Cerimônia para Ogum

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Cerimônia dignas de serem mencionadas celebravam-se com regularidade na região do Ahori (no lado nigeriano) ou Holi (no lado daomeano).Realizavam-se todas no dia da semana iorubá dedicado a Ogum, ou seja, de quatro em quatro dias.Os Òsè nlá ("grandes domingos") alternavam-se com os Òsè Kékeré ("pequenos domingos"); os primeiros tiham mais esplendor que os outros.Esta região Ahori-Holi ficara relativamente preservada da ação "civilizadora" das administrações coloniais e daquelas que as sucederam.A estrada que atravessa Holi, ligando Kêto ao sul do ex-Daomé, só foi aberta em 1953, em virtude da natureza pantanosa de algumas partes dessa região, ou seja, apenas sete anos antes da independência desses países.

Citamos, a seguir, alguns dos numerosos templos de Ogum nessas paragens:

Ògún Igiri em Adja Were,

Ògún Edeyi em Ilodo,

Ògún Ondó em Pobê, em Igbo-Iso e em Irokonyi,

Ògún Igboigbo em Ixedé,

Ògún Elénjo em Ibanion e em Modogan,

Ògún Agbo em Ixapo,

Ògún Olópe em Ixedé Ije,

Ògún Abesan em Ibabnigbe Fuditi.

Trate-se de um só e único Ogum, cujo segundo nome designa ou o lugar de origem, como ondó, ou o nome do fundador, ou, ainda, o nome de uma divindade, como no último da relação, para a qual ele serve de guardião.

O aspecto desses templos era notável.Situados, geralmente, em lugares calmos e isolados, no meio de uma clareira cercada de árvores frondosas.Apresentavam a forma semelhante à de uma cabana redonda, com telhado cônico e pontiagudo, precedidos por uma galeria ornada com pilastras esculpidas.Construídos com materiais locais: engradamento de madeira, telhado de palha ou de folhas de palmeira trançadas, paredes feitas de bambu.

Os templos dedicados a Ògún Ondó eram estilo diferente.Todos eles tinham em comum o telhado e cumeeira alta, com duas águas descendo quase até o chão.Vistos de frente, pareciam uma muralha elevada, tendo, ao nível do solo, uma entrada cuja verga era tão baixa que só se podia penetrar no interior do templo curvando-se muito, de maneira respeitosa, ou então rastejando-se com o apoio dos cotovelos e joelhos.

O templo de Igbo-Iso, apresentado neste trabalho, perto de Abá, conservou essas característica.O de Pobê, que conhecemos em 1936, era um edifício majestoso com telhados de palha, alto e pontudo, mas, infelizmente, católicos zelosos, estimulados pelos sermões "incendiários" de um reverendo missionário que, do púlpito, esbravejava sempre contra as religiões pagãs, julgaram por bem "ajudar a Providência" ateando fogo ao templo de Ondó numa noite de verão.Foi uma bela fogueira cuja conseqüência foi a reconstrução do templo, com material à prova de fogo, coberto com um telhado de zinco ondulado, semelhante a um galpão ou um galinheiro.Para dar graça ao conjunto e, ao mesmo templo, amedrontar os incendiários, desenharam, acima da porta, dois leopardos mostrando todas as suas garras.

As cerimônias Òsè nlá, em Ògún Ondó, realizam-se numa grande praça, de cerca de cem metros de comprimento por trinta de largura, que era, antigamente, uma clareira no meio de uma floresta.Com o templo, essa floresta ficou reduzida a uma estreita faixa de árvores, formando uma cortina medíocre entre o recinto sagrado e a cidade.O templo de Ondó está situado em um dos lados maiores do retângulo.Defronte, encontra-se outro templo, menor e circular, dedicado a Arè, e no fundo, onde deveria antigamente ser a entrada da clareira, o templo igualmente circular, de Èsù Elégbára.Este conjunto se completa por dois pequenos cercados quadrados, de cinquenta centímetros de lado, chamados idomsum.Num deles, no começo da cerimônia, colocam-se os osun de cada um dos principais dignitários; o outro é reservado ao osun de Olúpona.Há ainda, em diversos locais, trocos de árvores deitados no chão, servindo de assento aos diversos participantes da cerimônia.

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