Capítulo 34

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Eu estava sendo tratado como um rei, ou melhor, um doente. Minha mãe fazia todas as minhas vontades e Sehun não implicou comigo uma vez sequer. Pelo contrário, ele estava sempre perguntando se eu precisava de alguma coisa. Foi meio assustador, sabe? Mas eu estava gostando de ser paparicado.

O meu pescoço continuava imobilizado por um colar cervical, eu mal podia me virar e minha mão estava doendo mais que antes. Não podia fazer nada com ela para não correr o risco de infeccionar. Eu estava novamente preso à minha cama, e agora era ainda pior. Eu não poderia nem tentar me distrair. Meus pais até sugeriram que eu faltasse uma semana de aula para descansar, mas os professores estavam passando matérias importantes e eu não queria ficar o dia inteiro sozinho em casa, por mais que fosse difícil ficar na escola com aqueles quatro me ignorando.

O tédio já me consumia, na TV não passava nada de bom, então resolvi mandar uma mensagem para Luhan. Eu queria que ele me fizesse companhia. No entanto, quando abri o aplicativo Kakao Talk, notei uma nova mensagem de Kyungsoo. Hesitei um pouco, eu pensei em nem ler. Mas ignorar alguém parece impossível para mim no momento.

"Você está bem? Eu preciso te ver. Posso dar uma passadinha na sua casa? Por favor, eu preciso muito te ver."

Céus, como é que eu vou entender esse povo? Uma hora me ignora, outra hora quer me ver. Que raiva!

Eu respondi a mensagem, por mais que eu quisesse ignorar, eu também precisava conversar com ele.

"Tudo bem, pode vir."

~~ * ~~

Eram 20h54 quando recebi uma nova mensagem de Kyungsoo. Ele estava nos fundos do meu quintal e se recusava a entrar em casa. Me levantei da cama, coloquei um casaco e fui ao encontro dele.

Kyungsoo estava todo de preto e com um capuz, parecia até um bandido. Ele estava recostado num freezer onde meu pai guardava os peixes. Ele ficaria com cheiro de peixe quando fosse embora.

– Baekkie... – ele deu um meio sorriso quando me aproximei. – Como está?

O colar cervical no meu pescoço não dizia o bastante?

– Todo quebrado, e você?

Ele suspirou, e fez uma cara de quem fosse chorar.

– Estou aliviado por você estar...

– Vivo?

Ele assentiu.

– É, foi por pouco. Um mau jeito a mais e eu poderia estar paralítico ou morto – eu queria dramatizar sim, mas não passavam de verdades.

– Ainda bem que...

E ele começou a chorar. Pôs a mão sobre o rosto e desabou. Eu não entendi nada. Quero dizer, para mim, ele estava se sentindo culpado.

– Quer entrar? Aqui está frio – ofereci.

– Não – e ele tirou a mão do rosto. – Já arrisquei demais vindo até aqui.

– Arriscou o quê?

– É-ér... olha, Baekhyun, eu preciso ir agora.

O Príncipe de HaeundaeOnde histórias criam vida. Descubra agora