo forte e gritamos. Por que isso sempre acontece? Você entra em um lugar e a porta de fecha do nada!

- Calma! Foi só o vento! - Max disse. - Agora está tudo escuro.

- Tem alguém pisando no meu pé! - Audrey grita.

- Tem alguma coisa na minha perna - Gaia diz. - Ai! Que é isso, caralho?

- Pessoal, se acalmem! - Luke diz - Vamos procurar alguma lanterna, interruptor ou algo assim. Sarah, você já viu um fantasma?

- Não. Mas já vi a Johanna de camisola - dou de ombros - É quase a mesma coisa.

Eu e Luke começamos a caminhar, mas era meio difícil se não podia ver nada! Fiquei tocando nas coisas. Ninguém falava nada apenas de medo, mas que coisa! Essa sala deve ser grande mesmo. O que guardam aqui?

- Gente, vocês escutaram isso? - pergunto baixo.

- Não ouvimos nada - eles disseram.

- Exatamente. É porque NÃO TEM MERDA NENHUMA AQUI!

Senti uma mesa, uma coisa de madeira e...

- Sarah, isso é o meu rosto - Luke diz - Meu nariz.

- Ah, desculpa - falei e peguei alguma coisa na mesa - Uma lanterna! Pega. - Ofereci e ele ficou mexendo, tentando ligar. Peguei em mais alguma coisa. - Um boneco!

- É a Annabelle! - Alex gritou agudo. Luke ligou a lanterna e apontou a lanterna, já ligada, para ele, que estava nos braços de Audrey. Ela fez cara surpresa e o largou no chão.

- Sarah, o boneco não é aquela sua girafa?

A lanterna iluminou minhas mãos e o boneco. Era mesmo o Michael Bob.

- Como ele foi parar aqui? Max!

- Eu não fiz nada!

Não pode ser coincidência. Alguém colocou minha girafa aqui de propósito.

- Ei, gente, achei um interruptor - Gaia disse de longe. Ela apertou alguma coisa e o porão se iluminou. Era cheio de teias de aranhas, poeiras, móveis velhos e um esqueleto de laboratório.

- Um esqueleto! - Alex choramingou e Audrey deu um tapa em sua cabeça. Fiz cara de surpresa (o que não estava, eu esperava mais. Todo mundo ficou tão assustado!) e falei:

- Grandes merda, uma sala! Vamos logo sair daqui. Já arranjei minha girafa. Agora, se me dão licença, tenho um encontro com a minha cama.

- Mas você não quer saber porque ele estava aqui? - Luke pergunta, me puxando pelo braço. - Não sei se lembra, mas no dia da caça à bandeira alguém te perseguiu.

- Não.

- Sarah, isso pode ser sério. Será que a Johanna sabe desse lugar?

Olhei para os outros, fingindo que não ouviram. Me voltei para Luke:

- Obrigada pela preocupação. Mas isso não deve ser nada. Vamos só deixar pra lá.

- Então eu te levo até o chalé. Vocês vão ficar aqui? - ele se vira para os outros, que dizem sim.

- Quero explorar mais esse lugar - Max diz abrindo um armário.

- Ok. Vamos embora.

SarahOnde histórias criam vida. Descubra agora