Capítulo 06: "Eu Vou Te Matar!"

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Daniel não conseguia tirar os olhos da palma da própria mão. Ali, quase invisível, havia uma cicatriz. A cicatriz de Dafne. Tudo o que ele mais queria era realmente se esquecer da existência daquela mulher, daquela louca e, naquele momento, ela estava sentada no sofá da sala de estar da casa dele, sendo bajulada por Ilana. 

Daniel estava em pé, perto da porta da cozinha, um arco enorme, sobre duas pilastras num estilo grego, que fazia a divisão da sala de estar e da sala de jantar.

Ele tinha aberto  o portão para ela e, agora, não havia mais nada que ele pudesse fazer para tirá-la de dentro de sua casa sem chamar muito a atenção. Todos iriam desconfiar que havia algo a mais entre eles dois, que eles já se conheciam.

Maldição!

Ele nem poderia sumir de lá, daria muito na cara, era um almoço de família, com alguns convidados.

Ele respirou fundo.

- Ela é linda, né, mano?!

Era a voz de Pedro, o irmão mais novo.

Daniel deu um sorriso amarelo, ele não gostava de passar uma imagem atormentada ou abalada para sua família, ele sentia-se responsável por sua ela e, por isso mesmo, não poderia desabar de forma alguma.

Pedro tinha 11 anos, ele não tinha sequer lembranças de seu pai, que falecera quando ele havia acabado de completar 2 anos de idade. 

Daniel era a figura masculina na qual Pedro se inspirava. Ele sempre buscava ser gentil e atencioso com o irmão, apesar de impor limites a ele.

- Ela é sim, Pedro! - respondeu, entredentes.

- Se a Alyssa não fosse sua noiva - o menino continuou, sem desgrudar os olhos de Dafne - Acho que você e a Dafne deveriam se casar.

Daniel deu de ombros, fechou os olhos  respirou, para sair daquele lugar, ao menos mentalmente.

Ouviram o barulho do portão da garagem se abrindo.

Era Alyssa, certamente. Daniel havia dado para ela uma cópia do controle remoto do portão, para ela ter acesso à garagem, sem precisar chamar por alguém ou algo do tipo.

O homem olhou pela janela da sala, de onde dava para ver a garagem. O Cobalt branco havia acabado de estacionar. Realmente, era Alyssa.

- Alyssa chegou! - disse Ilana, toda empolgada - Acho que vocês vão se dar super bem, Dafne! Ela é a noiva do Daniel! Você vai ver o primor de moça que ela é!

- Eu imagino que seja - ela fitou Daniel com o olhar, fazia cara de paisagem - Aparentemente, seu irmão é fantástico também, merece alguém igual.

Daniel tentou não esbravejar.

- Ela é realmente o que eu sempre sonhei! - respondeu o homem, fazendo a mesma cara que a loira fizera - Ninguém jamais chegou aos pés dela.

Dafne apertou forte a almofada do sofá. Sentira vontade de socar a cara de Daniel, mas, não podia.

- Claro - sorrira ela, falsamente.

A porta se abrira e, por ela, entrara uma moça realmente muito bela. Alyssa tinha mais ou menos a mesma altura que Dafne, mais ou menos o mesmo porte físico, mais ou menos o mesmo tom de pele. Os cabelos eram negros e longos, estavam na altura da lombar. 

Dafne já havia visto fotografias de Alyssa, mas, naquele momento, ela notara que a moça era realmente belíssima. 

- Oi, amor! - dissera a morena, dando um selinho em Daniel - Desculpa a demora, eu acabei me enrolando toda lá em casa.

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