Bianca, uma rapariga sonhadora e batalhadora, sempre teve de enfrentar vários desafios em sua vida, nada para ela era fácil, principalmente pela sua irmã que fazia de tudo para destruir a sua alegria e invejava todas as suas conquistas.
Quando acho...
Ali estava eu, mais uma vez a presenciar a destruição de tudo aquilo que tinha planeado para a minha vida! O Rodrigo não era diferente, eu é que tinha imaginado demais. ...
A Chuva começou a cair com força, fiquei encharcada em segundos, a minha roupa ficou molhadíssima e a minha barriga notava-se de longe.
Eles ficaram naquilo por alguns segundos e observei a todos eles quase sem pestanejar, a Bia normal iria para ali lutar, partir tudo que visse pela frente, bater nele, dar uns tapas bem dados na cachorra, mas do que isso me adiantaria?! Só iria cometer os mesmos erros do passado, porque foram atitudes dessas que me fizeram casar, dormir e engravidar de um completo desconhecido e voltar a ser traída.
Eu achei que poderia mais uma vez definir como seria a minha vida, mas descobri que isso está fora do meu alcance, a vida é inconstante e na maior parte das vezes nada acontece como planeamos. ...
— Bia! — Gritou o Rodrigo quando notou a minha presença.
Eu saí de lá, andava desnorteada e me sentia perdida. Cheguei onde estavam as meninas e a tia Suzana, pedi a chave da carrinha do Rodrigo que estava com a Mariana. Todos olhavam para mim surpresos por causa da barriga, eu só ouvia, " ela está grávida, ela está grávida", mas não me importei, peguei nas chaves e tentei sair dali o mais rápido possível.
— Bia está tudo bem?! Você tá estranha, aconteceu alguma coisa, diz algo Bia. — Perguntou a Mariana preocupada.
— Eu vou-me embora Mariana, toma conta da Lua! — Disse cabisbaixa.
— Como assim vais-te embora?! Bia o que houve?! Fala comigo... Bia por favor, o que foi?! — Perguntou com lágrimas nos olhos.
— Bia por favor vamos conversar! — Gritou o Rodrigo que tinha acabado de entrar na barraca em que estávamos.
— Não tenho nada para falar contigo, deixa-me em paz! — Disse aos prantos..
— Deixa-me explicar, o que você viu não é o que estás a pensar. — Disse o Rodrigo.
— Sabes bem que cenas como aquela não são novidade para mim! Sei bem o que foi aquilo, não precisas explicar nada, eu é que estou farta de passar por isso! — Disse irritada.
— Bia vamos para casa, eu explico-te tudo, mas tenta ficar calma, isso vai fazer-te mal e aos bebés também. — Disse o Rodrigo.
— Bebés! Bebés! Agora queres saber, já não tens vergonha deles?! Desde que chegamos que tive que esconder que estou grávida! Acreditei na tua história de querer preservar as meninas, de que elas precisavam de tempo, mas não era isso! ... Como fui estúpida e burra... era por causa dela, da Penélope, tu ainda a amas e tens vergonha de mim! — Respondi aos gritos.
— O que estás a dizer?! Não é nada disso, eu não tenho nada com ela! Aquilo não significou nada Bia, acredita em mim.
— Só não entendi o porquê da tua insistência para eu vir pra cá, eu podia ter ficado com o meu pai, é problema meu afinal... Não tinhas que te envolver, mas não...! Trouxeste-me pra cá pra fazer o mesmo que ele?! — Perguntei desapontada.
— Bia tu ensinaste-me a ver a vida de outra forma, contigo consegui rir e me sentir feliz pela primeira vez em muitos anos, eu amo-te, por favor não me deixes! — Disse o Rodrigo com lágrimas nos olhos.
— Eu vou-me embora, aliás já devia ter ido há meses atrás, o nosso divórcio a essa altura já deve ter saído, depois envio-te os papéis para assinares. — Disse enquanto abria a porta para ir-me embora.
— Espera aí Bia! Você não pode nos abandonar, não nos deixa Bia, o que vou fazer sem você?! — Perguntou a Mariana com lágrimas nos olhos.
Eu saí dali, se ficasse mais um segundo não conseguiria partir.
— Bia não me deixes, quem vai brincar comigo agora?! Com quem vou dormir Bia?! — Gritou Lua que veio a correr atrás de mim.
— Eu não posso ficar Lua e volta para dentro que essa chuva vai te fazer mal. — Respondi com o coração na mão.
A Mariana saiu e segurou a Luana para levá-la para dentro enquanto ela gritava de desespero: " - Bia! Bia! Bia! Não vai! Quem vai ser minha mãe agora?! ....Bia! Bia!... Mãe! Não vai! ...." Fui a correr para dentro da carrinha e acelerei, vi que o Rodrigo também saiu e tentou me alcançar, mas fui mais rápida e meti o pé na estrada. ... Entretanto .... ...
— Porquê Rodrigo?! Voltaste a cometer o mesmo erro por causa daquela estúpida! Esquece-a, já não basta o que aconteceu?! Por causa dela e daquele idiota do Fábio você foi preso e eu tive que enterrar a mamã sozinha! — Gritou Mariana a Rodrigo de raiva enquanto a Luana só chorava.
— Vamos ficar mais uma vez sozinhas! Mais uma que se vai embora, porque tu não consegues te livrar dessa obsessão que tens pela Penélope. — Disse Mariana.
— Não é nada disso que vocês estão a pensar! Eu não tenho obsessão nenhuma por ela. - Respondeu o Rodrigo.
— Então o que é ?! Não sei se você se deu conta, mas é isso que parece, a Bia vai embora e ela não mora ao lado da nossa fazenda! ... estragaste tudo como sempre. — Disse a Mariana.
— Vamos para casa, ela deve estar mais calma e a chuva meio que já parou... tia vamos com o teu carro porque ela levou a carrinha. — Disse o Rodrigo. ....
De volta a mim...
Dirigi aquela carrinha o mais rápido que pude. Quando cheguei na fazenda a chuva já tinha diminuído, fui até ao meu quarto e fiz as malas, levei apenas os vestidos largos, tudo o que tinha levado já não me servia mesmo! Deixei para a Mariana.
Peguei nos meus documentos e fiquei sentada no alpendre a espera do táxi que chamei. O Rodrigo chegou antes do táxi, as meninas ficaram em casa da tia por insistência dele.
— Não vai Bia, pelo amor de Deus, aquilo foi uma espécie de despedida, não significou nada! Eu amo-te. — Disse o Rodrigo.
— Eu abandonei a minha vida por tempo demais, desde que cheguei aqui que não falo com ninguém, nem com a Ana, desde que o Marco partiu o meu telemóvel que não comprei outro! ... Eu vou voltar para resolver a minha vida, talvez ele já tenha sido apanhado até!
— Não sabemos viver sem ti aqui!
— Não é só pela traição, mas tu sabes que a minha vida não é aqui! Tudo o que construí, o meu trabalho, a minha família, os meus amigos, está tudo lá, mesmo que estivesse tudo bem connosco teríamos de lidar com esse problema mais cedo ou mais tarde!
— Eu sei disso, mas nós arranjaríamos um jeito. - Disse Rodrigo trémulo.
— Terias coragem de abandonar tudo e ir comigo?! Tirar as meninas da vida delas para me seguirem?!
— Eu... Eu... Não sei! ... Não sei o que faria! — Respondeu o Rodrigo.
— Eu também tenho vida Rodrigo! Mas para ti seria mais fácil me ter aqui que nem uma boneca, para tomar conta das crianças enquanto vives o teu romance!
— Bia eu não quero que te vás embora a pensar que... — Dizia Rodrigo até interrompé-lo : — Meu táxi chegou, adeus Rodrigo! Despeça as meninas por mim, porque não tenho coragem!
Peguei as minhas malas e fui-me embora sem olhar para trás. Chega de pensar que só serei feliz se casar, se tiver uma casa com cinco quartos, filhos e um cachorro, também posso ser feliz num apartamento com dois quartos, dois filhos, sem cachorro e solteira.
Fui para o aeroporto em busca de uma nova realidade. A minha realidade!
A minha realidade!
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