Promessas.

958 119 19
                                        

Demorou muito tempo para os médicos liberarem Mark, passei a tarde toda esperando e nada dele sair.

A senhora Tuan ficou comigo até à noite, estavamos as duas cansadas, e a chamaram para ficar no quarto com Mark. Eu não quis ir embora, fiquei na sala de espera até amanhecer, tinha dormido na poltrona e nem tinha me dado conta, até a senhora Tuan voltar e me acordar.

– Querida. – a ouvi dizer, colocando a mão no meu ombro.

– Oi. – eu me sentei assustada, esfregando os olhos – Como Mark está?

– Melhor, muito melhor. – ela sorriu, afagando meu cabelo e se sentando ao meu lado – Dormiu aqui?

– Sim. – eu disse sem graça – E-Eu espero que não se importe.

– Não, na verdade agradeço por ficar ao lado do meu filho. – e mesmo que a conhecesse há tanto tempo, a senhora Tuan ainda não falava muito – Dei autorização pra te deixarem entrar e vê-lo.

– Ah, que bom. – eu sorri para ela também, animada – Obrigada.

– Não posso ficar, preciso trabalhar. Se puder fazer companhia pra ele, ficaria ainda mais grata. – ela se levantou, meu dando um papel para mostrar quando fosse ao quarto – O pai dele virá depois para buscá-lo, mas duvido que Mark queira outra pessoa que não seja você lá com ele.

Nós duas nos despedimos, e eu fui lavar a cara de sono antes de ir ver Mark.

Fui sem pressa até o quarto dele, que estava jogando no videogame portátil que tinha desde criança, e parecia bem melhor.

– Oi, Mark. – eu disse abrindo a porta lentamente, o encarando dali mesmo.

– Oi! Meu amor! – Mark abriu um sorriso lindo quando me viu, largando o videogame as pressas na mesinha ao lado da cama – Vem pra cá, vem!

A alegria dele sempre foi contagiante, mesmo machucado ele era o Mark bobo de sempre. Entrei fechando a porta, e fui me sentar ao lado dele.

– Como se sente? – eu disse me aproximando com medo de sua perna ainda estar doendo.

– Quebrado. – ele riu, me olhando com o olhar cansado, e segurou minha mão assim que pode.

– Idiota. – o abracei com cuidado, era bom ver ele calmo de novo, e mesmo no hospital, ele ainda tinha seu cheiro único – Por que fez aquilo, Mark? Poderia ser pior!

– Achei que aguentaria com o King Kong. – Mark disse piadista com sempre, me abraçando apertado.

– Promete não fazer isso de novo? Por favor! – o soltei mesmo que não quisesse, apenas para olhar para ele – Ele podia ter te machucado mais, você poderia nem estar aqui, e...

Mark revirou os olhos mas ainda sorria pra mim, levando a mão ao meu rosto.

– Nunca vai me perder, baby. Eu prometo. – ele interrompeu sincero, sabia quando ele estava falando a verdade.

– Se você morrer na próxima, eu te ressucito e te mato de novo, babaca. – eu ri, largando minha mochila no chão para poder me juntar à ele direito.

– Não acredito em você. – ele brincou também – Me ama demais pra me matar.

– Quem disse que eu te amo? Convencido. – o encarei fingindo que não me importava.

– Hae. – Mark sorriu malicioso, me abraçando pela cintura – Se não retirar o que disse vou te fazer cócegas.

– Não se atreva! – segurei seu braço que estava pronto para me torturar.

– Então diz que me ama. – ele pediu outra vez.

– Não amo você. – eu recusei sendo chata e persistente.

– Haemin, diga que me ama logo! – Mark não perdeu tempo, me derrubou em seu colo e me atacou sem parar com cócegas.

– Mark, pare! – eu me encolhi mas ele se mantinha rindo, e me fazendo rir junto – A perna! Para! Vou machucar você! – eu não conseguia não rir, tentando segurar as mãos dele – Mark! Okay, eu amo você! Para! Eu te amo muito!

– Era o que queria ouvir. – ele me soltou, me ajudando a levantar e sentar de volta ao lado dele, me abraçando – Também te amo muito, baby.

– Satisfeito, senhor drama? – o provoquei tentando me recompor.

– Eu estou com fome. – ele fugiu do assunto, me encarando de repente.

– Quer que eu faça o que? Tenho cara de comida? – disse me levantando rapidamente para pegar a mochila.

– Claro, tem uma cara redonda igualzinha a um biscoito. – ele respondeu sorrindo feito um idiota.

– Engraçadinho você. – fiz careta para ele, lhe dando um sanduíche que eu tinha comprado para comer cedo, e não tinha conseguido – Não conta que te dei isso.

– Mais um segredinho pra nós dois. – ele concordou, piscando para mim.

Me aconcheguei ao lado dele, me encostando no travesseiro também, deitando a cabeça em seu ombro e o abraçando na cintura, enquanto ele comia quieto.

Depois de tanta preocupação, era ótimo saber que não tinha sido nada demais, Mark estava inteirinho ali comigo. Ou quase inteiro.

– Sabe, eu vi você e Jinyoung no jogo. – Mark puxou assunto, me deixando nervosa.

– Fomos torcer por você. – eu dei de ombros, com medo de falar a verdade.

– Não estou falando disso. – ele me contrariou.

– Certo, já sei o que viu. – eu suspirei, olhando para ele sem me mexer dali, estava tão confortável – Jinyoung me beijou.

Admiti esperando uma comemoração ou um repúdio, um sermão, ou qualquer coisa assim.

– Não vai dizer nada? – perguntei ao Mark que apenas me ouvia em silencio.

– E daí? Sentiu o que? – ele não reagiu de nenhuma maneira, apenas continuou comendo. Por que eu me senti estranha ao perceber isso?

– Nada. – eu me senti mal lembrar disso – Eu não consegui sentir nada.

– Sério? – Mark parou para me encarar ao ouvir isso.

– É. – senti meu rosto queimar de vergonha – E ontem ele veio dizer que gosta de mim.

– E você gosta dele? – Mark desviou o olhar, tinha ficado incomodado, mas disfarçava.

– Essa é a questão. – eu olhei para ele tentando ser o mais sincera possível – Eu gosto de outra pessoa, não dele.

– Queria saber quem é. – Mark sorriu aliviado.

– Um dia, talvez, eu prometo contar, Mark. – fingi que o assunto não importava, tentando falar de outra coisa – Lembra que quando eramos crianças você sempre quis usar gesso?

– Lembro. – ele riu, assim como eu – Pra os meus amigos desenharem nele.

Começamos a lembrar dessas ideias estúpidas do Mark e a tentar fazer o tempo passar mais rápido até o pai dele chegar.

Depois fomos para casa, Mark queria que eu ficasse com ele em sua casa mas tive insistir que precisava ir ficar junto com a minha mãe um pouco.

Por mais que eu desejava mentalmente que ela não estivesse em casa.

Teardrops & Pizza - Mark TuanHistórias para pegar e não largar. Descubra agora