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"Por quanto tempo, por quanto tempo irei deslizar?"

Otherside - Red Hot Chili Peppers

Um mês depois...

Um mês depois, estou de volta aos campos. O sol ainda está baixo no horizonte, espalhando uma luz dourada que ilumina o gramado com uma suavidade quase mágica. Sinto o cheiro da grama molhada pelo orvalho da manhã, o som distante dos pássaros e o murmúrio dos primeiros atletas que chegam para o treino.

Minha perna, antes uma fonte constante de dor e insegurança, agora responde com força e precisão a cada passo. O tornozelo, que parecia uma barreira intransponível, finalmente cedeu à paciência da reabilitação e ao esforço incansável da fisioterapia.

Sinto o peso da camisa do Borussia Dortmund em minhas costas, o número 11 que carrego com orgulho e responsabilidade. Mas hoje, não é só isso que pesa sobre mim. Carrego também a vontade de provar, para mim mesmo e para todos, que voltei para ficar.

No primeiro toque na bola, um calor percorre meu corpo, a adrenalina toma conta e um sorriso se abre no meu rosto. Estou de volta. Pronto para os desafios, para as vitórias, para as derrotas e, principalmente, para a paixão que sempre me moveu.

Os olhares dos companheiros se voltam para mim com uma mistura de surpresa, respeito e apoio silencioso. Sinto que essa temporada será diferente — uma nova chance para reescrever minha história.

Enquanto corro pelo campo, deixando para trás os fantasmas da lesão, uma certeza pulsa dentro de mim: não estou sozinho. Alice, a família, os amigos — todos eles estão comigo, e isso faz toda a diferença.

Enquanto me aproximo do grupo, Aubameyang dá um sorriso largo e bate palmas, chamando a atenção dos outros.

— Olha só quem voltou, o número 11! — ele brinca, jogando a bola de leve em minha direção.

— Demorou, Reus! Já estávamos ficando sem nosso maestro — Julian adiciona, rindo.

Eu pego a bola no peito, giro e respondo com um sorriso.

— Vocês não vão se livrar de mim tão fácil.

— Como você está se sentindo? — Mats se aproxima, dando um tapinha no meu ombro. — Parece que voltou com tudo.

— Melhor a cada dia — respondo, olhando para o campo. — Ainda tenho que pegar ritmo, mas estou animado para jogar.

— Essa é a atitude — diz Aubameyang. — O time precisava de você.

— O time sempre foi forte, mas com você, fica imbatível — Julian completa.

Sinto a energia positiva do grupo, um incentivo que ajuda a dissolver qualquer insegurança que eu ainda carregava.

— Valeu, pessoal. Vamos fazer essa temporada valer a pena.

Eles respondem com um coro de "Sim!" e risadas, enquanto o treino começa de verdade, cheio de intensidade e foco. Estou de volta, e dessa vez, não há nada que me segure.


Nos dias que se seguem, tento manter o foco nos treinos e na recuperação total, mas o inesperado bate à porta de maneira avassaladora. Tudo começa com um clique, uma manchete em um site de fofocas esportivas: "Joanne confirma gravidez! Marco Reus vai ser papai?"

Não demora para que a notícia se espalhe pelas redes sociais, nos corredores do clube e até no CT. Perguntas sem filtro, flashes e sussurros me cercam a cada passo. No meio do treino, vejo meu telefone vibrar sem parar, mensagens e ligações que não consigo — e não quero — atender naquele momento.

Alice percebe minha inquietação, me observa com preocupação, mas respeito meu silêncio.

Durante a coletiva de imprensa, as perguntas inevitavelmente vêm à tona:

— Marco, você pode comentar sobre as notícias que circulam sobre sua paternidade?

Respiro fundo, olho para a plateia e respondo com sinceridade:

— A vida pessoal sempre foi algo que tento manter separado do campo. Sim, a notícia é verdadeira, e estou assumindo essa responsabilidade. Agora, meu foco é dar o meu melhor pelo time e pelo bebê.

As palavras saem firmes, mas o peso da situação permanece. Sei que nada será mais como antes, e que o caminho à frente exigirá equilíbrio, coragem e muita maturidade.

No vestiário, o burburinho não para. Alguns companheiros me lançam olhares de apoio, outros parecem mais cautelosos, talvez receosos de como essa novidade pode impactar o ambiente do time. Sinto o peso de cada pensamento, consciente de que não se trata só de mim agora — é uma vida que depende das minhas decisões.

Alice se aproxima devagar, seu olhar firme e acolhedor me dá uma segurança que tento absorver.

— Está tudo bem? — ela pergunta baixinho. — Vai ser um desafio, mas não estamos sozinhos. A gente vai encontrar um jeito.

Respiro fundo, tentando internalizar cada palavra. Sei que o caminho não será fácil, mas tenho ao meu lado alguém que entende, que apoia, que quer caminhar comigo. Naquele momento, entre as luzes e os flashes, sinto que, apesar das incertezas, há uma esperança sólida para o futuro. 

IMPEDIMENTO [COMPLETO]Onde histórias criam vida. Descubra agora