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Acordei meio grogue em um quarto desconhecido com uma pessoa mais que conhecida ao meu lado: Scotty.

Okay. Tentei não cair da cama com o susto que levei ao vê-lo ali ao meu lado, só de cueca e ao me ver também da mesma forma.

Me levantei com calma e procurei meu celular. O encontrei jogado no chão e com a tela trincada. Ótimo, minha mãe vai adorar saber que quebrei o celular novo.

Levei um susto maior ainda ao ver que haviam algumas mensagens de Tyler.

foolpotato: Acho que não devemos ficar separados se nos amamos tanto.

foolpotato: Acho que deveríamos recomeçar.

Me joguei na cama e abri o maior sorriso ao ler. Muito iludido, eu sei. Mas é que eu realmente amo ele.

Respondi na hora, dizendo que deveríamos nos encontrar para conversar melhor. Que o dia e o local ele decidiria.

- Bom dia.

Olhei para o lado e Scotty estava me encarando, com um sorriso.

Outra coisa que preciso resolver agora: o que aconteceu exatamente aqui ontem a noite.

- Bom dia.

- Eu sei o que você está pensando e não. Nós não transamos.

Respirei mais aliviado e ele percebeu isso.

- Nossa - disse sorrindo. - Seria tão ruim assim se nós tivessemos transado?

- Não. Quer dizer... - sorri nervoso. - É que eu tô tentando resolver as coisas com o Tyler e transar com você não me ajudaria em nada. Com certeza não.

- Eu ouvi a conversa de vocês ontem. Desculpa por ter bisbilhotado.

Eu não lembrava dessa fulana conversa até ele mencionar. E não lembrava que beber a noite toda causava dor de cabeça pela manhã também.

- Tudo bem. Afinal, era uma festa, qualquer um poderia ter ouvido. Que bom que foi você e não outra pessoa.

- Que bom que fui eu? Por quê?

- Primeiro vamos dar um jeito na minha cabeça que começou a doer com tudo agora, depois falamos sobre isso, okay?

Uma hora depois, de banho tomado, roupas vestidas e com um comprimido agindo no meu organismo para controlar minha puta ressaca, lá estava Scotty e eu frente a frente na sala do apartamento de Sussane.

- Então, como você está se sentindo? - ele perguntou. - Melhor?

- Acho que sim.

Ele meneou com a cabeça, depois sorriu.

- Nunca te vi beber tanto. Ou melhor, nunca te vi bebendo.

Eu sorri também.

- É que depois daqueles tapas com palavras que o Tyler me deu, eu não ia sobreviver muito tempo sóbrio.

- Vocês tem que conversar.

- Já estamos organizando isso.

Peguei o celular e balancei pra ele.

- Nossa. Que rápido. Você passou um tempão pra poder falar comigo sobre nós.

- Scotty, vamos esquecer isso e focar só na parte em que finalmente viramos amigos, okay?

- Okay. - ele deu um sorriso contido.

- Não adianta ficar remoendo as coisas do passado. Afinal, não tem mais volta mesmo.

- Você tem razão.

- O negócio é recomeçar.

Passamos um tempo em silêncio. Mas não aquele tipo de silêncio desconfortável e constrangedor.

- E você tá tão... Sóbrio... E não me refiro à bebida alcoólica.

Ele riu em resposta, mas entendeu exatamente o que eu quis dizer.

Ele está mais leve de espírito. Dá para sentir isso. Como se ele estivesse se libertado de uma coisa maior que pairava sobre ele.

- Onde a Sussane tá? - perguntei.

- Ainda rastejando atrás do tal Chrys.

Isso é uma coisa que nunca pensei que veria: Sussane pedindo, ou melhor, implorando atenção de um cara. E olha que esse cara não tem nada haver com os caras que ela costumava ficar.

***

Cheguei em casa e vi que minha mãe estava mais dormindo que acordada na frente da TV, com os pés apoiados na mesa de centro da sala, que ficava em frente ao sofá.

Tranquei a porta com cuidado pra que e subi na ponta dos pés para o meu quarto para que ela não me ouvisse.

Quando cheguei ao meu quarto, me joguei de costas na minha cama e peguei meu celular.

Uma mensagem do Tyler:

foolpotato: Ah, eu não estava pensando muito bem quando escrevi essa mensagem.

foolpotato: Desconsidera aí, eu estava chapado.

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Eu Sou Seu #2 [✓]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora