Capitulo 05 - Retrato

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Capitulo 05 - Retrato

Depois que liberaram Inny, fomos pra casa, com Theodora nos levando, ela e Inny vão discutindo, sobre Inny ter ido de saia, sobre ela ser responsável por tudo isso ter acontecido, sinto vontade de falar também, mas respeito a senhora Theodora, eu já a amo muito e sei que o que ela quer é o bem de Inny, não é que nem Damian.

Que a propósito não nos falamos mais, ele está do meu lado do carro, mas olhando pro outro lado. Ele não comentou nada também, só quis saber quem era os caras que bateram na Inny, porque ele iria querer saber disso?

Descobri que ele tem vergonha que Inny é um garoto usando roupas de mulher, na verdade é uma mulher em um corpo errado, pelo menos foi isso que eu li em alguns artigos da internet, não sou muito boa mexendo nisso, mas o que eu pesquisei já deu para entender.

Estou no meu quarto, com o notebook aberto, em uma página de pesquisa, e é sobre isso que estou lendo, muitos transsexuais são mortos, por preconceitos, e muitos até se suicidam porque as pessoas não aceitam eles, e não quero que Inny tenha isso, não quero que ninguém magoe ela. Mas se dentro de casa isso já acontece, o que posso fazer? Tem comentários racistas e homofóbicos nos artigos, tem vídeos sobre isso, fiquei uma hora vendo e lendo. E já decidi que farei qualquer coisa para ajudar Inny, porque quando a gente ama queremos ajudar, certo?

O meu celular vibra em cima da comoda, eu me assusto, e pego ligando, é Clare perguntando como estamos, se está tudo bem, respondo que sim, que estamos em casa, mas que passarei no colégio de tarde, para entregar minha pintura, o que eu acabo lembrando que não terminei. Pego meu celular, colocando no bolso do paletó do colégio, pego minha mochila e desço indo para meu ateliê. Aqui é meu lugar favorito, eu dormiria aqui se pudesse.

Começo a trabalhar na minha telinha, coloco minhas canetinhas espalhadas em degradê de cores, com um pote próprio para colocar água, eu tenho até água filtrada aqui, para limpar meus pinceis, água filtrada, acredita?

Eu já comecei o esboço, então começo pintando, usando um pincel fino, molhando na água e abrindo a canetinha para usar o tubo de dentro para molhar o pincel, meu desenho mais da metade é de um rosto, com uma covinha e um sorriso branquinho, não aparece os olhos, eu simplesmente fui pintando, sem pensar, parecia pele de verdade, e não é me gabando não, é porque dessa vez eu fiz muito bem pintado, a boca um pouco fina e meio rosada, com os dentes caninos meio pontudos, formato do rosto forte, e um pedaço do nariz, onde aparece as narinas. Dá para ver um pouco do pescoço e o começo da roupa, que é apesar a gola de alguma roupa, que fiz em preto, deixei por último.

Quando terminei deixei o quadro distante e olhei para ele, eu gostei muito do resultado, pego uma caneta de tinta branca e assino em baixo, pego minhas coisas, junto com o quadro e levo para o quarto, uso o secador nele, para secar melhor, e parece até veludo a tinta.

Quando vejo que já esta meio seco, coloco em uma caixa quadrada e coloco dentro da minha mochila, vou até o quarto de Inny, batendo na porta.

— Inny, estou indo pro colégio entregar meu quadro. - Ela não responde, acho que está tomando banho, pego meu celular mandando mensagem, enquanto desço as escadas, avisto Theodora na ilha da cozinha, com as mãos na cabeça, apoiando o cotovelo. — Oi... Theodora, eu vou levar um trabalho para o colégio e já volto, tudo bem?

— Ah, claro querida. - Theodora sorri meio triste, toda vez que chamo-a pelo nome, ainda não me acostumei de chamar de mãe ou pai, sei que amo muito eles por darem a oportunidade de me amarem, mas respeito, mesmo depois de tudo, Damian, o que ele pensaria? Uma pessoa "qualquer" chamar seus pais de pai e mãe, ele ainda tem muita raiva de mim, por entrar assim, na vida deles.

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