Capítulo 25

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- Como assim, Sydney? Como só ficou o nome dele na ficha?

- Veja isso.

Me levantei e tirei a ficha das mãos de Sydney. Isso não estava certo. Só estava escrito o nome Joshua Moore. O que será que ele fez com ficha? Porque com certeza tinha as outras informações antes de Joshua pegar a ficha.

Coloquei a mão no cabelo e suspirei. Me fodi e fodi a Sydney também. Ela se aproximou de mim e perguntou.

- O que nós vamos fazer agora?

- Nós... nós podíamos fazer outra ficha.

- Como?

- Existe uma coisa muito legal chamada computador, é um aparelho que as pessoas usam pra digitar documentos.

- Eu sei o que é isso, Savi, mas não podemos usar isso no reformatório.

- Ué, por que não?

- Porque nós somos criminosas. –ela sussurrou e eu revirei os olhos.

- Nós não somos criminosas, Sydney.

- Você assaltou um banco e matou um guarda, eu era uma traficante de drogas.

- Mas não use esse termo, nós somos... rebeldes. Enfim... deve ter um computador que o pessoal usa.

- Eu sei onde tem um computador, mas não é uma boa idéia ir lá.

- Me fala.

- Eu já disse que não é...

- Fala logo!

- Não vai dar cer...

- Sydney, eu vou quebrar sua cara se você não me contar.

- Tá bom... na sala do diretor.

- Verdade! –estalei os dedos. – Como eu não pensei nisso? Sydney, você é uma gênia... quando quer.

- Ai que legal! –ela bateu palmas e estendeu os braços para mim. – Posso ganhar um abraço?

- Não, vamos logo ver se o Sr. Rechonchudo está na sala.

Saí do quarto e Sydney veio atrás de mim. Andamos pelo corredor e quando íamos virar para outro corredor, trombamos com a pessoa mais insuportável do mundo.

- Ora ora quem está por aqui. –a vaca da Stacey disse.

- Ora ora quem vai receber um soco na cara se não sair da frente. –respondi, mas ela não se abalou.

- Pra onde vocês vão?

- É da sua conta? –Syd retrucou e nessa hora eu queria dar um abraço nela por essa patada de cavalo.

- A songamonga tá mostrando as garrinhas?

- Não, mas eu vou mostrar minhas unhas pra arranhar sua cara. –ela ameaçou se aproximando muito da Stacey. – E essas, meu amor, diferentes das suas, são naturais.

- Você vai sair da nossa frente ou não? –perguntei já perdendo a paciência.

Stacey finalmente deu licença, passamos ao lado dela e ela disse.

- Isso não vai ficar assim, o Stephan vai ficar sabendo disso!

- Ah vai dar pro Clark, isso se ele te querer. –respondi sem olhar para ela e eu e Syd trocamos uma risadinha.
Depois que ficamos fora do alcance da Stacey, comentei com Syd.

- Garota, minhas patadas estão te influenciando, parabéns.

- Obrigada... eu tava de saco cheio daquela piranha.

Olhei para ela, que se encolheu.

- Desculpa.

- Desculpa nada, xinga mesmo aquela vaca.

Rimos novamente e chegamos à sala do diretor. Paramos por um longo momento na porta fechada e Syd perguntou.

- Então... será que ele está na sala?

- Só vamos saber se alguém bater na porta.

- E esse alguém seria...

- Você.

- Eu?

- Tem outra Sydney por aqui?

- Não, mas eu...

- Syd, vai dar tudo certo, anda logo.

Dei um empurrãozinho nela, que deu leves batidas. Ninguém respondeu. Syd bateu novamente, só dessa vez mais forte, mesmo assim ninguém respondeu. Syd se virou para mim e eu assenti, ela abriu lentamente a porta e percebemos que a sala estava vazia. Dei um sorriso e me aproximei do computador, que estava ligado.

- Esse diretor é muito burro pra deixar a porta aberta e o computador ligado.

- Verdade... o que a gente faz agora?

- Eu vou fazer outra ficha e você vai ficar na porta.

- Mas... mas e se o diretor aparecer?

- Ah dá seus pulos, Sydney, mas não deixa ele entrar aqui.

- Você vai demorar muito?

- Acho que não, mas vai dar tudo certo.

Syd assentiu ainda em dúvida e sai da sala, fechando a porta. Sentei na cadeira confortável do Sr. Rechonchudo e procurei alguma coisa que pudesse me ajudar a fazer outra ficha. Fiquei aliviada quando encontrei um modelo pronto de uma ficha, assim eu poderia colocar algumas informações falsas sem nenhum problema, mas percebi que eu teria colocar várias informações, o que demoraria um pouco para pensar e preencher a ficha. Merda, resmunguei, mas mesmo assim comecei a fazer meu ‘trabalhinho’.

Alguns minutos depois, o que pareciam horas, eu já estava cansada de pensar em alguma resposta. Tinha umas perguntas muito nada a ver, que nem o cara mais esperto do mundo conseguiria responder. Só mesmo quem conviveu o Joshua. Falando nele, comecei a pensar no sonho que tive. Será que era ele que estava dormindo ao meu lado? Onde será que nós estávamos? Que época nós estávamos? Quem eu iria encontrar naquela noite?

Me despertei de meus pensamentos quando percebi que eu tinha apoiado o cotovelo no teclado e vários ‘g’ apareceram na linha da resposta. Puta que pariu, que merda! Nada tá dando certo, pensei raivosa. Antes que eu pudesse xingar ainda mais, escutei várias batidas de Sydney na porta. O que significava uma coisa: o Sr. Rechonchudo estava voltando para a sala.

- Agora fudeu tudo. –sussurrei apoiando minhas costas na cadeira.

***

Oi oi gente, tudo bom? O que acharam do capítulo? Será que a Savannah vai conseguir fazer uma nova ficha? Será que a Sydney vai conseguir enrolar o diretor? Dêem suas opiniões e muito obrigada por lerem esse capítulo.

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