Asimov e hamburguer

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- Não falo mais até comer!
- Você acha que vai ter serviço de quarto?
- Tenente, acho que deveríamos...
- Connor!

Caminhamos até um bar próximo ao distrito. Enquanto caminhávamos dava para ver toda a destruição da noite anterior. Vitrines quebradas, carros queimados. Alguns andróides destruídos.
Um verdadeiro cenário de guerra.
Chegamos ao bar. Poucos clientes sentados no local.
- Não é permitido a entrada de andróides!
O dono do local disse, com cara de poucos amigos.
- Esta comigo, Jack.
- Humf! - O ainda mal humorado proprietário do local que nos da as costas.

O lugar estava desarrumado, mas estava atendendo. Os poucos clientes estavam com a expressão cansada, alguns, desolados.

- Entendam, não é apenas uma obra de ficção. - Eu entre uma mordida e outra. - A obra foi inspiração para a programação do código base do programa de inteligência artificial da Ciberlife.
Connor processava a informação de maneira incessante.
- Como você sabe dessas coisas? - Anderson, que tomava uma cerveja as 8 da manhã.
- Bom, eu pesquisei o código do programa e encontrei os princípios de Asimov.
- Como você teve acesso ao código? São de acesso restrito aos programadores da Ciberlife? - Connor ainda atento, com o led amarelo.
- Não gostaria de falar sobre isso aqui. É importante.
- Termina logo e voltamos para a delegacia. Hey Jack, traz mais uma gelada!

Já na delegacia, observo a movimentação. Todos estão bastante agitados e nervosos.
Nos sentamos em uma mesa. Eu puxo do meu pescoço um cordão. O objeto pendurado e um mini disco.
- Gostaria de poder acessar um terminal, assim poderia demonstrar ao invés de tentar explicar somente.

Sai de uma sala no centro do distrito um senhor com aparência nervosa.
- Hank! Na minha sala, agora!
O tenente se levanta e começa a caminhar na direção da sala.
- Ai, não fode... Connor, fica com a encrenqueira aí, já volto.
O androide me observa com olhar curioso.
- Pode usar esse terminal aqui. - me aponta uma mesa vazia.
Me sento em frente ao terminal e insiro o pequeno disco na entrada.
- Vou entrar na minha VPN assim trabalho sem ser rastreada... - murmuro em retórica.
Connor está atrás de mim observando. Logo a tela se ilumina e mostra o login de acesso, com os dizeres:

" Bem vinda RA9, favor digite a senha"

Posso sentir o frio?Onde histórias criam vida. Descubra agora