Capítulo 16

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Acordo com uma enorme dor de cabeça e um enorme vazio. Meu rosto está inchado e nem a água da torneira ajuda a melhorar. Coloco meu casaco e desço as escadas. Minha mãe já tinha partido e não havia ninguém na varanda. Sento no balanço e fico olhando as pessoas andando pela rua. As lágrimas descem e eu não consigo senti-las, não sinto nada e minha expressão é nula. Vejo Thiago chegando e vindo até perto de mim. Ele faz uma expressão de pena e isso me dói. Não quero que ninguém sinta pena de mim. Eu não mereço nada disso. Eu quero conseguir passar por isso. Quero ser forte e útil o suficiente para passar por isso sem desistir. Eu quero ser forte!

- Vim te buscar para o colégio, Bruna – ele diz sentando ao meu lado e eu não respondo; não consigo responder – Bruna... - ele insiste e me abraça - Vem, está frio aqui fora – ele diz se levantando e me levando para dentro de casa.

Thiago me coloca deitada no sofá e vai para cozinha fazer algo. Volta minutos depois com um pote de salada de frutas e me força a comer. Coloca desenho na televisão e fica ali. Eu deito em seu peito e só me permito chorar. Ele acaricia meu cabelo e minhas costas, afim de me acalmar.

O vazio, a solidão é algo assustador. Mesmo que o Thiago esteja aqui, não é a mesma coisa. Não era ele que deveria me levar para escola. Não era ele que deveria estar aqui a essa hora da manhã. Não é nesses braços que eu deveria estar. Está tudo errado e meu mundo está desmoronando.  

Cartas a Marte || CompletoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora