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Louis' POV

De todas as camas onde eu já dormi, contando com o berço, a de Harry é, sem dúvida, a mais confortável.

Não só confortável, mas quente. A forma como os lençóis se embrulham por vontade própria em volta das minhas curvas, até à forma como o colchão se afunda com o peso do meu corpo.

Uma cama vinda dos céus.

E é nessa cama onde eu acordo, submerso em cobertas e lençóis que mais se parecem com nuvens, na manhã do dia seguinte à festa de Eleanor.

À medida que a consciência, por mais sonolenta que seja, começa a se apoderar do meu corpo confortável demais para trocar de posição, o cheiro dos lençóis vai se tornando mais e mais familiar.

Confesso que foi uma das noites mais bem dormidas da minha vida. Recordo-me de vestir a camiseta amarela de Harry de novo, a minha favorita para dormir, ser embrulhado pelos membros calorosos de Harry que, a meu pedido, divagava sobre os seus humanistas favoritos e as suas obras, recitando excertos de Utopia até eu adormecer no travesseiro proximo do seu, os seus dedos acariciando a pele das minhas costas.

Na verdade eu não sei como acabamos sempre na cama de Harry, dormindo por o que parecem ser dias, mas o certo é que é sempre o nosso destino final.

Pensar nas caricias de Harry fazem-me sentir a falta do seu toque viciante e do seu calor constante. Estendo o braço por sacrifício, procurando pelo corpo de Harry no colchão moldável. A distância entre os nossos corpos tem de ser enorme para ser tão difícil encontrá-lo, já que tateio a cama às cegas por uns bons minutos sem achar o garoto, ou, até mesmo, a ponta de um cachinho.

Cansado de procurar com as mãos frias, empurro o corpo para cima, apoiando-me nos braços fracos por ser tão cedo, não me preocupando com o cabelo desgrenhado e os olhos inchados de sono. Procuro o corpo desenhado à mão de Harry na cama celestial, mas no entanto deparo-me com um vazio enrugado de lençóis.

— Louis, volte a dormir! — A voz grossa de Harry vem do outro lado do quarto, me balançando de repente com o seu ritmo imperativo.

Por entre a luz natural empurrando as cortinas para abrir passagem, Harry está sentado no chão, de caneta e caderninho na mão, sob as pernas cruzadas. Raios de sol chocam com a sua pele cremosa, assim como iluminam as mechas de cabelo escondendo o seu rosto, numa explosão de calor intensa. Agora é certo que eu estou no paraíso por entre anjos e nuvens.

— Bom dia para você também. — A minha voz sai rouca, a meio de um bocejo.

— Não vê que eu estou escrevendo? Volte a dormir para eu te poder observar. — Harry responde, se concentrando de novo nas palavras sendo escritas. Como eu amo pessoas mal humoradas de manhã.

Me desculpa, seu bruto. — Quase que sussurro a última parte, esquecendo de toda aquela conversa de como ele era um anjo. É quando quer, pelos vistos. Afundo a cabeça no travesseiro volumoso, mas não tardo a ouvir o remexer dos lençóis ao meu lado.

Uma mão extremamente quente encontra o caminho até às minhas costas, esfregando-as em movimentos circulares debaixo da minha camiseta.

— Bom dia, Lou. Dormiu bem? — Harry pergunta de voz animada. Agora sim está tudo ótimo.

Eu acho que nunca dormi tanto na minha vida. — Desenterro o rosto do tecido e sou cumprimentado com um sorriso enorme que pode curar todas as doenças no mundo. E as covinhas, meu deus, as covinhas.

— É, você dormiu muito.

Nunca tinha reparado na forma como todos os músculos do rosto de Harry se movem quando ele fala de forma confortável. Como a sua expressividade aumenta e a lentidão do seu discurso não atrapalha o momento, apenas o torna mais sereno.

melodrama; l.s.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora