Larry

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Cheguei na sala de aula e a professora me mandou para sala da diretora, novamente iria para lá. A senhora Elena tinha o dom de tornar qualquer situação dez vezes pior do que era. "Disciplina e foco são qualidades essenciais para uma jovem promissora", ela sempre dizia, mas parecia mais interessada em mostrar autoridade do que ajudar de fato.

- Você é irmã do Miguel? - disse ela olhando no fundo dos meus olhos como uma bruxa.

- Sim sou.

- Percebo que será problemática igual ele.

Enquanto caminhava pelo corredor, minha cabeça fervilhava com o sermão. "Promissora? Tá bom, só se for pra protagonizar pesadelos."

Minha manhã inteira estava arruinada. Mas era hora do almoço, e pelo menos isso significava que eu poderia encontrar as meninas e respirar um pouco.

No Refeitório

No refeitório, Larry, Laura e Carol estavam sentadas em uma mesa no canto, rindo de algo. Assim que me aproximei, Larry acenou para mim com entusiasmo.

- Mika! Pensei que tivesse fugido da escola depois de tanto tempo na diretoria! - provocou Larry, com seu tom usual de brincadeira.

- Quem dera. Só consegui sair viva porque ela tinha outra vítima para atormentar - respondi, me jogando na cadeira.

Antes que eu pudesse continuar reclamando, Larry apontou para uma mesa do outro lado do refeitório.

- Vou mostrar o Henrique para vocês. - disse ela com um sorriso no rosto.

Segui seu olhar e vi dois garotos. Um deles, um era o Nicholas, estava encostado na cadeira com um sorriso fácil enquanto mexia no celular. Ao lado dele, um outro garoto com olhar totalmente confiante, de jaqueta vermelha, olhava ao redor como se fosse dono do lugar.

- Tá, e o que tem? - perguntei.

- O de jaqueta vermelha é o Henrique, o Nicholas é amigo dele.

Carol riu e falou:

- Acho que o Henrique te interessaria, Mika. Ele tem esse jeitão charmoso de bad boy que você parece gostar.

- Ah, tá bom, Carol. Só de olhar pra ele já sei que deve ser problema, ele e o Nicholas jamais me envolveria com nenhum dos dois.

- Eu não tô interessada nele! - Larry interrompeu, sorrindo de forma travessa. - Mas acho que ele sempre foi afim de mim.

- Então por que não vai lá falar com ele? - perguntei.

Larry jogou o cabelo para trás e deu de ombros.
- Porque ele vai ter que trabalhar um pouco pra me conquistar. Mas, já que você tá com essa cara de quem precisa de uma missão pra animar o dia, que tal ir lá e dizer que eu tô interessada?

Suspirei. Eu sempre estou sendo o cupido ou a mensageira. Levantei e fui até a mesa.

Cheguei perto, e Henrique foi o primeiro a notar. Ele inclinou a cabeça, sorrindo de forma calculada.
- E aí, gostosa? Precisa de algo?

- Na verdade, minha amiga Larry acha que você pode ser interessante - respondi, sem rodeios.

Ele riu, cruzando os braços.
- Interessante, é? A Larry minha colega de infância?

Apontei discretamente para ela. Larry, fingindo não nos observar, mexia no celular.

- Justamente ela mesmo. Fala pra ela que eu topo um encontro hoje à noite, podemos ir no jardim de frente a escola, tem bancos por lá.

Nicholas, que até então estava calado, finalmente falou:

- Mikaele, certo?

- Sim.

- Bom, se quiser companhia pra um encontro também, não hesite em me chamar.

Fiquei sem saber o que responder, então apenas sorri e voltei para Larry.

*O Encontro de Larry e Henrique*

POV Larry

O Henrique já deve está chegando aqui, não sei ao certo se quero me encontrar com ele apenas para provocar meu pai, já que ele nunca gostou do Henrique sempre achou uma má companhia. Ele chegou perto de mim com uma rosa vermelha e me entregou, não sabia do lado romântico dele.

- Trouxe uma flor. Não sabia o que você gostava, então peguei uma tradicional.

Eu peguei a flor sorrindo.

- Você tá tentando me impressionar ou é sempre assim?

- Depende da companhia - respondeu ele, piscando.

Caminhamos pela praça, conversando sobre música, filmes e aventuras passadas. Henrique sabia como contar histórias, sempre exagerando os detalhes de forma cativante. Eu ria de tudo, mas também mantinha minha postura firme.

- Você parece o tipo de cara que quebra corações - eu disse, encarando-o.

- Só se for sem querer. Mas quem sabe o seu seja diferente? - Ele segurou minha mão por um momento, e sentir um calor subir pelo rosto.

- Não vou deixar que brinque com meu coração, sou rebelde e marenta se fizer algo comigo não vai ficar barato.

- Jamais faria isso.

Ele olhou nos meus olhos, me puxou e beijou.

**Uma Semana Depois**

Pov Mikaele

Durante aquela semana, Henrique e Larry estavam sempre juntos. Ele a buscava após as aulas e a surpreendia com pequenas demonstrações de charme. Embora parecesse perfeito, eu não conseguia confiar nele completamente.

Nicholas também continuava tentando se aproximar de mim. Ele era confiante e direto, mas ainda não sabia bem como me sentia em relação a ele, como disse parece que é problemático mas me sinto atraída por ele.

No final daquela semana, fui até a sala de descanso para pegar meus livros. Henrique apareceu do nada, encostando-se na porta.

- Você anda muito séria, Mika. Relaxe um pouco.

- O que você quer, Henrique?

Ele se aproximou mais do que deveria, e antes que eu pudesse reagir, me beijou. Fiquei chocada e o empurrei.

- Qual é o seu problema? Você tá com a Larry!

- Relaxa. Ela é legal, mas você... você tem algo diferente.

Antes que eu pudesse gritar, a porta se abriu. Larry estava ali, com os olhos arregalados de raiva e mágoa.

- O que ta acontecendo aqui? - ela disse, com a voz falhando.

- Larry, não é o que parece! - tentei explicar.

- Não fala comigo! Eu confiei em você, Mikaele!

Ela se virou para o Henrique deu tapa na cara dele e não disse nada, saiu correndo, e eu sabia que tinha perdido sua confiança. Ele nem tentou se explicar, apenas ficou imóvel.

- Eu estou bêbado Mikaele, por isso te beijei, tenho interesse em você. Mas não quero perder a Larry.

- Seu idiota, Larry era minha amiga, você estragou com nossa amizade. Tenho nojo de você.

Olhei para ele com olhar de desprezo. E sai da sala.

Mais tarde, fui até meu irmão, Miguel, que tocava sua bateria na sala de música. Ele parou ao me ver e percebeu que algo estava errado.

- O que aconteceu?

Contei tudo, chorando. Ele suspirou e me abraçou.

- Larry tem razão de estar brava, mas se você foi honesta, ela vai perceber isso com o tempo. Quanto a esse o Henrique...ele sempre foi dessa forma, esse cara não tem jeito, o melhor para sua amiga é cortar laços com ele.

- E se ela nunca me perdoar?

- Você não pode controlar como os outros se sentem, Mika. Mas pode controlar como reage. Seja paciente. O culpado dessa história é o Henrique, não você.

Suas palavras ficaram comigo enquanto eu tentava lidar com o peso da situação.

Quem sabe...amigas?Onde histórias criam vida. Descubra agora