Voltemos algumas semanas no tempo, na manhã que sucedia o baile. O dia amanheceu escuro, nublado, até mesmo o som dos pássaros houvera diminuído, eram poucos.
Leia levanta seu corpo, mantendo-se sentada na cama, e logo estica os seus braços para espreguiçar e logo bocejou. Era tarde até, a garota dormiu muito, afinal a noite passada foi cansativa. Animada e cansativa. Leia realiza toda a higiene matinal e veste sua roupa.
Enquanto penteava seu cabelo, batidas suaves podiam ser ouvidas da porta. Helena entra calmamente.
-Oh, mãe! Bom dia! - Leia a recebia animada.
-Bom dia, filha... - O tom de Helena não condizia com o de sua filha. Ele emanava melancolia.
-Aconteceu... Alguma coisa? - Leia diminuía seu tom e o sorriso sumia de sua face.
-Bem, sim... A casa de Iná pegou fogo. O pessoal lá de perto disse que ela está morta e Gareth está desaparecido. Eu pedi a alguns guardas para procurarem por ele na cidade, mas nenhum deles o achou. - Helena leva ambas as mãos a face e desliza sobre ela, para baixo, vagarosamente, suspirando em seguida - Eu estou preocupada com ele, é muito novo para viver sozinho assim.
-Ela nunca te disse sobre outras pessoas em quem confiava? Ou mesmo ele?
-Não. Um filho a abandonou e os pais de Gareth morreram. Ele está sozinho agora.
-Calma, mãe. Alguém vai encontrar ele, eu tenho certeza.
Leia abraça sua mãe na tentativa de a confortar e logo a mulher chora.
Embora não demonstrasse, Leia estava sentida por essa perda, Gareth era seu único amigo. Já bastava a dor de sua mãe, Leia precisava fazê-la pensar que estava bem. Uma garota forte. Bem, mesmo assim, Leia saiu do castelo. Acabou se tornando uma rotina, todas as tardes Leia saía do castelo, ninguém sabia aonde ia. A resposta é tocante. Todas as tardes Leia ia a casa queimada de Iná e Gareth. A garota se sentava atrás da construção decaída, onde estaria um pouco escondida, e chorava enquanto olhava para o lago que havia ali.
Por volta do terceiro dia, alguém apareceu. Enquanto Leia apreciava o céu, ela nota uma presença, provavelmente sua visão periférica tenha visto um rápido e curto movimento, o que a faz voltar sua face em direção a tal. Pra sua surpresa, lá estava um jovem alto, seu cabelo era... Azul claro? Pior, estava usando uma máscara? Esta cobria uma área equivalente a ponta do nariz até a testa do rapaz. Seu cabelo penteado para trás e seu acessório facial chamavam muito a atenção da moça, afinal, não era comum ver aquilo.
Ele deve ter notado que Leia o encarava, pois logo voltou sua face para a garota. Um sorriso surge em seu rosto. Um lindo e encantador sorriso.
-Perdão, eu assustei a senhorita? - Emanava uma voz suave e tranquilizadora da boca do jovem.
-N-não... - Ela até gaguejava um pouco - Eu só... Eu só estava distraída.
-Oh, é mesmo? E o que uma mocinha tão linda faz aqui, atrás de uma residência queimada?
-Não é nada... Eu gosto do lago, apenas.
-O lago lhe traz alguma triste memória? - Ele perguntava enquanto se aproximava vagarosamente.
-Triste?
-Sim. - Ele se abaixa e logo passa o ´polegar nas bochechas da jovem - Afinal, suas bochechas têm marcas de lágrimas e seus olhos estão vermelhos. A madame estava chorando muito... Não creio que sejam lágrimas de felicidade. Não demoradas o suficiente para deixar marcas em sua pele.
Leia o encarava surpreendida. O rapaz houvera lido-a completamente, reparou em detalhes que ela mesma jamais notaria. Mesmo com essa habilidade e toda a surpresa, nada muda dois fatos importantes. Primeiro: Quem é ele; e segundo: Por que uma máscara?
-Prazer, a madame pode me chamar de Youko.
-Y-Youko?! - Nem era necessário ouvir o seu tom, sua face já explanava que estava em dúvida.
-Sim, sei que estranha meu nome. - Ele ri enquanto fala - Mas é assim que quero ser chamado.
-Certo, então irei chamá-lo de Youko. O que faz aqui, Youko?
-Eu ouvi lágrimas de uma madame indefesa vindo daqui de trás. Por acaso viu alguma?
Leia ri mais uma vez. Ela decide atuar, é como se os bons tempos estivessem voltando aos poucos.
-Hm... Eu não vi madame indefesa alguma, mas ouvi uma moça forte chorar.
-É mesmo?! - Youko olha ao redor - Onde está ela?
Ambos riem e prosseguem uma conversa saudável e divertida. Estava claro que, dos últimos três dias, esse fora o melhor para Leia. Infelizmente, como tudo que é bom, o dia estava acabando. Leia tinha de ir embora, assim como Youko.
-Enfim, jovem moça, irei em boa hora.
-Tudo bem, eu também tenho que ir.
-Então... Eu encontrarei a senhorita aqui amanhã?
- No mesmo horário. - Ela diz sorrindo.
-Aguardarei ansioso.
Ambos seguem seus caminhos. Mas, como ambos deixaram visível, esse encontro continuou ocorrendo por um bom tempo, fazendo com que a princesa esquecesse as dores que sentia.
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Servo do Mal
RomanceSeparados como família, um garoto se torna um camponês enquanto sua irmã, uma princesa. Anos após ambos se encontram e o garoto torna-se o servo de sua, até então, nova "amiga." Livro baseado na música "Servant of Evil" de Kagamine Rin e Kagamine Le...
