O psicólogo

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Pensou que iria se livrar de mim?

- O que quer?

Estava começando a ficar aflita, o fantasma, "A" melhor dizendo, estava  no meu quarto e sua voz se aproximava cada vez mais de mim, sua presença estava me causando arrepios por todo meu corpo.

Você é patética. Nunca vai conseguir me tirar da sua mente.

- Vai embora por favor.

Tentei me levantar da cama, mas meus pés e minhas mãos não se mexiam, estavam prezos por algo que não existia. Tentei fechar os olhos mas a tentativa era falha. Fiquei desesperada.

- Socorro - me debati contra o colchão.

Pode gritar, ninguém vai te ouvir.

- VÁ EMBORA. 

De repente as meninas invadiram o meu quarto, abri meus olhos e percebi que tinha sonhado, meu coração estava acelerado e minha respiração ofegante. Mas aos poucos  fui controlando.

- Calma Mila, você só teve um pesadelo. -disse Normani se sentando em minha frente na cama enquanto Dinah e Ally se sentavam ao meu lado.

- Você jogou a máscara fora? - perguntou Dinah. 

- Claro. - Menti.

Quando ela viu o colar e disse que poderia ser um enigma fiquei pensando e talvez ela estivesse certa, não era um simples sonho ou uma fantasia da minha cabeça, no fundo eu sabia que aquilo era real. Infelizmente. Mas por mais que me assombrasse eu queria saber até onde ele iria.

- Então porque será que isso ainda acontece? - se preocupou Ally.- Você precisa fazer alguma coisa.

- Sim e eu já sei o que.

[...]

- Me diga Camila, o que está acontecendo com você? - uma mulher loira me perguntou. 

Acabei aceitando a sugestão de Ally e indo até um psicólogo. Estava deitada em um divã de couro preto, o consultório onde me encontrava tinha as paredes brancas e os móveis eram todos em madeira de diferentes tons. Já era tarde e a luz que vinha da janela era meio alaranjada dando um clima calmo e tranquilo.

- Estou tendo sonhos estranhos e vendo uma espécie de fantasma que quase todas as noites, me diz coisas sem sentido.

- Que tipo de coisas? - arrumou seu óculos no rosto.

- A culpa é sua, fracassada, inútil, você acabou com a minha vida.

- Você tem algum inimigo?

- Não que eu saiba.

- Como é sua relação com sua família?

- Boa. Eles moram um pouco longe de mim mas sempre estou ligando para eles e visitando quando possível.

- Você já teve algo problema familiar na infância? 

- Não.

- Qual é o seu estado social?

- Tenho três amigas que moram comigo e não possuo nenhum status de relacionamento.

- Já sofreu algum tipo de preconceito? 

- Não.

- Como é sua relação com o trabalho?

- Não estou trabalhando há quatro meses.

- Isso te gerou alguma coisa de começo?

- Não, mas ultimamente me incomoda. Me deixa decepcionada e as vezes deprimida.

A psicóloga fez anotações em sua prancheta e depois fez um sinal de que eu já poderia me sentar.

- O que eu vou dizer pode até parecer meio óbvio senhorita Camila - ela fez uma pausa e engoliu em seco.- Mas você precisa relaxar, tentar dormi bem. Isso que está acontecendo com você pode ser falta de uma rotina emocional saudável. Como disse você, anda deprimida, tente ocupar sua mente com coisas que te faça bem e que passe o tempo okay?

- Sim, pode deixar. - disse sorrindo.

Ela retribuiu o sorriso ao se despedir e chamou a próxima pessoa para entrar em sua sala.

Aprendi em Filosofia que para saber se estamos sonhando ou vivendo era só pensar e agir. Definitivamente eu não sabia mais se vivia ou sonhava.

A Máscara - CamrenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora