David
É interessante a forma como os seres viventes podem ser manipulados por objetos.
Eu nasci num galpão abandonado. Meu pai é um traficante, e minha mãe é uma de suas mulheres. Diferente dos outros, meu pai tomou a mim como seu filho e herdeiro. Ele me ensinava como fazer seus "negócios" e obrigava seus capangas a me respeitarem.
Cresci brutalmente sendo testado e treinado para as situações que eu fui escolhido para enfrentar.
Quando matei uma pessoa pela primeira vez, eu tinha 8 anos. E nesse mesmo período, meu pai me fez agir como um deles. Eu deveria usar as drogas que eles usavam, me vestir como eles se vestiam, usar as mulheres que eles usavam, e entre outras coisas horríveis. Quando eu fiz 13 anos, meu pai teve câncer de pulmão. Assim que descobriu que tinha a doença, me reforçou o treinamento, e criou seu testamento colocando 90% de seus pertences para mim.
Quando fiz 14 anos, ele teve uma crise de ar e morreu. Fizemos o velório e voltamos aos negócios. Eu comecei a morar no galpão onde ele morava. Era um espaço pequeno, escuro, e empoeirado. Fiz algumas tatuagens pelo meu corpo, e bebi umas bebidas estranhas de lá.
Aos 15 anos, assumi os negócios. Durante esse tempo, matei muita gente, torturei muita gente, vendi drogas a muitas pessoas, abusei de muitas mulheres e principalmente... Criei algumas drogas.
Foi quando eu completei 16 anos, que começaram a suspeitar de nós e eu fui obrigado pela gangue a entrar no colégio.
Na minha turma, conheci apenas um amigo. O Trevor. Ele era estranho como eu, e principalmente louco. Mas ele nunca soube de nenhum dos meus negócios. Eu nunca contei pra ninguém de nada. Num dia normal, acordei e fui verificar como ia a produção.
- Ainda não confio em você. Adolescente mimado. -um de seus capangas o olhou com desprezo e lentamente, David virou a cabeça andando em direção ao mesmo.
- O que disse? -observou o medo nos olhos do capanga.
- Adolescente mimado. -repetiu tentando ser confiante.
- Adolescente vivo, você quis dizer. - puxou uma arma de uma mesa perto e atirou na testa do capanga.- Isso é o que acontece com incompetentes. -falou olhando para os funcionários assustados- Agora, ao trabalho. -o obedeceram.
Fui de moto até a escola e entrei na sala. Sentei na carteira ao lado do Trevor e comecei a observar a forma como seus olhos notavam alguma situação.
Trevor
Humanos incrédulos nascem apenas para esperar a morte.
Nasci numa família desestruturada. Nunca fui o tipo de criança que brinca com os pais nem nada desse tipo. Minha irmã mais velha nunca teve problemas comigo, porquê eu sempre fui muito na minha.
Sempre tive as melhores notas da turma, e o mínimo de amigos possível. Eu não estudava pra passar. Eu apenas jogava vídeo game o tempo todo.
Minha forma de ver o mundo sempre foi a mesma. E isso formulou de verdade meu caráter.
Eu fui o aluno gótico estranho da turma. Mas sinceramente, prefiro o termo "Swag". Claro, eu sempre usei roupas pretas e nunca fui muito de conversar. Mas isso não me torna gótico. Talvez estranho, mas gótico não.
Eu gosto muito de deixar em especial de que eu sou diferente dos outros.
Eu sou aquele tipo de pessoa que assim que tem oportunidade de aprontar, vai lá e dá o seu melhor. Claro, nunca tive problemas de castigo com isso por conta das minhas notas, meu dinheiro e meu bom comportamento. Mas, a direção e os professores me odiavam por eu não der punido por nada.
Quando eu tinha 5 anos, eu roubei o dinheiro do lanche da professora, mandei um menino pro médico porque ele tinha me xingado, e fiz uma guerra de comida na minha formatura do ABC.
Com 6, eu ajustei os pregos da cadeira do professor fazendo ele cair, e toquei o sinal de incêndio fazendo todo mundo ser liberado da aula.
Com 7, eu aprendi a jogar vídeo game e me tornei geek (fisurado por tecnologia). Assim, eu ajustei todas as notas das turmas para notas altas fazendo todo mundo passar, rakeei o computador da professora, e... Bom, a melhor parte. Comecei a fazer música.
Aos 8 anos, eu ganhei uma bicicleta. Fui até a casa da professora, e escondido, gravei ela e o professor juntos assim como vieram ao mundo. Postei isso na internet e ela foi demitida.
Quando fiz 9 anos, mudei de escola. Lá, minha mãe me fez perder todo o tempo que eu tinha pra aprontar na escola. Eu ainda não precisava estudar pra passar, mas eu fazia um monte de cursos. Cursos de espanhol e francês, aula de ballet, aula de violão/baixo/violino, e tentou me arranjar uma namorada. Obviamente, ela conseguiu me fazer aprender tudo isso dos cursos, mas não me arranjar uma namorada.
Quando fiz 12 anos, que terminei todos esses cursos, ela me colocou em mais cursos de mais coisas. Comecei a fazer piano, aprender alemão e latim, e fazer ginástica. Assim, como a quantidade de cursos diminuiu, eu consegui um tempo para sair. Eu saía pela cidade e pichava tudo o que eu podia.
Foi aos 14 que eu terminei mais esses cursos. Nesse ponto, eu já tinha aprendido 4 línguas fluentemente fora a minha. Já tocava violão, guitarra, baixo, violino e piano. Já tinha feito ballet e ginástica. E não, eu ainda não tinha uma namorada.
Comecei a jogar basquete e fazer parkour, aprendi a falar hebraico, e mudei meu visual.
Nessa mesma época, entrei no ensino médio. Eu era o menino popularzinho de quem pelo menos mais da metade do colégio queria amizade ou algo mais. Eu tinha um ótimo físico pra qualquer coisa, era poliglota, era ótimo com música, continuava com as maiores notas da turma, mas mesmo assim tinha meu lado escuro.
E então, com 15 anos, eu fiz meu primeiro amigo. O David. Ele era estranho e misterioso, e eu gostava disso. Eu apenas rejeitei toda e qualquer tipo de amizade que viam me oferecer, menos a dele.
Um dia, decidi entrar pro rumo da música. Era meu sonho. Então quando contei pro meu pai, ele não reagiu muito bem. Ele me expulsou de casa e me fez ir morar com minha irmã mais velha.
Minha irmã mais velha quase nunca estava em casa. Ela vivia na casa do namorado. Então eu passei a morar "sozinho".
Como qualquer dia normal, eu saí cedo para vender meus CD's antes da escola começar. Lucrei mais do que imaginei. E então, fui pra aula. Mas eu estava com uma sensação estranha... Eu sentia que algo iria acontecer. E quando David chegou, ele notou isso.
- Também está sentindo isso? -Perguntou Trevor.
- "Isso" oque? -respondeu sua pergunta usando outra pergunta curioso.
- Essa sensação... Algo vai acontecer. Eu tô sentindo. -David riu desse comentário de Trevor.
- Tá, o mundo vai acabar. Porque não me avisou antes? -riu irônico e debochando.
- Acredite se quiser. -falou e em seguida bufou antes do sinal para começar as aulas tocar.
Aaron
Para que a sociedade melhore, o mundo deve ser destruído.
Nasci numa ótima família. Meu pai e minha mãe me amam muito, e eu também os amo da mesma forma.
Eu sou o tipo de menino nerd que mesmo que ninguém goste, todo mundo conhece. Bom, meu pai é um dos cientistas mais famosos do mundo. Então acho que é esse meu estilo.
Entrei no colégio cedo, porém eu já sabia da maioria das coisas que eles perguntavam. Então eu acabei pulando alguns anos. Com 8 anos eu já tava no 7° ano.
Eu passava muito tempo com meu pai no trabalho. Queria ser como ele, um dos melhores cientistas do mundo. Eu sempre gostei muito de aprender sobre tudo relacionado a ciência.
Claro, sofri bullying e tudo, mas isso não tirou minha determinação.
Agora, estou no 3° ano do ensino médio. É meu último ano aqui, e logo-logo pretendo viajar o mundo.
Esses meses meu pai estava muito focado no trabalho, e eu tentava o seguir de todas as formas.
Hoje, eu acordei cedo e implorei pra não ir para a escola e ir pro trabalho com meu pai. Após muito insistir, ele cedeu.
Me arrumei com uma roupa de cientista que eu tinha, e fomos. Chegando lá, eu quase não tive tempo de ficar com ele. Então ele me pediu para que eu ficasse no escritório. E fiquei lá assistindo Tv e mexendo em alguns kits de experiência.
Alguns minutos depois, meu pai entra no escritório.
- Filho, eu vou testar uma coisa muito legal hoje. Mas antes, preciso sair, ok? -o pai falou apressado.
- Certo, posso ir com você? -perguntou curioso para saber onde ele ia.
- Infelizmente não, filho. Mas eu não demoro -falou e saiu do escritório.
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PILLS
Ficção CientíficaSeriam pílulas capazes de mudar o mundo? Dormiria eu em lençóis de falso algodão enquanto assistia o mundo mudar da forma errada? Talvez tenha sido esse meu destino. Mas porque eu? O que tenho eu de diferente? Eu sou mesmo quem eu achei que era?
