📚 Prólogo 📚
Caminhava em passos lentos pelos corredores extensos da biblioteca, ladeado por prateleiras abarrotadas de livros. Meus olhos percorriam cada lombada com atenção quase religiosa. Naquele dia, buscava por um título específico — um que eu ansiava ter em mãos desde que fora levado por aquele hyung por quem eu era, secretamente, perdidamente apaixonado desde meu primeiro dia nesta escola, há dois anos.
Nunca fui bom em me comunicar. Conversar, debater, fazer amigos... tudo isso sempre pareceu um desafio intransponível desde que entrei no ensino médio.
Assim que fui transferido, encontrei na biblioteca um refúgio. Era no prédio dos veteranos, onde o silêncio reinava. Ali, podia evitar as pessoas — e, com sorte, ser esquecido por elas. A cada dia, mergulhava mais nesse isolamento, até me tornar, aos olhos dos colegas, alguém frio, antipático. Mas, na verdade, era medo. Medo do que fariam comigo se descobrissem que eu gostava de garotos de uma forma que ninguém esperava — ou aceitava.
A ansiedade tomava conta de mim toda vez que alguém me dirigia a palavra. A vergonha, os pensamentos distorcidos, o pânico... tudo me afastava daquilo que eu sempre desejei: companhia, amizade... e, quem sabe, um amor.
A biblioteca era o único lugar onde eu conseguia respirar. Amava seu silêncio contínuo, o cheiro das prateleiras de madeira antiga, e cada livro que ali repousava. Mas passei a amá-la ainda mais quando o vi pela primeira vez — sentado a uma das mesas, cercado por pilhas de livros, completamente absorto em sua leitura.
Ele era lindo. Nenhuma descrição faria justiça à sua beleza. Fiquei minutos apenas o admirando, imerso na profundidade de seus olhos redondos e escuros como a noite. Até que ele começou a se remexer, desconfortável, como se procurasse algo. Seus olhos enfim encontraram os meus — e naquele instante, tudo ao redor pareceu parar.
Eu congelei. A vergonha me ensurdecia, mas não consegui — ou não quis — desviar o olhar. Havia algo de mágico naquela troca silenciosa. Algo que me prendeu no tempo.
Uma brisa suave atravessou as janelas, fazendo seus cabelos se moverem com leveza. Sua franja longa cobriu seus olhos, e por mais adorável que fosse, desejei que sumisse — só para que eu pudesse vê-los novamente. Seus olhos, seu nariz, sua boca pequena, os lábios finos... Queria que ele notasse minha presença. Que soubesse que eu estaria ali no dia seguinte.
Mas, no fundo, eu sabia: tudo aquilo não passara de uma coincidência. Eu não era importante. Ele, sim — era absurdamente bonito. E eu? Apenas um garoto baixinho, de cabelos castanhos escuros e bagunçados, olhos pequenos e bochechas gordas demais. Provavelmente me tornei invisível no momento em que nossos olhares se cruzaram.
Dois anos se passaram, e ele sequer percebeu o quanto me tornei obcecado por tudo que o envolvia. Pequenos detalhes sobre ele me alimentaram por muito tempo. Mas agora, eu queria mais. Queria que esse sentimento que me corroía deixasse de ser apenas um peso — queria libertá-lo.
E foi aí que aconteceu.
— Oh, você também ia pegar esse livro?
Aquela voz... seria mesmo ele?
— J-Jungkook seonbae... — minha voz saiu fraca, como o miado de um gato assustado.
Seu semblante sereno à minha frente me paralisou. Ele estava tão perto que pude sentir seu perfume cítrico, suave e envolvente, tomando conta de mim.
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Adorable
Fanfiction❥ jikook HIStory | dramalove • Ao ser contratado pela editora nacional Mono, Park Jimin, um editor literário de grandes habilidades e formação profissional invejável é pego de surpresa quando em seu primeiro dia de trabalho descobre que foi designad...
