As pessoas que parecem mais fortes são geralmente as mais quebradas. Eu sabia como era difícil perder alguém que você ama. Quando olhei para o rosto de Pierre, meu coração quebrou. Pierre segurou minha mão bem forte, lágrimas escorrendo seu rosto.
Eu queria quebrar. Mas eu sabia que eu não podia. Eu tinha que ser forte por nós dois. Eu só segurei sua mão em silêncio, oferecendo o consolo e o conforto de saber que alguém estava com ele.
Quando estamos em busca de conforto, a maioria de nós não procura alguém para nos perguntar o que está errado. Nós não queremos simpatia, não queremos piedade, não queremos pesar. Nós não queremos aquele constante "você está bem?" e o mais importante é que nós não queremos alguém para nos dar uma falsa segurança. Procuramos conforto em um simples contato físico. Nós só queremos a garantia de que nós temos alguém para nos apoiar e não alguém que vai nos questionar e julgar a cada movimento.
E agora eu sabia que era exatamente isso o que Pierre queria. Eu não poderia perguntar-lhe o que estava errado, isso estava bem na minha frente. Eu não poderia dizer-lhe que tudo ficaria bem. Não ficaria bem. Andreas tinha câncer e era fatal. Não havia nada que pudesse reduzir essa dor.
— Por que ele? — A voz de Pierre era um sussurro rouco. — Ele sofreu bastante. Mais do que ninguém.
Desta vez eu poderia parar um pouco as lágrimas que fluíam pelo meu rosto. Eu fiz a mesma pergunta. Por que ele? Ele já tinha passado por uma infância horrível, e quando ele finalmente teve uma chance de ser feliz no mundo, estava sendo rudemente arrancado dele.
Eu não respondi. Eu sabia que Pierre não estava esperando qualquer resposta. Pierre virou-se e jogou as mãos em volta de mim, enterrando a cabeça na dobra do meu pescoço. Eu passei meus braços em torno dele, esperando confortá-lo.
— Eu ia adotar Andreas. — Pierre sussurrou. — Mas agora...
Eu me afastei.
— Não é tarde demais. Andreas vai ficar muito feliz se ele chegar a chamá-lo de pai. Você pode dar isso a ele, Pierre.
— Você realmente acha que eu posso? — Pierre perguntou, sua voz quebrada, tremendo. Eu o vi como um menino que queria a aprovação dos pais, que queria ser o filho favorito dos pais e a criança que faria qualquer coisa para provar que o mundo estava errado.
—Você é Pierre Lawrence. Você pode fazer qualquer coisa. — Eu soltei uma risada trêmula. — Você já é como um pai para ele. Leve-o com você, mime-o, mostre a ele o mundo, faça tudo o que queria fazer com ele, mostre a ele tudo o que você queria mostrar. Nunca é tarde demais, Pierre.
Pierre sorriu para mim.
— Você deve dar discursos inspiradores, eles realmente funcionam e não são de tudo mentira.
Eu sorri, trêmula, ainda me recuperando do choque de Pierre Lawrence ter se quebrado em meus braços. Por um menino.
— Cale-se. — Eu disse. Pierre sorriu.
— Você tem certeza que quer que eu faça isso, Srta. Kingsley?
Eu dei-lhe um olhar trocista, as lágrimas esquecidas. Pierre saiu do banco e me puxou para cima. Olhei para ele com surpresa.
— Onde estamos indo?
— Precisamos tomar providências para levar o Andreas ao meu apartamento em primeiro lugar, então a adoção. Mesmo que a adoção não venha, ele viverá comigo. As irmãs daqui não terão nenhum problema com isso.
— Você parece determinado, de repente. — Eu comentei secamente. Ele já estava no meio do corredor, arrastando-me junto com ele. Eu estava feliz por não estar usando saltos altos ou então provavelmente teria ficado com os pés inchados.
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Resistindo a Ele
RomantiekLeitura inadequada para menores de 18 anos. Contém conteúdo maduro! Duologia Lawrence - Livro #1 Quando Jennifer Kingsley concorda em ser a namorada de mentira do seu melhor amigo Adrian Lawrence, ela está esperando que duas semanas se passem rápido...
