A primeira aula...

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É tudo novo para mim... Saí do hospital há uma semana e vim para a academia. A minha mãe foi informada pelos mestres dos acontecimentos e após ter passado por várias fazes entre a negação e a incredulidade, lá acabou por aceitar. A minha rotina foi completamente alterada e passo os dias entre a faculdade, a academia e casa.

Ninguém me voltou a falar sobre o facto de eu ter sido empurrada por uma mão invisível e isso está a intrigar-me. Se não me disserem nada nos próximos tempos vou descobrir por mim mesma. Passei a semana toda em testes individuais de modo a conhecer as minhas capacidades e pelos vistos estão todas a cima do normal. Muito mais do que a cima. Mas o problema é que não consigo fazer as coisas mais básicas. Ninguém consegue penetrar no meu escudo de visão ou de som, nem mesmo na minha mente, mas eu também não os consigo controlar para que fiquem menos fortes, ou baixar o escudo dos meus pensamentos. E algo tão simples como mover as moléculas de ar é me completamente impossível. Não me explicam o porquê disto apesar de eu ver nos seus olhos que sabem a razão e de algum modo me temem, e não posso descobrir nos seus pensamentos porque nem isso consigo controlar.

Hoje vou finalmente entrar na academia e ter aulas conjuntas. Sinto-me nervosa devido às dificuldades que me estão a ser apresentadas, mas ao mesmo tempo estou confiante de que vou aprender depressa. Estou a entrar as portas da academia quando o vejo. Ele pára, quando me vê e a sua expressão muda drasticamente. Passa de bem disposto a triste. Move-se em direção a mim, mas eu viro a cara no sentido oposto e sigo caminho. Não estou em condições de falar com o Carlos, não ainda.

Chego a uma sala sem teto, comunicando com o resto da academia que tem tetos altos e janelas enormes para a rua, onde vou ter o meu primeiro treino: técnicas de vôo. Estão presentes 5 pessoas: o professor, um homem mais velho de cabelo preto, olhos da mesma cor, pele morena, maxilar proeminente e um corpo bem constituído como todos os dos membros da academia, excepto eu e os novos elementos; uma rapariga alta, loira, cabelos lisos e compridos, olhos azuis, sardas, extremamente magra e pele muito clara; uma rapariga ruiva, cabelo encaracolado a baixo dos ombros, olhos verdes, estatura média, corpo bem formado, sardas e pele clara; um rapaz loiro, cabelo muito curto, alto, olhos cor de mel, bem constituído, apesar de ser um novo elemento, e de pele clara; e, por fim, um rapaz de altura média, de cabelo castanho encaracolado, olhos castanhos entre o avelã e o verde, nem magro nem gordo, mas com estrutura ossea para criar uma boa constituição física e com uma pele morena. Todos olham para mim quando chego e eu sinto-me corar. Sentamo-nos todos no chão e o professor inicia a aula:

- Bom dia a todos. Eu sou o vosso professor de técnicas de vôo. Não necessitam de saber o meu nome uma vez que para vocês vou ser sempre, professor e sou o único da academia a treinar esta habilidade. Vou pedir-vos que se apresentem um a um, pois gosto de saber os nomes e as idades dos meus alunos.

Grande lata! Não nos diz o nome dele mas quer saber os nossos! 

As apresentações começam pelo rapaz loiro:

- Olá o meu nome é Rodrigo e tenho 18 anos. - diz ele com um sorriso tímido, mas um olhar inteligente.

A seguir a rapariga ruiva:

- Olá, eu chamo-me Catarina e tenho 18 anos. - diz ela com um grande sorriso e olhos muito comunicativos.

A rapariga loira:

- Olá a todos, eu sou a Maria e tenho 18 anos. - apresenta-se, tímida e de olhos no chão.

O rapaz moreno:

- Olá, sou o Tomás e tenho 18 anos. -  diz, com um sorriso matreiro na cara.

Por fim é a minha vez e estou extremamente nervosa:

- Olá a todos, eu sou a Inês e tenho 18 anos.

- Muito bem, vamos então começar a vossa primeira aula. - diz o professor de modo despachado - Vamos começar por abrir as asas. Hoje ninguém vai voar para que não se aleijem! - vejo o ar de desapontamento em todos, incuildo o meu, e o professor continua - Sentem-se no chão de pernas cruzadas e costas direitas. Fechem os olhos e procurem sentir os músculos das vossas costas. Se se concentrarem vão sentir onde estão os que soltam ou recolhem as asas.

O silêncio cai sobre a sala durante alguns segundos até que que se ouve:

- CONSEGUI! - espreito pelo canto do olho e vejo que foi o Tomás.

O professor chega-se a ele e com voz baixa, para não perdoar a concentração dos outros, começa a dar-lhe indicações para voltar a recolher as asas. A aula continua. A seguir foi a vez do Rodrigo, depois da Catarina, e em 4º a Maria. Só faltava eu e estava cada vez mais frustrada.

- Inês, relaxa os músculos, se estiverem contraídos não vais conseguir. - diz-me o professor ao meu lado.

Passa-se a aula quase toda sem eu fazer progressos. Até que a 20 minutos do final descubro um pequeno músculo, junto às omoplatas. Começo a tentar distendê-lo. Sinto então que as minhas asas se esticam, mas todos olham para mim com um ar de espanto enorme sem eu perceber porquê, até que olho para elas, e me espanto tammbém. Em vez de serem brancas como as de todos os outros elementos da academia, as minhas asas são negras... De um negro profundo... Daquele que reflete azul quando lhe bate o sol...

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