A Rotina

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Capítulo 13

Mais um dia de consulta, mais um dia longe da Ana, mais um dia longe da minha pastelaria, mais um dia longe da minha vida!

Levantei-me cedo e aproveitei a boleia do Rodrigo para ir a consulta, já estava farta de estar ali, não podia deixar a minha vida parada desse jeito por causa do Marco, sentia-me uma prisioneira, consulta-casa e casa-consulta.

As meninas eram a minha única alegria, mas eu sabia que eu não poderia me afeiçoar demais porque teria de ir embora mais cedo ou mais tarde.

O Rodrigo é um homem lindo e apesar de sermos de mundos diferentes e gostarmos de coisas diferentes, eu achei que poderíamos evoluir a nossa relação para algo mais sério.

Não sei se era da gravidez, mas sempre que o olhasse sentia um calor que me dominava, vinha devagarinho pelas pernas e sobia até a minha cabeça, ficava fora de mim, nunca tomei tantos banhos na minha vida! Mas para quê sonhar se ele não avançava, ou era tímido demais ou então não queria nada comigo.
...

- Obrigada por me trazeres. — Disse enquanto descia para entrar no consultório.

— Espera Bia, eu vou com você hoje.
— Disse Rodrigo ao descer do carro.

— Não é preciso Rodrigo, se não quiseres não és obrigado. — Respondi.

— Eu tenho estado muito ausente mesmo, claro que eu vou com você! — Disse Rodrigo.

Entramos no consultório e como sempre o Rodrigo conhecia quase todos os trabalhadores, inclusive a médica que me atendia. Fizemos o ultrassom e vimos os nossos filhos, estavam tão juntinhos como se fossem se abraçar, não dava para ver o sexo ainda.

— Eu quero rapazes, já tenho mulheres a mais na minha vida. — Disse Rodrigo.

— Machista! Vais ver, serão meninas!
Nesse dia o Rodrigo levou-me para almoçar, conversou comigo, foi um querido, as reclamações surtiram algum efeito.

— Bia, eu vou levar você para casa, mas as seis da noite prepara-te que hoje nós vamos sair, alguns dos meus amigos estão aqui na cidade e acho que seria bom para nós. — Disse Rodrigo.

— Tá, mais tarde então! — Respondi.

Voltei para a fazenda, preparei-me, meti um vestido meio larguinho para não se notar a barriga, aliás eu só vestia roupas largas, já estava a caminho do quinto mês e daqui a nada todos iriam notar.

O Rodrigo veio apanhar-me como combinado, deixamos as garotas na casa de uma tia deles, muito simpática, a tia Suzana, e fomos à um bar ter com a rapaziada. Logo que entramos a gritaria começou.

— Rodrigo!!! Meu camarada, nunca mais. — Gritou um dos rapazes.

Ele abraçou a todos e depois apresentou-me: — Ela é a Bia, lembram-se dela?!

— Claro! A rapariga do restaurante, linda como sempre. — Disseram os rapazes em meio a confusão. Muita testosterona junta é sinônimo sempre de confusão.

Sentamos, conversamos, eles beberam bastante e eu acabei por me cansar daquilo, levantei para ir ao banheiro e no regresso tive um "Deja vu", um jovem que segurava um copo de bebida na mão veio de encontro a mim e derramou tudo na minha roupa.

— Ai! Desculpa não a vi aí, como eu sou desastrado. — Disse o jovem.

— Não faz mal, acidentes acontecem, vamos esquecer isso. — Respondi.

— O meu nome é Fábio, prazer.

— Eu sou a Bianca, mas podes me chamar de Bia. — Respondi.

Não voltei mais para a mesa, os rapazes estavam tão envolvidos nas conversas deles que nem notaram que sumi. O Fábio levou-me para conversar na parte de fora do bar, o ambiente estava mais calmo.

Ele era um tipo simpático, acho que poderia ser até o meu primeiro amigo ali.

Ficamos em pé a olhar as estrelas, o Fábio me fazia rir com suas piadas sem graça. Ele do nada pegou em meu rosto e fixou o olhar em mim.

— O que é isso?!!! — Gritou uma voz vinda do fundo.

Quando olhei era o Rodrigo, não entendi aquela reacção, apenas fiquei em pé a espera que ele se aproximasse de nós. Se estavam a espera de diálogo, não houve!... O Rodrigo que sempre foi muito calmo logo que chegou ao pé de nós derrubou o Fábio.

Fiquei sem saber o que fazer, dois gigantes a lutarem como eu poderia separar?!... Corri para dentro do bar e chamei os amigos do Rodrigo para ajudar, eles foram até lá e o resultado foi o contrário! Ao invés de apartarem a briga puseram mais lenha na fogueira.

— Não sei o que esse sacana fez, mas com certeza merece! — Gritou um deles.

Tentei ir para o meio e fui segurada por trás por um dos amigos dele, Mateus, que logo sentiu a minha barriga e deu conta da minha gravidez, comecei a chorar, andava muito sensível eu!

O Mateus meteu-me sentada em um banco que havia ao lado e entrou no meio da briga para os separar.

— Já chega Rodrigo!!! A Bia está a passar mal. — Gritou o Mateus enquanto segurava o segurava. O Rodrigo rapidamente deixou o Fábio e veio ter comigo.

— Estás bem?! Estás a sentir alguma coisa?! Queres ir para o hospital?! — Perguntava Rodrigo sem parar.

— Eu só quero ir para casa, agora! — Respondi.

O Mateus aquela altura já tinha entendido metade da história, que a minha gravidez era do Rodrigo.

Eu é que não sabia que Rodrigo era assim tão ciumento, será que isso foi ele a demonstrar que gosta de mim e que sente ciúmes?!!! Ele não diz o que sente e decifrar as vezes é difícil.

Voltamos para casa em completo silêncio, dessa vez não falei nada como habitual, estava confusa demais e perdi-me nos pensamentos. Logo que o carro parou desci e fui directo para o quarto, o Rodrigo entrou no estábulo.

Eu podia vê-lo a sair e a entrar de lá de dentro, ele decidiu trabalhar aquela hora da noite! Achei que era assim que tirava o estresse. Senti aquele calor novamente e dessa vez foi maior, ele estava ali sem camisa e com o tronco todo a mostra, como se estivesse a fazer de propósito, tentei me segurar, mas não aguentei, se fosse a esperar por ele nunca aconteceria.

Desci e fui ao encontro dele.

— Rodrigo! — Chamei-o.

Ele logo que virou não esperei nem que respondesse, beijei-lhe ali mesmo no estábulo. Ele levantou-me e meteu-me sentada na mesa de trabalho dele, as suas mãos passeavam pelo meu corpo e isso me deixava ainda mais arrepiada e com mais vontade.

— Isso não vai fazer mal para os bebés?! — Sussurrou o Rodrigo ao meu ouvido.

Quer dizer, ele sussurra no meu ouvido e acha que eu iria por ventura dizer : "- Sim vai fazer mal melhor parar!" ... só se estivesse louca!

— Não, claro que não! — Respondi.

Fizemos amor ali mesmo naquela mesa e em frente aos cavalos, ele fez-me gemer com vontade, as meninas não estavam mesmo em casa. Nunca pensei que gostasse tanto assim de sexo, mas deixei ele bem cansado.

O Rodrigo era um homem calmo em algumas coisas, mas agressivo noutras, com uma pegada dos Deuses!

Conseguimos sair um pouco da rotina nesse dia.

Com Quem Me Casei?! (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora