Capítulo 6 - Um indício de amizade

2 1 2
                                    

Kile já estava na estrada com Cenoura e Gary, e o dia era ensolarado e muito, muito bonito. Já saíra de Hellington Transgrald havia pelo menos uma hora, e seu belo alazão alaranjado estava trotando tranquilamente.

Pensava simplesmente em Erin quando ouviu um pequeno ruído entre as árvores que circundavam a estrada.

Parou Cenoura e olhou em volta.

"Hum... Deve ter sido apenas o vento.", pensou. Puxou as rédeas e o cavalo já andava novamente com seu passo calmo.

Porém, Kile ouviu mais um farfalhar. Parou Cenoura e obrigou-o a se virar. Olhou mais atentamente para as árvores e arbustos dos dois lados da estrada. Estava já convencido de que estava imaginando coisas, de que era apenas o vento, quando outro pensamento lhe ocorreu:

"Não há vento hoje... O ar está quente e parado.".

Continuou observando ao redor, mas não viu nada, então girou Cenoura para a frente e recomeçou a cavalgada.

...

George continuou abaixado até ouvir os trotes do cavalo novamente. Depois disso, se arrastou um pouco pela vegetação, temeroso de que o cavaleiro estivesse ainda observando os arredores.

George tentava ser o mais cuidadoso possível, mas, pelo jeito, ele não era muito bom em ter cautela... Ou então Kile era realmente um excelentíssimo e bem treinado cavaleiro.

Clearwater ficara admirado da figura de Kile. De repente, assim que Kile deixara a hospedaria, ele sonhou em se parecer com ele um dia, como um filho mais velho admira o pai e almeja ser tudo o que ele foi.

Talvez por essa admiração, quando George achou que já havia despistado a atenção de Kile, ele olhou para cima, erguendo um pouco a cabeça dos arbustos.

Lá estava o cavalo de pelo alaranjado, trotando magnificamente, com... Ei! Espere aí? Mas estava faltando o próprio cavaleiro! O cavalo estava trotando sozinh...

...

– Ai! – George gritou quando sentiu um dos cachos de seu volumoso cabelo ser puxado para cima.

Kile descera de Cenoura estrategicamente, apenas esperando que seu seguidor espiasse minimamente de seu esconderijo. Ele pegou sua espada e a pôs na garganta do atrevido, falando:

– Mas quem diabos ousa me seguir?! – contudo, após olhar bem para o rosto de seu mais novo refém, ele reconheceu Clearwater. – O que você está fazendo aqui?!

– Eu, é... Bem... Eu... – Tentou explicar George, mas a proximidade da lâmina com a sua garganta o deixava nervoso. Seus olhos esbugalhados não conseguiam desviar a atenção de seu reflexo no metal bem polido.

Kile suspirou profundamente e soltou George, que estava com as pernas tão bambas que caiu no chão.

– Ai, cara, será que você tinha mesmo que me segurar pelo cabelo, hein? – George começou a se levantar. – Ei, espere, aonde você está indo?! – Perguntou enquanto Kile começava a montar em Cenoura.

– Embora. – respondeu o cavaleiro, sem sequer se virar para ele.

– Ei, espere! Você não pode me deixar aqui!

– Adeus.

– Por favor, não se vá! Eu preciso...

– Do svidaniya.

– Calma aí! – George começou a correr atrás dele.

– Sayonara.

– É sério!

O Cavaleiro e a PrincesaWhere stories live. Discover now