Já havia retirado os pontos e acabado os remédios. Estava fisicamente pronta para voltar as aulas, mas nem um pouco prepara psicologicamente. Estava em um péssimo dia. Havia chorado no banho e meu desânimo era surreal. Hugo estava esperando na varanda com um copo de cappuccino na mão do café que fomos na primeira vez que saímos juntos depois da escola. Peguei o copo e sentei ao lado dele no banco de balanço. Encostei a cabeça no ombro dele e fiquei.
- Sabe que estamos atrasados né? - ele disse quebrando o silêncio insuportável.
- Eu não quero ir – disse com a voz falhando.
- O que houve, em meu bem? - ele perguntando levantando meu rosto.
- Só não quero ir – respondi olhando para baixo.
- Não vamos então, vamos para o terreno, vem. - disse me puxando e fomos.
Os mesmos 50 minutos andando, mas dessa vez em silêncio. Dessa vez tinha um sofá sobre um toldo e uma mesa lá.
- Eu planejava te trazer aqui só depois do baile, mas vi que não está bem hoje e sabemos que esse é o melhor lugar para vim – disse limpando algumas coisas e deixando o sofá livre para eu poder me sentar.
Me sento e fico olhando a vista enquanto ele arruma as coisas. Apoiei minha bochecha no encosto do sofá, sentando de lado para que eu pudesse vê-lo quando se sentasse.
- Prontinho, tudo razoavelmente arrumado – ele diz se sentando ao meu lado e eu o encarei por uns segundos até ele levantar a sobrancelha confuso.
- O que mais você planejava para o baile? - tomei coragem para perguntar e tirar essa dúvida de dentro de mim.
- Planeja dançar com você - ele começou pegando minha mão e brincando com meus dedos fazendo carinho – O que espero fazer ainda. Planejava te trazer aqui depois de nos divertirmos muito e te entregar algo.
- Me entregar algo? O que? - pergunto confusa.
- Quer agora?
- Se estiver com você. Quero sim.
- Sou eu – ele diz e se aproxima.
Logo ele coloca a mão em minha nuca e me puxa levemente ao seu encontro. Primeiramente eu gelei e logo me deixei levar. Em questão de segundos nossos lábios estavam juntos dançando em uma sincronia. Nossas línguas se encontravam e distanciavam em um período de tempo perfeito. Meu coração quase que ia de encontro, pois estava quase saindo pela boca. As borboletas na barriga faziam a maior festa. Seu beijo... Seu toque... Despertava o melhor sentimento que eu jamais pensaria em sentir. O mundo ao redor era apenas uma fantasia, nada existia, apenas eu e ele e aquele momento. Sua boca era tão macia quanto eu imaginava. Meu toque em seu rosto foi diferente de todas as outras vezes. O calor de seu corpo dava uma sensação surreal ao meu. Suas mãos deslizam da nuca para a minha cintura e ele aperta me inclinando um pouco para trás. Ele para e espera um segundo até se afastar e olhar em meus olhos. Eu não sei se devo abri-los, só quero o toque de nossos lábios juntos novamente. E o calor desse momento. O calor de nossos corpos. Eu abro meus olhos junto com ele e abro a boca para falar algo mas estou sem palavras.
- Era pra te entregar só depois do baile – ele disse sem ter o que falar.
- Não tinha hora mais perfeita para você me entregar do que agora – eu digo e puxo-o para perto novamente.
Ficamos ali até a hora do almoço. Deitados no sofá vendo a vista e conversando abraçados. Meu dia foi de péssimo para inesquecível.
Depois de horas ele me deixou em casa e foi para casa e Tatiane e Thiago estavam na minha varanda.
- O que vieram fazer aqui? - perguntei procurando a chave na mochila.
- Você não foi para escola e estava preocupado, mas acho que essa cena já respondeu minhas perguntas – ele diz com um sorriso malicioso no rosto.
Entramos e nos sentamos no sofá.
- Conta, o que rolou? - Tatiane perguntou animada.
- Ah... a gente se beijou – eu disse sem graça e ela pirou – Calma, foi só um beijo... Na verdade vários e passamos a manhã juntos – disse e não pude contar o sorriso e a expressão de felicidade.
- Então está namorando? - Thiago perguntou.
- Não, foi só um beijo, não um pedido de namoro – respondi como se fosse uma pergunta que uma criança de 5 anos faria.
- E precisa de pedido? - ele perguntou com a mesma expressão.
- Claro que precisa – Tatiane respondeu e parecia que aquilo já não se referia apenas a mim.
- Mas enfim, eu vou tomar um banho e fazer algo para comermos. Se quiserem podem tomar banho no banheiro aqui de baixo. Por favor me façam companhia hoje – pedi fazendo bico e eles concordaram.
Tomei um banho e fiz batata frita e carne acebolada para nós três e passamos o dia conversando e vendo filmes. Coloquei bastante almofadas e cobertas no sofá. Deixei o ar condicionado ligado e levei salgadinhos para a sala.
Cada filme com romance ele vinha em minha mente. Eu comparava nossa vida e nossos momentos com cada cena dos personagens. Como em um filme em que eles estudavam num café e tinham um olhar penetrante entre eles, era como meu primeiro encontro. Ou em como a menina suspirava com o primeiro beijo com a pessoa que estava apaixonada, era simplesmente uma outra versão de mim numa tela de tv em um filme totalmente aleatório.
Não passei um segundo sequer sem pensar naquela manhã e naquele beijo. Eu me sentia fora de mim. Eu estava nas nuvens, o oposto de pé no chão.
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Cartas a Marte || Completo
RomanceUm romance adolescente que vai quebrar tabus de sentimentos. Um ponto de vista de quem amou, ama e espera.
