Ele me chamou para sair. Confesso que fiquei irritada, porque ontem eu o convidei e ele não quis, mas resolvi deixar isso de lado. Olhei para ele e perguntei:
— Amanhã, que horas?
— Às 19h, pode ser?
— Tá bom. Você tem carro?
— Não, vamos de ônibus.
Arqueei a sobrancelha, surpresa.
— Você só pode estar brincando, né?
Ele sorriu, meio provocador.
— Por que, princesa? Prefere ir de carruagem?
— Claro que não. Mas assim... deixa pra outro dia, talvez.
Ele riu e balançou a cabeça.
— Tô brincando. Vamos a pé, vai ser mais romântico.
Não consegui evitar um sorriso.
— Tá bom, então.
Voltei para o meu quarto, e a Carol logo percebeu minha expressão animada.
— O que aconteceu? — ela perguntou, curiosa.
— O príncipe encantado me chamou para sair.
Ela soltou uma risada.
— Bateu a cabeça? Príncipe encantado não existe. Mas me diz, é o da Branca de Neve ou o da Cinderela?
— É o meu príncipe.
Passei a noite imaginando o encontro. Mal podia esperar! Só tinha uma certeza: eu não queria perder minha sapatilha de cristal nem comer a maçã da bruxa.
---
Acordei às 7h30 com uma energia diferente. Não sentia fome, mas sabia que precisava ir para a sala de aula porque tinha prova. Depois do banho, pensei em mudar meu visual. Experimentei uma saia longa, uma blusa florida e prendi o cabelo. Completei com meus óculos, mas me olhei no espelho e desisti.
— Não, assim eu pareço uma tonta — murmurei para mim mesma.
Troquei para uma saia curta, um cinto de spikes e uma blusa de caveira. Agora sim, era eu mesma.
---
Depois de uma manhã de prova e um almoço tranquilo, a tarde passou voando. Quando deu 17h, comecei a me arrumar. Pedi para a Larry escovar meu cabelo. Fiquei pensando no restaurante chique e na falta de roupas adequadas, mas vasculhando o guarda-roupa, encontrei um vestido preto curto, com borboletas coloridas. Nunca o tinha usado antes.
Passei uma maquiagem leve, porque não sou fã de nada exagerado, e escolhi uma sapatilha preta com laço. Às 18h55, ouvi batidas na porta. Fui atender e lá estava ele.
— A carruagem está à sua espera, princesa — ele disse, brincando.
Ele estava impecável, de terno preto, gravata vermelha e cabelo arrumado com gel.
— Vamos? — respondi, tentando esconder minha timidez.
---
Chegamos ao restaurante em um táxi. Eu nunca tinha ido a um lugar tão elegante e estava nervosa. Sentamos e olhamos o cardápio. Tinha pratos exóticos, como lagosta e frutos do mar. Ele pediu filé, queijo coalho com mel e outros acompanhamentos. Parecia faminto. Escolhi camarão com cogumelos frescos, aspargos e feijoada de frutos do mar.
Enquanto esperávamos, ele respirou fundo e começou:
— Mikaele, sei que essa noite era para ser só divertida, mas preciso falar o que sinto. Pode parecer estranho, mas... eu te amo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Quem sabe...amigas?
Teen FictionMikaele, ou Mika, está prestes a embarcar em uma grande mudança: uma nova escola, um internato, e a difícil tarefa de deixar suas antigas amigas para trás. Aos 15 anos, ela se junta ao colégio onde seu irmão Miguel já estuda. Mas essa não é uma simp...
