O encanto ao chegar no restaurante foi imediato. Alice sabia que muitos homens com uma boa situação financeira frequentavam o seu clube, mas nunca tinha saído com nenhum deles. Aparentemente Gabriel era um desses homens, um homem de posses. Quando chegaram à mesa ele puxou a cadeira para ela e para Marina, sempre muito educado. Ao fundo eles ouviam um artista tocando piano, numa doce melodia que enchia os ouvidos e fazia pensar só em coisas boas. Todo o restaurante era uma experiência para os sentidos, na verdade. Além da música, a decoração era belíssima, sem falar nos maravilhosos aromas que vinham da cozinha, como um prólogo das delicias que eles estavam prestes a saborear. Ela realmente podia se acostumar àquela vida. Uma vida em que ela não precisaria economizar por meses para comprar uma joia, uma vida em que todo o seu mundo era cercado de belezas e sabores, aonde todos estavam prontos para servi-la em todos os seus desejos. Infelizmente, ela não era o tipo de pessoa que conseguia simular emoções em troca de bens e agrados. Isso com certeza seria um facilitador na vida dela. Pouco tempo depois de terem chegado e se instalado o garçom veio até eles, para oferecer uma bebida. Gabriel pediu champanhe, o melhor champanhe que eles tinham no restaurante. O sabor era realmente maravilhoso, qualidade tinha seu preço, e valia cada centavo. Marina parecia encantada com aquele lugar, sempre sorrindo para tudo de diferente que ela via, o que não era pouca coisa. Gabriel não parava de olhar para ela, sempre dando um sorriso que a deixava sem graça. Apesar de ser bem mais velho ele era um homem bonito, e Alice não era cega. Ela podia ver os atributos e os charmes dele, que não eram poucos. Com certeza um homem cheio de predicados. Marina, naquela altura, já estava mais alegre do que o normal. Alice percebeu que ela não parava de olhar para o outro lado do salão e entendeu o porquê. Numa mesa no canto da sala estavam sentados dois rapazes. Um deles estava acompanhado de uma moça e o outro parecia estar sozinho. É claro que quando Alice percebeu isso Marina já estava trocando olhares e sorrisos com o rapaz há alguns minutos. Marina era assim, a própria alegria que tomava forma e vinha brincar entre os seres humanos. Alice nunca fora tão grata por tê-la ao seu lado como naquela noite. Apesar de todos os encantos de Gabriel e daquele restaurante pensar em Heitor ainda doía, e era bom ter alguém como Marina ao seu lado para lembrá-la que avida sempre podia ter seu colorido, apesar das coisas não andarem tão bem como planejado.
-Alice, eu preciso ir ao toalete, você me acompanha?
-Sim, preciso retocar o meu batom.
As duas se levantaram e Marina se dirigiu para o outro lado do salão, mesmo com a porta do banheiro bem ao lado dela. Gabriel levantou a mão para lhe mostrar a porta, mas Marina lhe deu um olhar tão ameaçador que ele achou melhor ficar quieto. Quando ele abaixou a mão ela lhe deu um sorriso e pegou o braço de Alice. As duas atravessaram o salão rumo ao banheiro e diminuíram a velocidade do andar quando passaram pela mesa em que estavam os dois rapazes. Marina tinha um inegável bom gosto. O rapaz com quem ela estava conversando estava muito bem vestido, e tinha um belo rosto. Um cabelo castanho escuro bem cortado que realçava com sua pele extremamente branca e os olhos claros. Tinha o rosto quadrado, com uma boca pequena e bem harmônica. Quando elas passaram por eles ele fez uma reverência com a cabeça e Marina retribuiu o cumprimento com sua arma mais certeira: seu sorriso.
Elas entraram no banheiro e se sentaram nas cadeiras que haviam em frente ao espelho, retocando a maquiagem. Na verdade estavam mais procurando o que retocar, já que aquela ida ao banheiro tinha sido um mero pretexto para passar pelo rapaz que estava flertando com Marina. Alice queria falar logo sobre aquilo, mas achou que era melhor esperar que Marina dissesse algo sobre o assunto.
-E então? O que você achou dele? A excitação era clara em sua voz.
-Realmente, ele é muito bonito. Alice disse aquilo da forma mais indiferente possível. Ela sabia que amiga tinha uma tendência a se entregar muito rápido nessas questões, e muitas vezes acabava sofrendo por conta disso.
-Será que ele é solteiro?
-É difícil dizer, mas acredito que sim. O jeito como ele te olhava...
-Não é? Ele até pediu que o garçom me entregasse um bilhete...
-Não acredito! Quando você recebeu isso? Como eu não vi o garçom te enregando nada?
-Você estava muito ocupada conversando com o Gabriel. Disse em um tom quase repreensivo. O mais próximo de uma repreensão que Alice conseguia chegar. - Parece que eu não sou a única com interesses românticos essa noite. Completou.
-Ele realmente é encantador, não é? Mas não sei se é correto da minha parte me envolver com ele. Você sabe que toda essa história com o Heitor ainda está muito mal resolvida.
-Pois eu acho que você devia fazer o que seu coração mandar. Além do mais vocês só estão se conhecendo, não é como se você estivesse noivando com ele.
-É, acho que você tem razão... Bom, acho melhor irmos andando.
Quando elas saíram do banheiro o rapaz já não estava mais na mesa, apenas o casal. Marina sorriu tentando disfarçar sua decepção, mas Alice sabia que ela estava mal. Conhecia a amiga muito bem para cair naquilo. As duas seguiram para a mesa e quando viram quem estava com Gabriel Marina não pode conter a sua felicidade - E dessa vez era real- . O rapaz de olhos verdes e cabelos castanhos com quem ela estava flertando estava na mesa deles, conversando com Gabriel.
-Senhoritas, deixem-me apresentar meu mais novo amigo, o senhor Fernando.
-Muito prazer! Disseram em coro.
-O prazer é todo meu! Sentem-se.
Marina sentou ao lado de Fernando e Alice continuou junto de Gabriel. Tudo aquilo parecia surpreendentemente afortunado, o que a fez pensar que a repentina amizade não foi por acaso. Não que aquilo tivesse algum problema, Marina parecia tão feliz...
-Parece que a nossa amiga ficou bem feliz com a surpresa. Disse Gabriel cochichando, e sorrindo
-Então isso foi coisa sua. Disse Alice, tentando disfarçar.
-Imaginei que não teria mal, ela esteve olhando para ele toda a noite.
-Então quer dizer que você percebeu.
-Sua amiga é péssima em disfarçar seus sentimentos. Ele disse rindo
-Ela é só muito sincera.
-Sem dúvida uma qualidade maior que um defeito.
Naquela hora o jantar chegou, e eles tiveram uma maravilhosa refeição. A comida estava deliciosa, e todos muito animados. Eles riram e se divertiram muito. Depois do jantar eles foram para uma área ao lado do salão principal do restaurante, aonde as pessoas podiam dançar. Eles dançaram por horas. Quando o relógio marcava uma hora da manhã Fernando se retirou com seus amigos, depois de marcar um encontro com Marina, para o dia seguinte. Os três ficaram mais um pouco e por volta das duas da manhã foram embora. Eles pegaram o carro, que agora seria guiado por Gabriel, já que o motorista já tinha ido embora, e se dirigiram primeiro para a casa de Marina. Eles a deixaram em frente ao prédio azul cheio de janelas e a garota saiu do carro, agradecendo aos dois pela noite maravilhosa que ela teve. Depois que ela fechou a porta ele ligou o carro e os dois se dirigiram para a casa de Alice. No final da rua ela reconheceu dois vultos, dois corpos conhecidos estavam abraçados. Heitor e Ariane estavam passando por ali, provavelmente voltando do restaurante italiano daquele bairro, indo para o carro de Heitor. Aparentemente, no caminho do carro eles lembraram de fazer alguma coisa. Aquilo era como levar um golpe. Um simples encontro com aquelas pessoas estava acabando com a noite maravilhosa que ela tinha tido, mas Marina não estava disposta a deixar aquilo acontecer. "Pois eu acho que você devia fazer o que o seu coração mandar." A voz de Marina ecoou na cabeça de Alice, e ela decidiu que valia a pena dar uma chance para Gabriel.
-Qual rua devo tomar para a sua casa? Ele perguntou.
-Por quê você não me leva para outro lugar?
-Que tipo de lugar?
-Algum lugar bonito. Tudo que eu preciso é de uma lembrança bonita, para coroar essa noite maravilhosa.
Ele virou o carro e os dois foram para direção oposta da casa de Alice. Ela não se importava, tudo que ela queria era uma lembrança bonita.
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Alice
Fiksi SejarahAlice é uma dançarina de burlesco que se vê dividida entre dois homens, tentando se decidir entre o homem que ela ama e o homem que a ama. Nessa busca conta com o apoio de amigos para superar suas dúvidas, seus problemas e os perigos que o amor mal...
