Quem sabe...Larry se anima?

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Quando entrei no quarto, encontrei a Larry encolhida em sua cama, tremendo de tanto chorar. O som dos soluços era cortante, e ver minha amiga naquele estado me deixou imediatamente preocupada. 

Aproximei-me devagar, sentando ao lado dela. Coloquei minha mão em seu ombro e falei com delicadeza: 

— Amiga, o que aconteceu? 

Ela hesitou por um momento, tentando disfarçar. 

— Nada, amiga. Tá tudo bem. — Sua voz era trêmula, mas eu sabia que ela estava mentindo. 

— Larry, por favor, fala comigo. O que está acontecendo? — Insisti, num tom firme, mas ainda gentil. 

Ela respirou fundo, pegou a toalha com estampa de Coca-Cola que estava ao lado, limpou o rosto cheio de lágrimas e finalmente disse: 

— Tá bom, eu vou desabafar com vocês... — Sua voz quebrou no meio da frase. Ela fez uma pausa antes de continuar. — Ele... ele me jogou em um cacto quando eu era criança. E... ele traiu a minha mãe. 

Eu fiquei completamente chocada. Era como se o mundo tivesse parado por um instante. Não sabia o que dizer. Aquilo era mais do que qualquer pessoa deveria suportar. Foi a Carol quem quebrou o silêncio: 

— Larry, você precisa perdoar seu pai. — Disse Carol, sua voz carregada de calma e sabedoria. — Eu sei que o que ele fez foi terrível. Eu entendo. Mas ele veio até aqui, querendo se reaproximar. Ele ainda é seu pai, e o perdão não é pra ele, é pra você. Se você guardar essa mágoa, vai te consumir. 

Larry olhou para ela, surpresa, mas não respondeu. Carol continuou, com os olhos marejados: 

— Minha vó nunca gostou do meu pai porque ele era negro. E por isso, ela também não gostava de mim. Ela me excluía, me tratava diferente. Eu chorava muito. Mas, sabe, eu escolhi perdoá-la. Foi difícil, muito difícil, mas necessário. 

Eu engoli em seco. A história de Carol era devastadora e, ao mesmo tempo, inspiradora. Ela tinha passado por tanto e, ainda assim, tinha força para perdoar. 

Antes que alguém pudesse dizer algo, Laura, sempre direta, falou com firmeza: 

— Olha, na boa, se eu fosse a Larry, não perdoaria e muito menos iria para Paris. Ele te machucou, Larry, e traiu a sua mãe. Isso não se apaga com um "me desculpa". Além disso, você vai perder o show de sábado por causa de um cara que nem entende a gravidade do que fez? Sem ofensa, amiga, mas o seu pai é um idiota. 

Houve um silêncio desconfortável por alguns segundos, mas Laura não terminou ali: 

— Carol, você tem um coração de ouro, de verdade. Só você pra conseguir superar algo assim e ainda ver o lado bom das pessoas. 

Larry continuava chorando baixinho, e eu percebi que precisava dizer algo. 

— Larry, eu só quero que você saiba que vou te apoiar em qualquer decisão que tomar. Seja perdoar ou não, seja ir ou ficar. Eu tô aqui pra ser seu ombro amigo, sempre que você precisar. 

Ela olhou para mim com os olhos vermelhos e fez que sim com a cabeça. Não tinha mais nada que eu pudesse fazer naquele momento. 

— Acho que o melhor agora é te dar um tempo sozinha. — Falei suavemente. 

Levantei-me e saí do quarto, fechando a porta com cuidado. Ao olhar para as meninas no corredor, percebi que todas estávamos abaladas, cada uma à sua maneira. Havia muito mais por trás daquela história, e eu sabia que a Larry precisaria de nós mais do que nunca.

Aqui está a continuação reescrita, tornando a história mais envolvente e intrigante:

— Gente, eu tive uma ideia! — falei, cheia de entusiasmo.

Quem sabe...amigas?Onde histórias criam vida. Descubra agora