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Nalani estava adorando a França. Adorava ainda mais o fato que só tinha que se preocupar com as fotos que os paparazzis tiravam suas e do seu irmão nas ruas.
Seu novo número de telefone não recebia mais chamadas de jornalistas sedentos por uma exclusiva sobre o caso Enrique Ávilla. Seu celular agora era exclusivo para seus amigos mais próximos e seu empresário.
O empresário que estava sendo incansável ao tentar deixar Nalani fora da sujeira do mundo midiático. O empresário que estava sendo amigo e muito paciente com tudo o que estava acontecendo. Waialiki sabia que precisava falar sobre o que aconteceu, mas ela ainda não estava pronta. E aqueles dias na França a estavam ajudando naquilo.
Assim que chegou ao país, Nalani foi direto a uma cidade pequena onde Ives faria um show. Desde aquele dia, o irmão estava sendo super presente, inclusive não tinha mais aceitado entrevistas muito longas. Ele queria aproveitar ao máximo o tempo que tinha com a menor e aproveitava para se dedicar ao próximo álbum. Álbum novo que ele queria que Nalani tivesse uma participação, nem que fosse por segundos. E era naquilo que ele estava mexendo no computador havia horas, enquanto a negra estava vidrada em outra coisa.
Nalani passava incontáveis minutos na sacada do quarto, observando o ponto turístico, agradecendo pela visão privilegiada que tinha da Torre Eiffel. Ela agradecia também por tudo estar entrando novamente nos eixos e que quando voltasse para Madrid, não precisaria mais aguentar um relacionamento abusivo. Ela era sortuda. Mesmo com tudo, ela teve a sorte que muitas mulheres no mundo não tinham. Nalani tinha apoio de pessoas que iriam lutar aquela batalha com ela e por ela.
Mas, naquele momento, Nalani queria esquecer um pouco do mundo. O MacBook de seu irmão estava em seu colo e ela assistia como se fosse a primeira vez seu filme preferido da Disney. Nalani Waialiki era apaixonada por filmes da Disney e seu sonho, além de conhecer todos os parques, era estrelar um filme de alguma princesa.
O que parecia praticamente impossível, nenhuma tinha o seu fenótipo, à exceção de uma.
Tiana.
Nalani se sentia representada pela personagem nativa de New Orleans. Waialiki achava aquilo um máximo. Além de que todos eram musicais, e Nalani só cantava no chuveiro. Mesmo o irmão e a melhor amiga dizendo que não. Até Daniel achava que ela tinha uma voz encantadora.
- Já está vendo Princesa e o Sapo de novo?
- Sempre. - respondeu para o irmão, esse que sentou ao seu lado na cama.
- Você já pensou em estrelar algum filme da Disney? - perguntou e ela o encarou como se a resposta fosse óbvia. - Por que você não tenta?
- Por que eles produzem musicais e a maioria das princesas são brancas? - devolveu a pergunta. - Eu não canto e muito menos sou branca. Você é branco.
- Você canta sim! E eu não sou branco. - Ives disse e Nalani colocou seu braço por cima do dele. - Só um pouco.
- Você puxou para o lado da sua mãe, simples.
- Nossa mãe. Ela é sua mãe também, Nai.
- Não, não é. - Waialiki disse e fechou o aparelho que estava em seu colo. - Ela só me pariu. A mãe de Daniel é mais minha mãe que essa mulher. Ela nos abandonou. Ela ainda deixou você conhecê-la por cinco anos, mas eu? Eu nem ao menos lembro o rosto dela, não tenho nenhum tipo de memória. É como se ela nunca tivesse existido, a única coisa dela que tenho são essas malditas marcas. - Nalani apontou para a porção de sardas na área do nariz. As mesmas que escondia com maquiagem e não deixava ninguém ver.
- É o que nos une. - Ives disse e pegou nas dele. Por seu rosto ser branco, apareciam ainda mais.
- Nós temos papai. Ele importa, ela não. - Nalani disse e Ives preferiu terminar o assunto.
A irmã odiava quando ele tentava entrar naquele tipo de conversa, era uma dor que ela preferia fingir que não sentia. Waialiki queria limpar de sua vida a mulher que lhe colocou no mundo.
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LATCH • REAL MADRID
RomanceGente grande também tem sonhos e a capital da Espanha é a porta de entrada da maioria deles. Madrid é o lugar em que duas almas perdidas vão se encontrar e enfrentar inúmeras barreiras. Sonhos se tornam realidade, mas todos eles tem um preço a ser p...
