Os meses de passaram e tudo parecia melhorar.
A cada dia, Harry sentia menos vontade de se cortar e de voltar a amizade com "Ana" e "Mia".
Onde ele havia ido morar?
Depois que o juiz considerou que sua mãe era visivelmente incapaz de cuidar de seu filho caçula, fez o normal para situações assim: tentou fazer uma busca por parentes para que ele pudesse se abrigar, no mínimo, até completar a maioridade, porém somente Desmond foi encontrado e o mesmo recusou a guarda do próprio filho.
Ele não falava, mas tinha desgosto de toda a situação, e imediatamente disse não quando a proposta de ver todos os dias seu filho — que, em sua cabeça, era tão parecido com sua ex-mulher — veio à tona.
Portanto, Bobby Horan conseguiu a guarda do garoto cacheado com mais facilidade, e o fato de sua esposa ser psicóloga fez que com que a nova casa do menino fosse "segura" aos olhos dos assistentes sociais.
E claro que Harry ter amizade com os filhos do casal ajudou, pois uma família é isso: amor, afinidade e respeito.
Porém, acabaram "adotando" Louis Tomlinson de certa forma. Depois que as máscaras caíram e os garotos conheceram o moreno de olhos azuis em sua íntegra, todos se tornaram amigos.
A situação poderia ser estranha para muitos, aquele grupo tão deslocado e com tantos problemas e ex-desavenças, mas tudo entre eles funcionava bem, e um dos motivos para isso era Harry.
Com Harry, o ambiente se tornava mais leve e feliz, todos queriam o ajudar a esquecer o que houve e ter uma vida de verdade — e o cacheado estava agradecido por isso.
Mas haviam algumas coisas pendentes para fazer.
Depois dos tratamentos e consultas semanais para sua saúde mental e física, refletiu consigo e decidiu que precisava falar com o irmão e com a mãe. Claro que todo, a princípio, foram contra isso, mas o desejo era de Harry, e se ele sentia que precisava falar com o "irmão", então ele iria.
A cadeia era um lugar pesado, o clima daquele lugar era terrível e tudo parecia carregar tons depressivos e agressivos ao mesmo tempo.
Para entrar, tinham que passar por uma revista, e Harry ficou tenso, ainda não gostava que as pessoas tocassem em si mais do que um aperto de mãos ou abraços. Aquilo era necessário, ele sabia, só estava receoso.
Todos foram profissionais, e os guardas agiam como se a qualquer momento, alguém fosse tentar te matar.
Talvez fosse verdade.
Ele foi sozinho, não queria envolver mais ninguém naquilo, tinha que colocar os próprios pontos finais em sua vida e fazer as vírgulas.
O susto quando viu seu irmão mais velho foi imediato. Estava diferente, muito diferente.
O rosto agora possuía uma cicatriz na bochecha e vários hematomas, Harry também conseguia ouvir os outros presos gritando para George enquanto ele passava pelos corredores: "Gemmimha!!!", "Gemma!", "Olha a putinha passando!".
Aquilo era horrível, sentiu vontade de vomitar, era terrível demais, nunca desejaria aquilo que passou para alguém. NUNCA.
George estava amedrontado, cabisbaixo e bem tímido, e ele não era assim, abusos mudam as pessoas e Harry entendia isso.
Enquanto George sentava na cadeira a sua frente, sendo segurado por um guarda de maneira brusca, os olhos verdes se cruzaram e passou uma onda de arrependimento, tristeza e uma certa saudade.
Arrependimento por tudo, desde as falas maldosas até os estupros.
Tristeza por tudo o que houve, tanto com o que George fez quanto com o que estava acontecendo agora.
Saudade do que poderia ter sido uma vida diferente.
Agora ele sentia na pele o que o irmão passou, só que diferente de Harry, George não tinha a quem recorrer.
Não exigia nada e não reclamava mais, sabia que merecia.
Harry já achava o contrário, ele aprendeu que ninguém merecia aquilo, nem mesmo o irmão.
Silenciosamente o cacheado se aproxima daquilo que era a sombra do que um dia foi George, e o abraçou.
Lágrimas foram derramadas e milhões de pedidos de perdão da parte do mais velho.
Aquilo que passou não seria esquecido, Harry não iria passar um dia de sua vida sem que lembrasse da dor que era viver com o irmão, mas agora George entendia e não se esqueceria nem por um dia dos seus erros.
Ninguém é cem por cento bom ou mau.
Todos têm os dois lados dentro de si, prevalece o lado que você mais alimenta.
Eles não falaram nada.
Apenas o abraço longo.
As desculpas.
As lágrimas.
Então Harry foi embora.
Não estava satisfeito com aquilo que viu, estava chateado, porém nada poderia fazer a não ser orar e torcer pelo irmão.
Ninguém poderia ficar feliz com alguém sofrendo, por pior que tenha sido a pessoa, se não você vai apenas provar que nunca foi melhor que ela.
Agora Harry ia na igreja, também. Antes, se achava impuro para entrar na casa de Deus, porém a paz que sentia lá o fez perceber que todos eram bem-vindos ali.
Sua vida estava aos poucos mudando.
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Harry's Disorder
Fiksi Penggemar"- M-me desculpe... - Agora já é tarde. - Ele colocou a mão na coxa de Harry, que começou a chorar desesperado. Tudo que ele queria naquele momento era não existir. Se ele pensou em fugir? Ligar para a polícia? Claro. Mas quem acreditaria na palavra...
