Casamento Relâmpago

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Capítulo 4

É isso mesmo, casei com o Rodrigo. Como isso foi possível?! Resposta: só precisávamos de um documento de identificação, ele tinha o Bilhete de Identidade e eu resolvi ir até ao meu carro pegar a minha carta de condução! Não sei como consegui pensar até aí se estava tão bêbada! ... Mas pronto, facto é que no final do dia acabei casada, mas com outro homem!... Isso só podia ter acontecido comigo!

Aquela cidade não dormia, tudo funcionava 24/24, no auge da bebedeira decidimos cometer a maior loucura das nossas vidas!
Saímos de lá mais tontos que outra coisa, fomos até a van e aí a loucura continuou!... Não sei o que tinha na cabeça nesse momento, mas facto é que eu tive ali mesmo a minha noite de núpcias, com um homem desconhecido.

No dia seguinte acordei com uma dor de cabeça horrível e vi que ele ainda estava ao meu lado, estávamos semi nus. Levantei e vesti a minha roupa o mais rápido possível, mas o barulho que fiz foi tanto que ele acabou por acordar.

— Bom dia.  — Disse envergonhada.

—Bom dia. — Respondeu Rodrigo sem jeito também.

— Ahm, eu preciso ir para casa agora. —  Disse enquanto tentava abrir a porta da Van.

— Tudo bem, mas deixa que eu te acompanhe até ao teu carro. — Disse o Rodrigo enquanto vestia a roupa.

Logo que abri a porta senti uma ventania absurda, estava um frio horrível e aí o cavalheiro Rodrigo ofereceu-me o seu casaco. Cheguei até ao meu carro tentei dar arranque ao motor e nada, o combustível estava zerinho zerinho!... Era só o que me faltava!

— Está tudo bem, precisas de ajuda?!  —Perguntou o Rodrigo que apreciava aquela situação toda.

—Ontem dirigi tanto que o combustível acabou e agora o carro não pega. — Respondi.  —Estava tão desnorteada que nem reparei. — Acrescentei.

—Eu levo-te sem problemas. —  Disse o Rodrigo.

—É bem distante daqui, não quero incomodar. — Disse meio cabisbaixa.

—Não faz mal eu te levo mesmo assim. —  Respondeu o Rodrigo sendo super gentil.

Saí do meu carro, fechei as portas e mais uma vez entrei naquela Van, só que dessa vez na parte da frente!
A princípio estávamos calados, mas eu não aguentei aquela situação, acabei por puxar um milhão de temas, o silêncio perturba-me, sempre fui muito faladora e o Rodrigo era visivelmente mais contido, de poucas palavras.

No meio de tanta conversa descobri que ele era dono de uma fazenda e que tinha vindo para a minha cidade só para fechar um negócio. Achei interessante o facto dele ser tão jovem e já tão empreendedor!                     
     
—A casa da minha mãe fica ao virar a esquina.  —Disse apontando em direcção a curva.

—Está bem. — Respondeu Rodrigo.

Quando chegamos, a recepção não foi das mais calorosas.

—Por onde andaste?!  —Perguntou a minha mãe que saía de dentro de casa.  —Todo mundo ficou preocupado, ninguém abandona um casamento assim filha!  —Acrescentou.

Ela nem se deu conta da gravidade da situação!... Não me admira que a minha irmã tenha se tornado numa sem noção 2.

Entrei em casa e fui pegar as minhas coisas que tinha deixado, a mala, o telemóvel, os documentos e o resto da dignidade que sobrou.

— Tu fizeste um escândalo desnecessário Bia! Aquilo não significou nada. — Disse a vaca da Laura sendo o que ela sempre foi "uma vaca sem noção"

—Cala a boca sua desgraçada. —  Disse quase sem forças.

— Tu fizeste uma cena como sempre! Para todo mundo dar-te razão, o papá ficou do teu lado, mas também não me admira... Ele sempre gostou mais de ti! ... Prova disso é aquela porcaria de negócio que ele abriu para ti. — Disse Laura demonstrando toda a sua inveja.

—Querias o quê?! Que ele te apoiasse?! Que ele te ajudasse a abrir um negócio?! ... Isso só poderia acontecer se ele fosse cafetão e decidisse abrir uma casa de prostitutas onde serias a atração principal! ... Tens jeito para a coisa. — Disse irritada enquanto abria a porta de casa para ir embora.

Ela decidiu seguir-me e continuou a destilar o seu veneno.

—Eu sou a prostituta e tu é que voltas toda amassada com outro homem! — Disse Laura.  —Quer saber?! Podes dizer o que quiseres mas foram os melhores seis meses da minha vida! ... O seu lindo noivo viajou, mas foi sobre o meu corpo, nem fomos tão distante assim, ele me comia quase todos os dias! E tu, burra, a espera de um homem que nem da cidade saiu! — Disse Laura com ar de deboche.

— Eu mato-te desgraçada! — Gritei enquanto pulava para cima dela para acabar com a raça da estúpida.

Começamos a discutir e mais uma vez o coitado do Rodrigo teve de entrar em cena, tentou separar-me daquela cadela vadia, mas estava complicado até para ele. A minha mãe e alguns dos nossos vizinhos tiveram que entrar para tentar nos separar, até que depois de tanta briga eles conseguiram. O Rodrigo tentava acalmar-me enquanto me segurava, mas aquela besta só queria mesmo apanhar.

—Achas que com esse estás segura?!... Daqui a nada ele também vai estar na minha cama! — Disse Laura querendo visivelmente apanhar mais.

— Ah!!! Sua cachorra desgraçada! Vagabunda!... Se tocares no Rodrigo eu te mato!  —Gritei enquanto tentava desesperadamente me soltar do Rodrigo.

—Vamos embora Bia! Não ouve, deixa isso para trás. —  Disse Rodrigo sereno.

—Rodrigo se ficares com essa vagabunda eu te mato! — Disse sem pensar.

O Rodrigo e eu éramos dois estranhos e lá estava eu a gritar para a minha irmã que a mataria se ela se  aproximasse dele!... Acho que enlouqueci mesmo!

—Eu te levo para onde quiseres, mas vamos sair daqui.  —Disse Rodrigo. Ele segurou as minhas coisas que estavam atiradas no chão e fomos embora logo a seguir.

—Aonde vamos?!  —Perguntou Rodrigo.

—Podes deixar-me em casa, a Ana deve estar desesperada, ela é mais minha irmã do que aquela besta. — Disse enquanto tentava segurar o choro.

Passados uns minutos chegamos na entrada do meu prédio e me despedi do Rodrigo. Ele deu-me um cartão para o caso de "precisar" dele.
Desci e ele deu arranque, foi nesse momento que me apercebi que tinha ficado com o casaco dele, tentei gritar, mas já era tarde demais.                              

Com Quem Me Casei?! (Concluída)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora