Capítulo 15

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A minha intimidade com o Hugo só tem aumentado. Estamos nos descobrindo, nos conhecendo, nos permitindo. Tudo devagar no seu processo, mas ao mesmo tempo tudo rápido demais. Quando estou com ele a vontade é pular todo esse processo de início e poder ser natural. Poder ser só eu. Ser só eu e ele. Sem muito tabu ou limitações. Eu quero tocar-lhe em cada canto de seu corpo. Quero entregar-me e sentir seu toque. Quero sentir seu calor sempre. Quero sincronia e liberdade para qualquer coisa. Quero ter a intimidade de mil anos. Quero ele só para mim, mas não por egoísmo, mas por puro desejo. Quero ter exclusivamente cada pedacinho dele o mais próximo possível de mim. Assim, poder sentir o calor de seu corpo fazendo todo o processo mágico ao meu. Sentir esse amor pulsar em minhas veias nas últimas semanas tem sido a melhor sensação que eu jamais imaginara sentir. Ter sua boca macia em minha. Suas mãos em meu corpo e meu cabelo. Sua voz em meu ouvido. Seu coração ao meu. Era tudo o que eu precisava. Nada como eu imaginava, mas muito além de minhas expectativas.

Hoje não vi o Hugo na escola e muito menos a Tatiane – tenho ficado muito próxima a ela já que precisava ter conversa de meninas com alguém - então fiquei com o Thiago todo o tempo. Hugo não respondia minhas mensagens e a Tati também não. Então tudo ficou muito estranho por esse dia. Estranho pois era tão de rotina ter ele sempre me buscando e estando sempre comigo. Um único dia e sinto falta. A irmã dele estava na escola, mas não quis me responder o motivo de não ter vindo.

- Será que fugiram para Las Vegas e se casaram bêbados naquelas capelas ao lado de boates? - Thiago pergunta olhando para as meninas na ginastica já que estamos na arquibancada da quadra.

- Com que dinheiro? Mais fácil terem ido para Saquarema e ir na pedra que boia - disse rindo.

- Pedra que boia? - ele perguntou confuso.

- Melhor nem saber – respondi rindo e ele ficou mais confuso ainda.

- Talvez a gente devesse fugir – ele continuou com a feição pensativa, como se planejasse algo.

- Ter um filho e um gato chamado capitão? - perguntei olhando para ele e não parecia mais que ele olhava para as meninas, apenas estava olhando para um ponto fixo e totalmente fora de órbita.

- Eu não posso ter um filho com você, seria estranho demais o processo – ele respondeu agora franzindo o cenho.

- Realmente – concordei com a mesma expressão.

- Já fomos liberados? - ele perguntou parecendo nem saber em que planeta estamos, parece mais que ele sofreu um grande acidente e não se lembre nem de seu nome.

- Já sim, mas você quis sentar aqui e conversar sobre um plano de fuga – eu respondo, agora olhando para um ponto fixo também.

- Vamos no café comer algo já que sua mãe não deixou almoço - ele diz animado parecendo sair do transe enquanto levantava e me puxava pelo braço quadra a fora.

Fomos caminhando até o café e comemos panquecas de carne moída e depois dividimos um grande Milk Shake.

- Então foi aqui o primeiro encontro de vocês dois? - Thiago perguntando me encarando.

- Sim, logo naquela mesa – respondo sorrindo e lembrando de cada detalhe daquele dia e no quanto cada um dele o tornou especial.

- Está apaixonada né? - ele perguntando sorrindo.

- Completamente – respondo fechando o sorriso e dando um grande suspiro.

- E isso não é bom?

- Não totalmente. A vida é complicada demais, Thiago. Nada é tão perfeito como imaginamos ser.

- Mas pode tentar.

Cartas a Marte || CompletoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora