Eu tento me encaixar.
Eu queria ser rebelde, tipo esses caras que chegaram na escola. Queria não me importar com nada, abaixar mais a guarda, mas nunca consigo. Minhas correntes não deixam eu me afastar muito.
A verdade é que não dá pra fugir de si mesmo. A gente pode até mudar algumas atitudes ao longo do tempo, mas nossa essência vai sempre estar conservada.
Quanto mais você se importa, mais você tem a perder. Quanto mais você se importa, mais você tem a perder.
Quanto mais você se importa, mais você tem a perder.
A caminho da escola eu fico repetindo isso na minha cabeça como um mantra. Eu quero muito parar de me importar, mas não consigo porque faz parte de mim.
Os livros de auto-ajuda diriam que eu sou um ótimo ser humano porque em tempos tão superficiais eu me importo com os que estão ao meu redor, que isso é uma qualidade admirável e blá blá blá... Mas eu não me sinto assim por me importar, eu só me sinto cada vez mais vazio por considerar tanto pessoas que estão nem aí pra mim.
Na entrada da escola vejo Alberth parado. Me aproximo dele que fala:
- Oi, Miles! Vamos dar uma volta! - passa o braço por meu ombro e me leva para o estacionamento da escola.
- O que você quer? - falo quando ele me solta.
- Conversar. - ele se senta no capô de um carro vermelho, de braços cruzados.
- Sobre?
- Aquela garota que tava com você naquele dia.
- A Maddie? O que você quer com ela?
- Ela é muito gata. Fiquei interessado.
- Ela tem namorado, meu anjo.
- Ah, mas não tem problema. - ele sorri de lado. - E você tem namorada?
- Sou gay.
E já prevejo humilhação desse marginal homofóbico.
- Vou te apresentar meu amigo Tyler depois.
Ok. Vou parar de julgar as pessoas sem conhecer. Pelo jeito ele não tem nada contra os homosexuais. Ufa. Agora vamos ser melhores amigos.
- Você fuma? - disse ele tirando dois cigarros do bolso da jaqueta.
Seria essa minha oportunidade de ser rebelde?
- Acho que você não deveria fazer isso na escola. - falei.
Ele revirou os olhos.
- Não estamos na escola, estamos no estacionamento.
- Que é parte da escola. - ele respirou fundo.
- Toma logo essa porra de cigarro e cala a boca. - depois de um tempo ele acrescentou: - Não quero ir para a escola, só quero quebrar as regras.
Eu fumei uma vez, quando tinha 14 anos. Lembro de ter tossido pra caralho. Espero que isso não aconteça dessa vez.
Acendi meu cigarro no dele e fumei. Não tossi uma vez se quer. Isso é um sinal.
- Droga... - ele disse de repente.
- O que foi?
- VOCÊS AÍ! - ouvi uma voz gritando atrás de nós. - É PROIBIDO FUMAR NA ESCOLA!
Me virei e vi o diretor vindo em nossa direção.
- Caralho. Fodeu, o diretor... - falei.
Alberth pegou no meu pulso e me puxou.
- CORRE! - gritou ele e saimos em disparada.
Corri o mais rápido que um sedentário pode correr. O sangue pulsava em meus ouvidos.
Paramos na quadra de basquete quando, finalmente, conseguimos despistar o diretor.
- Tô ferrado. - falei.
- Que nada. - ele respondeu já acendendo um novo cigarro.
Fiquei impressionado com a resistência dos pulmões dele.
- E a sua amiga? - disse ele.
- Acho que fumantes não fazem o tipo dela.
- Isso nós vamos ver.
O sinal bateu e fomos para a sala de aula. Antes ele jogou o cigarro fora, no chão da quadra mesmo.
Quando saímos da quadra e entramos no corredor demos logo de cara com o diretor.
- Pra minha sala. Os dois. Agora.
Fodeu!
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Eu Sou Seu #2 [✓]
Teen Fiction[É necessário ler Ele Não É Meu primeiro] A pessoa que amamos é a mais indicada para destruir nosso coração. Miles constatou isso após seu fatídico e breve romance com Scotty, que o fez desligar o coração para novos relacionamentos afetivos. Miles e...
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