Camaleão agora estava do lado dela.
Ela tinha plena certeza de que ele seria um ótimo aliado. Por um segundo, viera um receio de o homem abrir a boca e dizer para alguém o que ela fizera com ele no hospital dois dias antes. Quase o matou. Mas, não! Ela tinha certeza de que Camaleão jamais abriria a boca. Ele tinha muito mais a perder denunciando Dafne. Ele não poderia sequer se aproximar da polícia. A situação estava sob controle.
O próximo passo era audacioso, ela sabia, mas, por ser tão audacioso era simplesmente perfeito. Ela havia planejado tudo nos mínimos detalhes. Não tinha mais como não fazer aquilo, ela precisava de certezas e aquilo, certamente, traria-as para ela.
Pedira para que Camaleão fosse até sua casa às duas horas da madrugada. Era mais seguro, ninguém o veria entrando, nem saindo. Ninguém poderia ligar os dois.
Ela também estava precavida: escondera uma faca debaixo de uma das almofadas do sofá, onde tratou de sentar-se assim que ele chegou. Se ele fizesse qualquer movimento que a ameaçasse, ela sabia exatamente o que fazer.
Camaleão parecia desconfortável. Ele, certamente, temia que aquilo pudesse ser algum tipo de armadilha, mas, não era.
- Parece bem menos medonho agora, Camaleão! - ela dissera, assim que sentaram-se.
Ele estava no sofá menor da sala, bem à frente dela, separados apenas por um tapete e uma mesinha de centro toda feita em vidro.
- Você, por outro lado, parece mais assustadora aqui. - ele não podia perder a piada - Afinal de contas, dona, o que diabos quer de mim? Não pense que me esqueci do que fez comigo lá no hospital... Foi você quem injetou alguma coisa naquele soro pra que eu morresse, não é?!
- Eu só queria que você mudasse de ideia - ela sorriu de forma fria - Consegui, não é?! De todo jeito, eu não iria deixá-lo morrer.
- Pode ir direto ao ponto, dona! - dissera o traficante, por fim, cruzando as pernas e se apoiando no espaldar do sofá - O que quer de mim?
- Como eu disse, preciso de uma espécie de segurança, eu tenho medo de que um certo alguém tente algo contra mim. Sei segredos dele...
- De quem estamos falando?
- Daniel Fonseca! - ela disse - Ele chegou a me ameaçar.
- Tá... Então, quer apenas um segurança... Por que eu?
- Por que eu preciso de um ajudante que tope tudo e você me parece o tipo de pessoa que topa tudo.
Camaleão sorriu.
- Acha que sou algum tipo de garoto de programa?! Pois engana-se.
- Não seja idiota! - ela o repreendeu - Eu estou falando sério. E, preciso muito da sua ajuda quando o dia amanhecer. Eu pago bem.
Silêncio.
- O que quer?
Dafne fez silêncio novamente. Ela sabia que o que ia pedir para Camaleão fazer era algo fora da lei. Era algo completamente fora da lei, era crime. Mas, se Camaleão não o fizesse, quem o faria? Ela só tinha ele naquele momento.
- Preciso que sequestre o irmão mais novo do Daniel na hora em que ele sair da escola! - ela foi direta, a sobrancelha esquerda erguida, enquanto o fitava.
Dafne notara a expressão de Camaleão mudar. Ele parecia não acreditar ou mesmo entender o que havia acabado de ouvir.
- Sequestrar o pirralho dos Fonseca?! - disse ainda incrédulo, o cenho franzido - Você tá muito loucona, né, dona?!
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Vingativa
Misteri / ThrillerEla foi enganada por ele, agora, tudo o que ela mais quer é se vingar e, para isso, não medirá esforços.
