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[21] sickness

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Entro no hospital completamente desorientado. Olho em volta e assim que vejo o balcão principal, me dirijo até o mesmo.

— Bom dia, eu estou aqui por causa da paciente Lalisa Manoban.

— O senhor é familiar? — ela pergunta me fazendo engolir em seco.

— Não, ele não é. — ouço uma voz atrás de mim.

Me volto para trás, encontrando uma senhora baixinha e loura me encarando com uma expressão séria.

— Você é o garoto com quem eu falei, não é mesmo? — ela pergunta e eu apenas assinto. — Eu falei pra você largar a Lisa.

— Não.

— Como é?

— Eu não vou largar a Lisa só porque a senhora quer. Eu irei sim, largar ela se ela me pedir. Não é a senhora que decide isso.

A mulher me encara completamente imóvel. Ela se aproxima do balcão, fazendo a rececionista encarar ela.

— Chame o segurança, agora! Levem esse delinquente para fora daqui!

A rececionista apenas olha ela confusa durante alguns segundos.

— É surda, mulher?!

— Eu sinto muito, minha senhora, mas eu não posso chamar o segurança só porque a senhora quer. O garoto não está infringindo regra alguma. Pelo contrário, a senhora está elevando o tom de voz para mim, e com isso, eu posso sim chamar o segurança, mas para tirar a senhora daqui.

Ao ouvir essas palavras da garota por trás do balcão, uma pequena e baixa gargalhada me escapa. A malvada mulher me encara, completamente furiosa.

— Essa vai ser a última vez que você irá ver a minha filha. — ela fala. — Nem pense em colocar um pé na minha casa. — dito isso, ela sai para a sala de espera.

Eu apenas suspiro e volto minha atenção para a garota, que me encara.

— O médico ainda está com a paciente, mas assim que ele terminar, ele irá na sala de espera falar com vocês. — ela fala e eu apenas assinto.

Caminho em direção à sala de espera, e assim que entro, vejo que a mesma se encontra vazia, apenas a mãe de Lisa está sentada na última cadeira.

Suspiro e me sento na outra ponta. Esperamos alguns minutos. Demasiado longos. Até que o médico finalmente entra na sala segurando uns papéis.

— Responsável por Lalisa Manoban?

— Sou eu! — a mulher se levanta, assim como eu.

— A senhora é mãe?

— Sou, sim.

— E o rapaz? — ele aponta para mim.

— Eu sou amigo. — falo e ele assente.

— Bem, a gente tem aqui um caso um tanto complicado. — ele suspira. — Lalisa está sofrendo de bulimia.

— O quê? — a mulher fala completamente surpresa.

— Normalmente as vítimas dessa doença sabem esconder seu corpo, de forma a que ninguém perceba a perda de peso. — ele fala e a mulher ouve com atenção. — A gente fez alguns exames a ela, e detetamos vários sinais da doença, como por exemplo a falta de potássio no organismo, o estômago desidratado e a garganta inflamada. O vômito contém substâncias ácidas que vão queimando a garganta dela lentamente.

Essas palavras doem no meu coração. Lisa é tão linda, tão perfeita, como ela sente necessidade de fazer isso? Porquê?

— Mas o motivo do desmaio dela foi outro...

Volto minha atenção para o médico, assim como a mulher do meu lado.

— O que aconteceu? — ela pergunta.

— Lisa está tomando um remédio vitamínico, que com certeza lhe estaria sendo bastante benéfico se ela não estivesse a intercalar esse remédio com umas pílulas para emagrecer.

— Quê?! — falo e o homem assente.

Eu não estou acreditando nisso.

— As pílulas que ela comprou são bastante fortes e atuam de um jeito duro no organismo. Resumindo, essas pílulas cortaram o efeito do remédio vitamínico.

Encaro o chão tentando processar tudo. Eu me sinto tão culpado por causa disso. Talvez se eu me tivesse revelado mais cedo, eu teria estado ao seu lado, a apoiando e lhe dando força para não fazer isso.

— Eu... eu posso ver ela? — a mulher loura pergunta.

— Claro que sim, mas... antes da gente medicar ela, ela estava chamando por outra pessoa. Alguém que ela chama de P. — ele fala, me fazendo elevar o olhar. A mulher me olha, também, com raiva em seus olhos.

— S-sou eu... — falo nervoso.

— A senhora não se importa que o garoto entre primeiro? — o médico pergunta.

A mulher raivosa me encara, a mim e ao homem, suspirando em seguida.

— Tudo bem. Mas eu quero mais tempo com a minha filha. — ela fala, me fazendo revirar os olhos.

O médico apenas assente, antes de a gente abandonar a sala de espera. Sigo ele até um corredor silencioso com várias portas. Ele para diante de uma e se volta para mim.

— Tem 10 minutos.

alone × pjmHistórias para pegar e não largar. Descubra agora