1.22; discovering skin

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Louis' POV
¡conteúdo sexual ligeiro!

Fisioterapia é mais díficil do que o esperado. Quase mais difícil do que sofrer uma lesão.

Harry não estava mentindo quando sugeriu que as consultas necessárias fossem feitas na ilha, porque, a seu ver, seria mais relaxante e o tratamento mais eficiente se feito com um médico renomeado a quem eu nunca teria dinheiro suficiente para  pagar. 

A partir do segundo dia da nossa estadia, uma médica de meia idade e cabelos demasiado amarelos e uma enfermeira de aspeto mais saudável, inciaram a rotina de viajens de barco constantes até à ilha, para cada consulta.

Eu estou exausto. Todos os meus músculos e ossos doem mesmo se pouco ou nenhum progresso é vísivel. O processo longo é incrivelmente frustrante e as vezes sem conta que a água corrente do chuveiro disfarça as minhas lágrimas de raiva caindo com força deixa-me triste. Mas não só a mim. Harry sabe das minhas crises de choro, dos meus episódios de raiva para comigo próprio, o quão frustrado eu estou e o quanto as possibilidades deste esforço ser em vão me atormentam. Ele sabe e faz os possíveis para que eu não sofra. 

Longas conversas convincentes e abraços quentes têm sido o meu combustível nesses dias frustrantes. A sua vontade de afastar qualquer indício melancólico de mim é maior do que qualquer outra coisa.

Por isso, não é surpreendente quando Harry adentra o piso aberto segurando um tabuleiro nas suas mãos grandes, sorrindo.

— Você está acordado! — Harry anuncia assim que me vê espreguiçando de braços esticados na cama, metade do corpo coberto pelos lençois brancos e frescos —Bom dia, minha flor.

O tabuleiro é pousado no colchão perto do meu corpo ainda sonolento, assim como o corpo de Harry. Os seus dois braços tatuados são apoiados em ambos os lados das minhas pernas cruzadas permitindo o seu torso pesado flutuar a meros centímetros do meu, e um par de lábios quentes beija a minha testa carinhosamente.

— Bom dia.— Digo por entre um bocejo— Acordou cedo hoje.

— Eu acho que foi você que acordou tarde. Já passa da hora do almoço.— Harry sorri, fitando o meu rosto em diversão. Droga, eu dormi tanto assim?

— Merda, me desculpa. Eu estava exausto da fisioterapia e tudo mais.— Jogo a palma da mão à testa, maltratando o lugar previamente acarinhado pelo beijo de Harry.

— Eu sei que estava e não há problema. Você está aqui para descansar e retirar a sua cabeça de todos os problemas.— Harry leva as pontas quentes dos dedos ao meu maxilar, pincelando-o calmamente ao seu próprio ritmo — Eu não quero ver você chorando de novo. Eu não gosto de ver ninguém chorar.   

O seu toque suave e comentário espontâneo relembram-me do acontecimento inesperado de ontem, assim como as lágrimas secas nas minhas bochechas. Recordo-me de utilizar a desculpa de estar cansado para mergulhar por debaixo das cobertas em silêncio e chorar até  os soluços me impedirem de respirar. A possibilidade assombrosa de não voltar a exercer o que me faz mais feliz no mundo é inevitável na minha mente. Sem ballet, o que eu estou fazendo aqui? Qual o meu propósito? Sem a arte que eu trabalhei anos para fazer minha, quem sou eu realmente? Como eu irei parar nos livros de história?

Perdido entre possibilidades e pensamentos, dois braços envolvem o meu corpo, me trazendo de volta à realidade. Sem nenhuma palavra dita ou som emitido, Harry, quem eu reconheço pelo cheiro, encosta o queixo às minhas costas amplas e acaricia a pele quente com os lábios vez ou outra. Cada um dos seus beijos soletrava palavras de conforto e, como resultado, as minhas lágrimas secaram. Emotivo, enrolei-me numa bolinha vulnerável, praticamente implorando para que Harry me segurasse. E, no silêncio absoluto e ao ritmo do bater dos nossos corações, adormeci, todas as dúvidas e questões se evaporando por meras horas.

melodrama; l.s.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora