Conversa de café

110 5 2
                                        

São 15h quando o meu telemóvel toca. É o Carlos, a dizer-me que está em frente à muro que tem o nome da faculdade, na verdade não é nada difícil de encontrar uma vez que está pintado de amarelo florescente com letras azuis escuras, só falta brilhar no escuro, e o mais ridiculo é que estão a pintar a faculdade toda dessa cor. Arrumo as minhas coisas, pois estava a estudar na biblioteca e vou ter com ele. Estou a chegar quando o vejo, encostado à mota, com um ar descontraído e aquele sorriso matreiro na cara. Trás uma calças de ganga escuras vestidas e um casaco de cabedal preto. Há qualquer coisa nele que faz vibrar o meu corpo... Sinto o coração acelerado e um aperto do estômago, mas a verdade é que ele me transmite segurança, apesar daquele ar de bad boy... Ele vê-me e o seu sorriso intensifica-se.

- Olá, vamos dar uma volta? - diz apontando para a mota.

- Estás doido? Salvaste-me a vida mas eu não sou doida para me meter numa mota com quem não conheço - respondo-lhe mostrando um ar espantado sinceramente já estava à espera de algo do genero...

- Então onde nos podemos sentar para passar a tarde, Nê?

Devo ter um ar de espanto enorme na cara porque ele desata a rir.

- Porque raio é que já tens uma alcunha para mim?

- Não gostas? Posso não a usar... - diz ainda com um sorriso.

- Nao, é na boa, só não estava à espera. Podemos ir até ao bar do C5 - respondo-lhe a tentar recuperar do espanto.

- Vais ter de me guiar porque não conheço a faculdade... Nê! - começa a rir novamente. É um riso bastante sensual, que me faz sorrir de maneira parva involuntariamente.

Seguimos então para o bar, onde eu peço uma tosta mistas uma Coca-Cola e ele uma torrada e Coca-Cola também, e sentamo-nos numa das mesas. Passamos a tarde na conversa e eu apercebo-me que há várias coisas que não batem certo, sempre que tocamos no assunto de onde ele estuda ou o que faz nos tempos livres ele desvia o assunto. A certa altura a conversa segue rumo para o tema do dia em que nos conhecemos e eu insisto que algo ali não está certo porque não havia ninguém na rua naquele dia.

- Eu estava mesmo atrás de ti! Porque é que não acreditas? - a voz dele soa demasiado insistente, o que só confirma que de algum modo eu tenho razão.

- Porque eu sei que não estavas, e não vou desistir até saber o que aconteceu.

Ele olha para mim, mas algo se passa por de trás daquele olhar. Parece-me ouvi-lo sussurar "Ela vai descobrir de qualquer maneira" mas foi demasiado baixo e posso ter apenas imaginado. Olho-o nos olhos de maneira determinada, e ele percebe que não há nada a fazer porque eu não vou desistir. Ele fica demasiado sério de repente, o que me assusta, e diz-me:

- Vamos para um sítio onde não haja gente... e eu explico-te tudo...

A AcademiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora