- De onde apareceste? - pergunto-lhe - Não havia ninguém na rua.
- Estava mesmo atrás de ti antes de atravessar quando te vi atravessar sem olhar e vi o carro... - consigo ver a uvida no olhar dele, algo não bate certo...
- Não, eu tenho a certeza de que não estava ninguém aqui. - insisto.
- Tinhas os fones nos ouvidos, devidas estar distraída...
Eu sei bem que tinha os fones e não vi o carro, mas tenho mesmo a certeza de que não havia ninguém na rua atrás de mim. Deixo-o o pensar que me convenceu, mas não desisto da ideia assim tão facilmente.
- De qualquer das formas muito obrigada. Salvaste-me a vida e não tenho maneira de te compensar isso. - digo-lhe com um olhar meio constrangido.
- Não tens de me compensar, qualquer pessoa faria o mesmo.
- Isso não é verdade! Praticamente ninguém teria coragem para se atirar para a frente de um carro para salvar uma completa estranha!
- Bem, parece que eu sou muito diferente da maioria das pessoas - responde-me ele com um sorriso um pouco matreiro.
Não sei bem que lhe responder mas também não queria ir-me embora assim sem mais nem menos, afinal ele acabava de me salvar a vida...
- Tenho mesmo de arranjar uma maneira de te compensar ou pelos menos agradecer sem ser apenas assim.
- Hmmm, eu sei que isto vai parecer que me estou a aproveitar da situação mas trocamos números de telemóvel e depois combinamos alguma coisa, que me dizes? Se não quiseres dar o teu numero a um completo estranho não me importo de te dar só o meu e depois tu dizes alguma coisa...
- A mim parece-me uma boa ideia. E tu acabaste de salvar uma estranha, parece-me justo que eu dê o meu número de telemovel a um estranho. Como te chamas mesmo?
- Carlos e tu?
- Inês.
Trocamos os números, despedimo-nos e cada um segue o seu caminho. Vejo-o seguir para o lado direito da rua, enquanto eu moro no segundo prédio à esquerda da passadeira. Entro, subo no elevador e entro em casa. Chamo a minha mãe e conto-lhe tudo. Nunca a vi ficar tão preocupada, mas quando se certifica que estou bem lá se acalma. Ficamos a falar um pouco e depois eu saio para passear o cão. O resto da noite corre normalmente, depois de jantar, quando já estou deitada, penso se hei de dizer alguma coisa ao Carlos ou nao, mas a verdade é que continuo sem saber que lhe dizer e decido não lhe dizer nada até ter alguma ideia de como o compensar. Vou dormir, pois amanhã acordo às 6h da manhã novamente, o que vale é que é sexta-feira.
**
Acordo com o telemóvel a vibrar e a começar a tocar ao meu lado, é o maldito despertador. Levanto-me e começo o meu dia exatamente do mesmo modo que todos os outros, e assim, tal e qual como antes, o meu dia desenrola-se normalmente. Até que a meio da manhã recebo uma mensagem:
De: Carlos
Bom dia Inês (: Já tiveste alguma ideia?
"Não, ainda não tinha tinho nenhuma, e agora que lhe vou responder? Será que ele já pensou em alguma coisa?"penso para mim própria. Decido então responder-lhe com a verdade.
Para: Carlos
Não, ainda estou em branco X: Mas se já tiveres pensado em alguma coisa...
Ele responde logo de seguida.
De: Carlos
Sim, já que tens de me compensar dás-me o teu tempo :b Estás livre hoje à tarde?
Para: Carlos
Sim, mas estou na faculdade... Não em casa...
De repente o telemóvel toca, é ele e eu atendo.
- Desculpa é mais fácil falar - diz-me ele assim que eu atendo - estudas onde? Se for preciso posso ir busar-te? - noto que sorri enquanto fala.
- Estudo na FCUL, por mim podias vir cá ter e logo se via - não me ia arriscar a ir para lado nenhum com um rapaz que mal conhecia...
- Hmmm Ok, estou aí às 15h...
- Por mim tudo bem, até logo.
- Até logo, beijinhos - e desliga...
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A Academia
RomanceSou uma rapariga de 18 anos acabada de entrar na faculdade e com uma vida completamente normal, até ao dia em que alguém entra na minha vida para a salvar de um atropelamento... Será que daqui irá nascer um novo romance? Ou será que forças maiores v...