Capítulo 02.

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Minhas mãos começaram a suar frio, não sabia se estava feliz ou se estava assustada, senti pontadas contra meu peito, tentei falar, mas apenas gaguejava e por fim, nenhuma palavra saia de minha boca, por fim desisti de tentar dizer alguma coisa, e apenas a encarei. 

-Não precisa dizer nada Hasel, eu não devia ter dito assim. -A senhora parecia um tanto decepcionada, enxugou suas lágrimas antes mesmo que caíssem e me encarou sorrindo, então sorri, fechei os olhos e respirei fundo. 

-Eu... Não acredito que dormi tanto. -Suspirei.- Me desculpa, eu queria lembrar. -Estava prestes a chorar. 

-Sua voz... Continua igual, e mesmo assim parece muito diferente. -Sorriu segurando minhas mãos.- Hasel, não precisa lembrar agora. -Sorriu.- Só... Me perdoa! -E acabou chorando. 

-Te perdoar? Por que? 

-Por favor, só me perdoa... -Me pediu ainda chorando, e eu segurei seu queixo, o levantando.

-Eu... -E de repente abrem a porta, dirigi meu olhar até lá, e era Valéria, com dois adolescentes ao seu lado.

-Desculpe... Eles insistiram em entrar. -Mordeu o lábio.- Algum problema? 

-É... -Respirei rapidamente.- Não, nenhum problema. -Sorri, ela piscou pra mim e fechou a porta, então os dois vieram ao meu encontro, era um garoto e uma garota, pareciam ter entre quinze e dezesseis anos, no máximo. 

-Oi... Hasel? -A garota se aproximou um pouco mais.- É você mesmo? 

-Acho que sim. -Tentei brincar, mas ela se mantinha séria.

-Quanto tempo... -Seus olhos foram se enchendo de lágrimas.

-Eu sei... 

-Você se lembra de mim? -Se sentou a minha frente.- Milena? Mili? Tata? Irmãzinha? -Tentou segurar o choro.

-Você era minha irmã? -Tentei segurar algumas lágrimas, eu estava ficando assustada. 

-Sim, sim, sim, eu era, você me chamava de Mili, e sempre saía comigo para o jardim, e juntas nós sentávamos no balanço da árvore e ficávamos horas e horas conversando, você era  minha conselheira, por favor, diz que lembra... -Começou a chorar. 

-E...eu... -Fui interrompida pelo garoto. 

-Calma Mili... -Colocou sua mão sobre o ombro dela. 

-Não Antony, me deixa! -Gritou com ele. 

-Milena! -A senhora a repreendeu.- Se acalma, a sua irmã precisa de tempo. 

-E eu preciso dela de volta! -Gritou chorando.- Você se lembra de mim? 

-Me desculpa... Não... -Estava a ponto de chorar, não só por estar triste, mas por estar assustada, e desesperada como ela. 

-Por favor, você precisa lembrar, eu preciso da minha irmã, por favor! -Ela começava a gritar enquanto chorava. A esse ponto eu também chorava com ela.

Quase te esqueci.Onde histórias criam vida. Descubra agora