Enquanto tentava formular uma razão ao meu pedido de desculpa, embora talvez o meu subconsciente já soubesse qual era, observava uma criança que estava com o pai à saída do café onde eu tinha estado à uns tempos atrás. A criança estava a tentar dizer alguma coisa, contudo a distração do pai dela estava a dificultar o trabalho da pequena e persistente criança, até que ela desistiu de tentar conversar com o pai e fez o que as crianças normalmente fazem, desatou a chorar num tal pranto que ate uma senhora que por ali passava com as suas compras olhou para a criança e balançou a cabeça em demonstra de reprovação. O pai que falava ao telemóvel olhou para a criança que agora tinha de parado de demonstrar o seu desagrado e disse qualquer coisa com a qual a criança ficou feliz instantaneamente, o que me fez pensar no que ele lhe teria dito.
"Talvez a tenha subornado com qualquer coisa"- disse o meu subconsciente dando-me uma possível resposta.
-Então? Porque pediste desculpa?- Insistiu o rapaz fazendo-me lembrar a criança insistente.
- Bem, talvez eu tenha sido desagradável contigo, eu penso que o fui...- Esta resposta imediata fez-me ter a certeza que o meu subconsciente tinha exatamente a resposta tal como eu pensara momentos antes.
O rapaz largou um sorriso que aos meus olhos foi incompreensível e fez um gesto estranho com as mãos com o qual retirou o gorro, compôs o cabelo, e voltou a colocar o gorro.
O vermelho que à pouco tempo lhe cobria a ponta do nariz despediu-se dando lugar à cor natural deste, e as mãos do rapaz estavam colocadas no seu casaco lembrando-me a mim que eu talvez devesse ter colocado as minhas mãos no meu casaco também.
-Tu és estranha.- ele sorriu mais uma vez e depois ficou a olhar para mim serio fazendo-me perguntar a razão para tal.
- Então porquê?- Disse eu tentando esconder a minha indignação por trás da minha voz, o que a meu ver correu lindamente e agradeci mentalmente às minhas cordas vocais por isso...
-Ora, na roda sorriste para mim, depois à pouco tu estavas a olhar para mim, eu pergunto-te o porque disso e tu dás-me uma resposta meio atrevida e depois pedes desculpa. O que me faz chegar à conclusão que ou és estranha ou deves estar nervosa por me conhecer...- Disse ele mostrando mais uma vez as as suas covinhas e piscando-me o olho.
-Desculpa, mas também me sorriste na roda gigante.- Contra apostei.
-Sim, mas isso porque tu me sorriste primeiro... - Auch, esta doeu..
- Oh!- Lancei sentindo-me derrotada e com um sentimento de falhanço.
- Mas vá lá! Se eu fosse tu também ficaria assim por me conhecer- Disse ele dando-me um leve e amigável encontrão como se já fossemos amigos de anos.
- Desculpa a possível desilusão que te vou dar ao perguntar-te isto, mas quem és tu?-Disse rezando para que a minha voz não saísse arrogante ou algo parecido e então juntei um sorriso para suavizar a situação.
Ele não deve ter ficado muito contente com a minha pergunta pois franziu as sobrancelhas e levantou-se e deu alguns passos com uma expressão carrancuda e um olhar estranho.
"Oh não, Melanie o que foste fazer" pensei castigando-me mentalmente pela minha arrogância e pensando que o rapaz deve ter ficado bem chateado para ter tido aquela reação.
Até que ele surpreendentemente voltou para trás sentou-se na posição onde estava à alguns segundos e gargalhou.
Eu abanei levemente a cabeça tentando aperceber-me se aquilo tudo era real ou se eu não tinha adormecido na cabine da roda gigante.
-Estava a brincar contigo!!- Disse-me ele dando-me outro leve empurrão e o meu subconsciente lançou-me um "oh amigo não estas a abusar?" fazendo-me rir.
- Então - continuou ajustando a sua posição e rodando o seu corpo para mim - Sou Harry Styles, integrante dos One Direction - Disse ele contente e orgulhoso e oferecendo-me a mão à qual eu apertei reticente.
O meu primeiro pensamento foi ou ele pertencia a um grupo de proteção de estradas ou a uma banda, e a esse pensamento veio com uma imagem dos backstreet boys a acompanhar.
-Desculpa mas isso é o que? Uma banda?- Disse séria, para se caso não fosse esse o caso o rapaz não ficar ofendido.
-Exatamente! Não reconheces?- Disse ele transmitindo-me que estava com uma centelha de esperança.
-Desculpa, mas não.
-Tens mesmo de parar de pedir desculpa!- Declarou ele com um sorriso.- Mas tenta lá lembrar-te, Torn? A What makes you beautiful?
- Não conheço. - Disse eu concentrada para não voltar a pedir desculpa.
-Bem daqui a algumas horas vou dar um concerto, se os bilhetes não estiveram esgotados podias tentar ir- Disse ele sorrindo.
Um concerto...
Bem no café onde eu estivera à pouco tinha lá um palco talvez fosse aí, e talvez o pode-se ir ver pois decerto que não me importaria de ficar fora da minha casa mais um par de horas.
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The Soul*
Hayran KurguNada nem ninguém poderá mudar o meu “eu”. Mesmo que mudem, não será por completo. uma parte dele continuara lá,nas profundezas da minha alma ,gritando por ajuda ,gritando para se poder libertar do que o prende.
