O Carlos leva-me a casa... Eu nem sei como hei de estar, se feliz porque o que sinto por ele é correspondido ou se triste por nunca podermos vir a ficar juntos. Ele acabou por se tornar numa pessoa muito importante para mim, mas como iríamos continuar a conviver sabendo que sentíamos algo um pelo outro, mas no entento não podíamos fazer nada em relação a isso? Não quero pensar muito nisto por isso vou até ao meu quarto, que tem casa de banho própria, tomo um banho, visto o pijama e espero que a minha mãe chegue para jantarmos. Depois de jantar vou deitar-me e dormir, a faculdade anda a cansar-me imenso. Acordo no dia seguinte perto das 10h30, é sábado. Levanto-me, vou passear o cão e sento-me à mesa da cozinha com uma taça de leite com cereais à frente. Não me apetece fazer nada, mas tenho imenso que estudar. Adiando o mais possível, como devagar a olhar para a janela, lá ao fundo vejo o mar e desejo apenas estar nos braços do Carlos a voar na direção daquele imenso azul... Assim que acabo o pequeno almoço, visto algo para andar por casa e sento-me novamente à mesa da cozinha mas desta vez com o computador, os livros, os cadernos, o tablet e o estojo. A minha mãe está sempre a embirrar comigo porque tenho uma secretária mas estou sempre a estudar na cozinha, eu digo-lhe que é porque tenho mais espaço, mas a verdade é que nem eu sei explicar porque é que aquele é o único sítio da casa onde me concentro. Está na hora de mergulhar no estudo. Passo assim o meu sábado e o meu domingo, fazendo sempre pausas por alguma razão, mas nao me deixo distrair muito, pois tenho imensa matéria para apanhar. É o que dá não prestar atenção a algumas aulas. Segunda de manhã passa a correr e de repente quando saio da aula de Biologia Animal I, às 13h30m, está ele parado à minha espera, encostado com um ar descontraído, um sorriso travesso que se estende até aos olhos azuis, e algo se agita em mim. É inevitável o que o Carlos me faz sentir, é como se o dia quando ele aparece ganhasse cor, vida, luz... Sem pensar corro e abraço-o, agarrando-me ao seu pescoço, imediatamente em resposta ela envolve-me com os braços e aperta-me com força.O carinho entre nós é mais que visível, mas nós sabemos que não pode ser por isso, um pouco contrariados separamo-nos.
- Estava a pensar em levar-te a almoçar, aceitas? - diz-me ele com um brilho de esperança no olhos.
- Eu ia ficar a estudar, mas acho que não há problema. - repondo-lhe a sorrir - Mas depois tens de me levar à escola de condução.
Ele acena e sorri. Seguimos então de mota até um restaurante no centro de Lisboa. Tem uma decoração bastante agradável, e torna-se bastante acolhedor. Almoçamos a conversar e a rir, entre nós o ambiente é perfeito. Depois de almoço apasseamos em Lisboa, até ser hora da minha aula de condução e ele leva-me lá. Despedimo-nos com um abraço apertado, e a minha vontade a seguir é dar-lhe um beijo, mas não posso... Olho-o nos olhos e digo-lhe:
- Tem cuidado contigo... Adoro-te... - o olho para baixo.
- Eu também te adoro pequena - e abraça-me com força.
Trocamos dois beijos na cara e ele vai para a colónia, treinar. Depois da aula de condução vou para o metro para ir para casa e quando estou a começar a descer as escadas alguém me empurra e eu começo a cair, no mesmo instante sinto uns braços familiares envolverem-me com força e devorleverem-me à segurança do chão anterior às escada. É o Carlos que me segura, eu tremo por todos os lados e eu pergunto-lhe o que aconteceu, se ele viu quem me empurrou...
- Mas ninguém te empurrou Nê... - vejo-o ficar confuso e alerta.
- Juro-te que senti um empurrão...
- Então foi alguém que se consegue esconder de mim.
- Estás a dizer-me que foi alguém da colónia? - pergunto-lhe incrédula.
- Só pode...
- Mas porque havia de alguém da colónia querer colocar-me em perigo?
Ele olha para mim e eu conheço aquele olhar, não me pode responder...
- Eh pá! Trata-se da minha segurança! Eu tenho o direito de saber! - digo-lhe exasperada.
- Nê, em relação à tua segurança eu estou aqui, tu sabes.
- Não tem nada a ver! Eu tenho o direito de saber o que coloca em risco a minha vida!
- Eu entendo... Desculpa... - e vejo-o ficar realmente frustrado.
- Desculpa eu, tu não tens culpa Cá.
Ele abraça-me e decide que me vai levar a casa para impedir que algo volte a acontecer...
**
Os dias seguintes decorrem normalmente, sem incidentes fora do normal em relação à minha segurança, pelos menos que eu tenha conhecimento. Estamos então a meio de Fevereiro e acabaram os meus exames, o que significa que estou finalmente de férias, pelos menos durante dez dias. Para celebrar a minha liberdade o Carlos diz-me que quer levar-me a passear durante um dia inteiro, por isso na primeira segunda-feira que temos ele vem buscar-me por volta das 10h da manhã e vamos passear até Sintra. Enquanto andamos o Carlos começa a fazer-me cócegas e eu fujo, começamos a brincar e a rir, o riso dele é perfeito... Mas então ele diz-me:
-Adoro ver-te rir dessa maneira, a felicidade que surge nos teus olhos deixa-me super feliz, e o teu sorriso é lindo... - olhamo-nos mutuamente nos olhos, ambos sabemos o que o outro pensa sem ser preciso dizer, mas continuamos a andar como se não fosse nada.
Passamos grande parte da manhã a passear, enquanto eu tiro fotos a tudo o que encontro e acho interessante, até que em determinada altura me debruço num muro, sem querer escorrego e começo a cair. Os braços do Carlos rapidamente me agarram e puxam para ele. Ouco-o sussurrar ao meu ouvido para ter cuidado, aquele sussuro arrepia-me e eu viro-me para ele sem me soltar dos seus braços... Olho-o nos olhos, encontrando os dele já fixos nos meus, e mais uma vez me perco naquele azul profundo... É mais forte que eu, aproximo-me e ele segue o meu gesto... Não somos capazes de resisitr... Os nossos lábios encontram-se e eu sinto aquilo a que toda a gente chama borboletas no estômago, um arrepio percorre-me a espinha, e um calor invade-me o corpo... Mas o beijo não fica por ali, os nossos lábios movem-se em conjunto, de modo suave inicialmente mas ganhando intensidade... Afastamo-nos e voltamos a olhar-nos nos olhos... Mentalmente faço a pergunta inevitável: E agora?
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A Academia
RomansaSou uma rapariga de 18 anos acabada de entrar na faculdade e com uma vida completamente normal, até ao dia em que alguém entra na minha vida para a salvar de um atropelamento... Será que daqui irá nascer um novo romance? Ou será que forças maiores v...
