– Não quero te apressar, mas esse embrulho não está certo, Sarah! – Anna disse apontando para o presente. Realmente estava bem feio. Fiz uma expressão chateada e ofereci a ela de novo, a ruiva é muito perfeccionista. – Valeu.
Me deixei no chão de madeira e olhei para o teto sem pensar. Naquela tarde de véspera de Natal, todas as meninas do chalé se reuniram para organizar os presentes de Amigo Secreto, mas eu não conseguia fazer nada, nem pensar em nada.
– Ei, relaxa aí, Sarah – Audrey disse sem tirar os olhos do laço gigante vermelho. – Não sei o que você tem esses dias, mas pode desabafar com a gente, se quiser. Você anda muito distraída ultimamente.
– Não é nada demais – é sim, disse meu subconsciente.
Ouvi batidas na porta, que interromperam os murmúrios de Gaia cantando. Todas olharam na mesma direção e era Lucas, um dos monitores-chefe.
– Sarah? Seu irmão ligou há pouco, ele quer falar com você – disse e afirmei, me levantando. Peguei o casaco e corri até a Casa Principal.
Entrei no cômodo do escritório — provavelmente da Johanna — e procurei o telefone. Era meio velho, mas sem problemas. Disquei o número de Kevin que em pouco tempo, atendeu.
– Alô? – ele disse.
– Narceja!
– Oi! E aí, como você está? Não quer vir aqui pra casa? Eu posso te buscar? Tá tudo bem aí? Muito frio? Aqui em casa tem um aquecedor e...
– Ei, o que houve? Eu já disse, vou passar o Natal aqui. Você parece preocupado demais, Kevin – respondi calma, apesar de ter uma duvida do que acontecia lá em casa. Quando eu o chamo pelo nome, já sabe que é coisa séria.
– As coisas estão estranhas. A mãe do seu namorado vai passar o Natal aqui com a gente, amanhã. Eu tô com medo. Além do mais, vai ser o penúltimo feriado antes de eu ir para Harvard, S.
– Kev, a Melissa não pode ser namorada do papai – avisei, me referindo à mãe de Luke. Esse assunto vem rodando faz duas semanas. – Isso é impossível! E... Depois do Natal o verão acaba e todos vão voltar para casa. Tenta relaxar um tempo e me mantém informada.
– Tudo bem. Feliz Natal.
– Feliz Natal – respondi e desligamos. Passei a mão pelo rosto e suspirei pesado. Se a Melissa estiver junta com o meu pai isso pode ser ruim. Ruim para o Luke, para mim!
Saí da Casa olhando para a grama e pensando. Alguma coisa tem que acontecer para me distrair desse problema.
– My Lady! Que bom que te encontrei! – alguém disse. Era Max vindo na minha direção.
– Você estava me seguindo?
– Não, eu não – disse passando o braço pelo meu ombro, com um sorriso de malícia. Fomos andando até o meu chalé, quando ele disse. – Gata, sabe porque eu não te fisguei ainda?
– Por quê...? – falei devagar e tirando seu braço de mim. Ele estava aprontando alguma e eu sabia.
– Porque não tenho anzol pra sereia!
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Sarah
Ficção AdolescenteSarah Baker se considera uma adolescente normal, exceto por sua dislexia e grande falta de controle emocional, ou seja, ela não é. Ela é apenas ela. Tudo muda quando nas férias de fim de ano, o seu pai a manda para o Acampamento para Jovens Problemá...
