Um Ano e Sete Meses Antes de Dafne Se Mudar Para Pedra Dourada...
Era quarta-feira.
Todas as quarta-feiras às 15hrs ela já tinha um compromisso: Terapia.
Honestamente, ela adorava fazer terapia, ela sentia-se bem e se entender era muito importante para que ela parasse de pensar aquelas coisas.
Ela também adorava o terapeuta em si. Ele se chamava Ícaro, era um pouco mais alto que ela, tinha cabelos sedosos e ondulados, usava óculos de grau, sempre estava com camisa preta ou cinza, um estilo meio despojado. Ele tinha tatuagem no braço, era uma naja saindo da cavidade ocular de uma caveira. Certa vez, ela observara que saía uma pontinha de uma tatuagem do peito dele, quando ele deixara dois botões da camisa social cinza abertos. Ela ficou curiosa.
"Non credunt vera!" respondera ele, quando ela questionara sobre o que era a tatuagem "Não acredite em verdades, em latim".
Ela ficara fascinada. De modo geral, Ícaro a fascinava muito! Ele era jovem, inteligente, simpático, bonito...
Mas, ela sabia que aquela era estritamente uma relação paciente-terapeuta. Nada mais!
O consultório era simples: havia um tapete marrom, três poltronas, uma mesinha, que ficava ao lado de uma das poltronas, sobre a qual, ficava um modesto jarro de flores e uma caixa de lenço de papel e, num canto da parede, uma estante de madeira recheada de livros e revistas. Uma enorme janela finalizava o ambiente, logo atrás de cortinas brancas.
Estava sentada numa das poltronas havia pouco mais de um minuto. Ícaro apanhou seu caderninho de anotações e uma caneta e sentara-se na poltrona bem a frente dela. Cruzando as pernas, por fim, olhou-a bem nos olhos.
- E aí?! - ele disse. Sempre iniciava as sessões com aquela mesma pergunta.
Ela suspirara.
- Estou bem! - sorrira timidamente - Vi o Daniel essa semana novamente.
- E como foi? - indagou ele, anotando algo no caderninho.
- Muito bem! - ficara pensativa em seguida - Bom, eu só tive uma crise de ciúmes, mas, nada demais...
Ícaro parou de escrever e a fitou novamente.
- Como se sentiu sobre isso? - indagara o psicólogo.
Dafne sabia que aquele era um assunto delicado a ser tocado com ela. Ela sabia muito bem do diagnóstico que recebera. Sabia o que significava sentir ciúmes de Daniel e, além dela, Ícaro também sabia de tudo que poderia acontecer depois que Dafne tinha uma crise de ciúmes.
- Bom... - ela dissera, enquanto apertava as duas coxas com ambas as mãos - Nós estávamos num restaurante e, então, passou um rapaz. Ele era bem bonito até, era visivelmente gay.
- Como assim?
- Ele estava usando uma calça preta super justa, era rasgada nos joelhos - seguia Dafne - Uma camiseta regata também preta, botas pretas também, eu acho que ele era meio emo, sabe?! Tinha uma barba bem aparada e os cabelos jogados para o lado, rebolava um pouco ao andar. Ele era bonito... Então, o Daniel o olhou e disse que o rapaz era bem o tipo dele.
Dafne fez uma pausa, queria ver a reação de Ícaro diante daquilo. Ele não demonstrou reação alguma, apenas continuava olhando para ela.
- Eu o perguntei sobre o que estava acontecendo e ele me disse que é bissexual. Eu surtei.
- Okay - Ícaro anotara novamente algo em seu caderninho - E porque você surtou?
- Bem... - ela respirara novamente - Eu já odiava a ideia de poder perder o Daniel para uma mulher, agora, eu preciso ficar atenta aos homens também. Isso não soa injusto?!
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Vingativa
Mystery / ThrillerEla foi enganada por ele, agora, tudo o que ela mais quer é se vingar e, para isso, não medirá esforços.
