1.20; angels do fall from the sky

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Louis' POV

'São apenas quatro dias.'

Eu acho que Harry Styles necessita de um novo calendário porque duas semanas, três fotos com modelos diversas saindo de várias boates e zero mensagens, ligações ou explicações depois, eu ainda estou dormindo sozinho na minha cama fria sem os seus braços em minha volta.

A porra do ano novo passou e nada. Nem um 'feliz ano novo' em letras minúsculas sem pontuação. Nada.

Escusado será dizer que afoguei as minhas dúvidas na bebida da festa, mas aparentemente elas estavam usando braçadeiras porque flutuavam que nem boias. Acabei a noite chorando no ombro de Zayn, no banheiro da boate, até que o garoto me decidiu levar para sua casa e me colocar a dormir no sofá. Com a bebedeira com que eu estava não me importei nem um pouco que iria acordar com as costas completamente fodidas.

Durante as semanas excruciantes procurei focar toda a minha atenção e tempo com os ensaios, que recomeçaram oficialmente no dia três, tentando me sobrecarregar de tal forma que até o rosto de Harry seria desfocado pela memória. Claro que isso não aconteceu, e mesmo dançando, Harry era tudo em que eu podia pensar, me causando a falhar alguns passos de forma inadmissível.

Será que eu fiz algo? Disse algo? Será que a culpa é realmente minha?

— Tomlinson, tem algo impedindo você de ir mais alto no seu jeté? — Martin interrompe a pianista, que é obrigada a conter o movimento dos seus dedos antes de estes tocarem na próxima tecla.

Curvo o corpo e apoio as mãos nos joelho como suporte enquanto respiro fundo, não percebendo o porquê de estar tão cansado.

— Não, senhor. — Digo por entre a respiração pesada, impossível de ignorar.

— Então deixe de se distraír com as mosquinhas voando em sua volta. O ensaio é aqui, não onde raios você está com a cabeça. — O homem baixo repreende, a sua voz mais rouca do que o normal — Do início.

Olho para o grupo de bailarinos abraçando os joelhos, incrivelmente atentos a todos os meus movimentos. Alguns riem suavemente, o que não me incomoda. Este é um ramo competitivo, nós vivemos de competição, e não temos de sentir nenhuma culpa ou preocupação por alguma falha de um bailarinos concorrente. Mesmo estando na mesma companhia, nós somos todos adversários. O meu olhar fixa-se em Gigi, que retribui o gesto assustado com outro olhar, no entanto o seu diz 'o que caralhos está acontecendo com você hoje?'.

Retomo a posição inicial do meu primeiro solo, ceritificando-me no espelho de que a postura está correta antes de começar.

Mais uma vez, o piano agudo soa pelas quatro paredes, assim como as instruções de Martin, quais eu nunca presisei de ouvir e até tenho dificuldade em seguir, mas hoje realmente necessito de alguém para me guiar.

Os meus membros movem-se com a contagem constante na voz expressiva de Martin. Cinco, seis, sete, oito. Cinco, seis, sete, oito. Perna esticada, Louis! Cinco, seis, sete, oito. Que entrechat-sept foi esse? Cinco, seis, sete, oito. Foque-se, Louis! Cinco, seis, sete, oito. Os seus arabesques habituais estão sentindo vergonha de você nesse momento! Cinco, seis, sete, oito. Prepare-se para os sete jetés. Um, dois, três, quatro, cinco, sei—

O meu joelho falha no sexto jeté e o meu copro cai, pesado, no chão de madeira polida. Os bailarinos assistindo soltam pequenos gemidos de dor, como se eles estivessem na minha posição, e o piano para.

— Louis, meu deus, você está bem?! —  Gigi aproxima-se do meu rosto, para ter a certeza de que os meus olhos estão abertos e a minha cabeça não sofreu nenhum dano.

melodrama; l.s.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora