Lembranças

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De volta a Solaire, Valentin estava decidido. Agora era hora de tomar coragem e finalizar alguns detalhes antes de fazer o que tinha que ser feito e comunicar sua decisão ao rei. Até então, já se despendido da garota, dedicava horas com Eveline. Juntos esqueciam-se do tempo, tocavam as pontas dos dedos e ele a envolvia com histórias de guerra e experiências que havia vivido durante suas viagens. Quando ela encostava a cabeça nos seus braços e gargalhava, o riso bobo de uma criança inocente fazia que Valentin se desligasse dos pensamentos ruins. Diferente do que Eveline de fato desejava, a menina despertava um afeto paternal em nele, algo que ele apreciava, mas cujo encanto ela indelicadamente quebrava quando fazia perguntas sobre o amor dos dois.

Quando voltava à realidade, Valentin queria organizar as ideias. Naquele dia, não havia nenhuma nova missão ou qualquer outra tarefa que não fosse acompanhar Eirian para todos os lados e cuidar do príncipe. Finalmente, podia tomar as rédeas da mente e retirar-se para o carvalho que tanto apreciava na floresta.

Foi para biblioteca, selecionou dois livros que pareciam fáceis, nada muito velho nem grande demais. Esperava achar histórias simples que conseguisse ler sem engasgos. Colocou-os debaixo do braço e seguiu pelos corredores do castelo, onde teve a desgraça de trombar com Koldo, que lhe tirou o sossego, acompanhando-o até o portão da cidade.

─ Trocando a espada por livros? – ironizou o soldado.

─ Não enche.

─ Dizem que o príncipe é estudado, isso tem te deixado mole, pelo visto. Livros não foram feitos para homens como nós. Você já não sabe mais seus deveres, Valentin.

─ Os deveres que você gostaria de ter?

─ Somente falo do que mereço.

─ Se continuar falando merda vai merecer outra coisa.

─ Como você me dá medo, veja, estou borrado. Agora vá, deixe o príncipe sozinho.

─ Está me vigiando?

─ Não, mas talvez nos dois estejamos indo para o mesmo lugar. E você não está cuidando do príncipe, isso é um problema. Ou acha normal?

─ Koldo, VÁ SE DANAR!

O guerreiro deu as costas para o rival e, montando em Brutus, sumiu entre as árvores da floresta que cercava Solaire. Questionava-se, caso o concorrente não fosse tão insuportável, se podia ser um aliado, alguém a quem pudesse passar seu cargo de bom grado. Agir como um idiota a todo momento só tornava as coisas mais difíceis, afinal, o orgulho não tornava fácil entregar seu posto para alguém como ele. Precisava arrumar um substituto. Pensaria nisso antes de falar com o rei.

O carvalho estava imaculado, como sempre. As águas do lago estavam calmas e claras. Sentou-se, encostou-se na árvore, ajeitou os ombros e abriu o primeiro livro.

─ Er... era um- uma vez... Por que tem que ser tão difícil? ─ "Se Eirian estivesse aqui com certeza me ajudaria... Esquece o Eirian Valentin, por favor!" ─ Era uma vez, nu... num... num.

Ergueu os olhos e encarou o lago à frente. Lembrou-se de quando o príncipe o desafiava a acertar quantas flechas lançasse sobre o alvo improvisado, num escudo velho de madeira. Bufou, voltou os olhos para o livro.

─Era uma vez num rei... no, ─ Lembrou-se do modo como Eirian brotava sobre seuombro e o ajudava a desembuchar as combinações silábicas que o travavam, ─ MERDA!

 no, ─ Lembrou-se do modo como Eirian brotava sobre seuombro e o ajudava a desembuchar as combinações silábicas que o travavam, ─ MERDA!

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Malakoi Desviado - *DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora