Capítulo - 3 Bem vindos ao ninho de cobras.

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Solicitamos a sua presença, na companhia de Sua Majestade Real, em um baile acompanhado de seis pratos típicos turnisianos. É obrigatório o uso de traje de gala, será realização um uma homenagem com quatorze valsas, representando cada um dos estados de Turnisia.
Horário solicitado: 19 horas.
S.M.R. Arabella

Abri a porta da varanda, deixando a brisa fresca tocar minha pele exposta. Enrolei-me no roupão e sentei na cadeira em frente à penteadeira para cuidar dos meus cabelos.

Fui pega de surpresa quando minha mãe invadiu meu quarto. Ela bisbilhotou tudo e fez vista grossa para as minhas escolhas de roupas, mas, depois de um tempo, pediu minha ajuda para escolher o próprio traje. Ela adorou minhas sugestões e retribuiu me fazendo um penteado.

Fiquei satisfeita com a minha escolha de vestido. Minha mãe deu a ideia de usar dois trajes na mesma noite, e eu gostei de não ficar presa a uma única peça que certamente me impediria de respirar de tão justa. A outra opção seria ideal para dançar e me deixaria mais à vontade.

O meu vestido era verde-escuro, bem justo na cintura, com uma fenda no lado esquerdo da perna. Tive que ajustar um pouco essa abertura porque estava longa demais e levemente vulgar para a ocasião. O caimento ficou ótimo, e fiz questão de experimentar várias vezes antes de partir de Climont.

Minha ajudante chegou horas depois para me auxiliar com a maquiagem. Ela era reservada e tímida, uma mulher de poucas palavras, mas confesso que algo em seu olhar parecia gritar por socorro. Cheguei a elogiar o penteado dela, mas a única resposta que recebi foi um obrigado acompanhado de um sorriso acanhado. Ela fez uma maquiagem marcante, destacando meus olhos e dando a eles o devido protagonismo.

Quando o relógio marcou 18h40, uma das ajudantes de Cíntia indicou o caminho que eu deveria fazer até o jantar. Dei uma última olhada no espelho e caminhei até a porta, onde vi meu irmão segurando uma linda rosa.

— Uau, você está deslumbrante — disse ele, beijando minha mão e me entregando a flor.

Inalei o cheiro da flor e respondi em tom provocativo. — Pensei que ficaria preso a um dos seus livros em vez de me acompanhar.

— Eu preferiria muito mais a companhia de um livro do que passar a noite inteira dançando.

Pensei em responder sobre o lado antissocial dele, mas vi mamãe e papai se aproximando. Eles se posicionaram ao nosso lado conversando entre si, extremamente sérios. Mamãe parecia ainda mais ansiosa.  ansiosa do que eu e meu irmão juntos.  Já o meu irmão, tão tranquilo, normalmente ele não consegue manter a calma em momentos de tensão como esse, mas estava claro que ele não ligava para nada daquilo.

Já a minha mãe... dava para notar pelas suas mãos frias e suadas que ela estava apavorada.

Acredito que seja o pavor de que fôssemos rejeitados, porque isso significaria que ela havia falhado. E falhar é um pecado mortal na minha família.

Se tudo desse certo, voltaríamos para casa, onde me preparariam ainda mais para o cargo que hoje pertence ao meu pai. Isso só aconteceria se ele morresse ou fosse aposentado pela coroa. De qualquer forma, eu representava a morte, já que minha ascensão dependia do fim dele. Parando para refletir, era algo verdadeiramente triste e cruel.

Sou tirada dos meus pensamentos pela chegada de Cíntia, que nos alertou sobre algumas coisas e orientou que aguardássemos em uma sala reservada até o momento da entrada. Esperamos durante um tempo, até o momento em que não escutávamos mais nenhuma voz no corredor.

Dinastia ♛Histórias para pegar e não largar. Descubra agora