Finalmente havia chegado o momento. Nós estávamos prontos para fugir da escola e sequestrar a banda. O plano era arriscado, mas não dava para voltar atrás agora.
Eu fui até os meninos, que já estavam reunidos atrás da quadra, e perguntei:
– Vocês estão prontos?
Henrique, com aquele sorriso convencido, respondeu:
– Claro, gostosa.
Revirei os olhos e ignorei o comentário.
– Certo, vou buscar a Laura e a Carol. Fiquem aqui.
Quando cheguei no meu quarto, encontrei Laura conversando com Carol, que parecia menos empolgada com a ideia.
– Vamos? – perguntei.
Carol hesitou.
– Eu não vou. Isso é loucura demais!
Laura insistiu:
– Por favor, Carol. Faz isso pela Larry! Ela precisa de algo para se distrair.
Depois de muita insistência, Carol finalmente cedeu com um suspiro dramático.
Voltamos para onde os meninos estavam. Douglas tinha decidido não participar, mas isso não nos desanimou.
– Vamos? – Laura perguntou.
– Claro! – todos responderam em coro.
Enquanto caminhávamos para o fundo da escola, Nicholas comentou casualmente:
– Fugir da escola? Isso é normal para mim.
Henrique, por sua vez, riu:
– Isso aqui é fácil.
De repente, me peguei observando Henrique com outros olhos. Ele não era tão feio assim… na verdade, até que era bonitinho, mas sua atitude idiota estragava tudo.
Chegamos ao muro da escola. Um a um, começamos a subir. Miguel ajudou Carol, seguido por Nicholas, Diogo, Henrique e Laura. Quando chegou minha vez, a coisa complicou. Na primeira tentativa, escorreguei. Na segunda, quase fiquei pendurada. Só na terceira tentativa consegui passar, já sem fôlego.
O bar ficava a poucos quarteirões da escola. Era um lugar grande, mas não muito movimentado àquela hora. Entramos pelo fundo, sem fazer barulho, e logo avistamos a banda ensaiando. Sussurrei:
– Será que desistimos?
Miguel balançou a cabeça, irritado:
– Desistir? Nem pensar! Não vim até aqui à toa.
Foi quando uma voz alta e grave ecoou pelo espaço:
– Tem alguém aí?
Henrique, sendo o idiota de sempre, respondeu:
– Miau, miau.
Olhei para ele incrédula.
– Que porra, Henrique?! – sussurrei, mas já era tarde demais.
Um dos caras da banda, que parecia uma versão mais velha e descabelada do irmão do Greg em *Diário de um Banana*, veio até nós e perguntou:
– O que vocês estão fazendo aqui?
Pensei rápido:
– Nada! Já estamos indo embora...
Mas, antes que pudéssemos escapar, Carol surpreendeu a todos:
– Na verdade, queremos fazer uma proposta. Quanto o dono do bar está pagando para vocês tocarem?
O líder da banda arqueou a sobrancelha, desconfiado.
– Muito pouco. Só 3.000 reais.
Laura, pegando o embalo, disparou:
– E se pagássemos 3.500? Vocês deixam a gente tocar no lugar de vocês.
Os caras trocaram olhares. Pareciam tentados. Depois de alguns segundos, o líder deu um sorriso.
– Fechado. Os instrumentos são de vocês. O show é sábado, às oito da noite.
Nós não acreditávamos no que acabávamos de fazer. Tínhamos um show! Agora era hora de ensaiar e torcer para que tudo desse certo.
Os integrantes da banda pegaram nossos números e foram embora com a condição clara: no dia do show, o dinheiro precisava estar nas mãos deles. Só tínhamos um problema – faltavam 500 reais para completar os 3.500 prometidos. Era um risco, mas tínhamos um plano.
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Quem sabe...amigas?
Teen FictionMikaele, ou Mika, está prestes a embarcar em uma grande mudança: uma nova escola, um internato, e a difícil tarefa de deixar suas antigas amigas para trás. Aos 15 anos, ela se junta ao colégio onde seu irmão Miguel já estuda. Mas essa não é uma simp...
