Capitulo 10.

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Millie
-Você sabe muito bem que não.

-Sei é?Então por que esse comentário do nada?

-Porque, Finn Wolfhard, as pessoas vão achar isso e eu não quero!

-Mas você não acabou de falar que... ah quer saber?Que se foda também! Vamos logo para a minha casa?

-Vamos. - respondo meio desanimada.

Não trocamos nenhuma palavra até a casa dele, foram uns 10 minutos andando. Levei minha bike junto. Quando chegamos ele só abriu a porta para mim e depois entrou. Me guiou até a escada e entramos no quarto dele, ainda sem falar nada.
Ele senta na cama dele e eu fico de pé mesmo.

-Pode sentar...

-Pode ser no chão?

-Como você preferir.

Sento no chão na frente dele.

-Olha, Finn, tenha seu tempo, leva o tempo que precisar para conversar comigo por causa daquilo tá bom? - eu falo e ele assente

Vejo que abaixa a cabeça e fica encarando o chão por um bom tempo.

-Voce vai me julgar? - ele finalmente fala

-Nunca, prometo.

Ele continua encarando o chão

-Eu tinha a vida perfeita...com meu pai, minha mãe e meu irmão... - ele vai pausando enquanto fala - eu era bem pequeno e não sabia quase de nada, só sabia que eu era feliz. Muito feliz. - ele para de falar e vejo que a cara dele muda para triste.

-Finn, não precisa falar se não quiser, tá?

Ele olha para mim.

-Quando eu tinha 10 anos e estava prestes a dormir como qualquer dia normal. Mas quando eu deitei na cama, consegui ouvir minha mãe gritando algo assim "Como você pode fazer isso comigo?" e depois meu pai gritou algo de volta que eu não tinha entendido. Depois de poucos minutos, eles já estavam discutindo feio... - vejo que uma lágrima escorre pelo rosto dele - fui até o quarto de meu irmão Nick e quando eu cheguei lá, ele tava... - ele para de falar de novo.

Eu queria muito abraçar abraçar ele, muito mesmo. Mas ele precisava do seu tempo, não iria forçar ele a nada.

-Ele tava chorando muito. Parecia com medo... abraçando as próprias pernas... na hora eu fui até a cama dele e o abracei, querendo entender o que estava acontecendo. Então eu perguntei e ele disse que o que estava acontecendo era tudo culpa nossa... tudo!E... quando eu ouvi isso, eu comecei a chorar junto ouvindo meus pais brigando, agarrado no meu irmão mais velho e... e foi horrível, millie - ele deixa mais lágrimas caírem. - Depois desse dia, eles começaram a discutir mais, muito, muito, muito mais... e depois se divorciaram. Eu fiquei com trauma do amor, Millie, via minha mãe sofrer todos os dias sozinha e me culpava por isso. E desde então eu fiquei como fama de pegador chiclete, que pega e depois joga fora. Os anos se passaram e eu nunca mais ouvi falar do meu pai.... e hoje - muitas lágrimas começaram a escorrer ao mesmo tempo - hoje recebemos.... uma mensagem, não sei de quem, falando para ligar a TV em tal canal. E.... - ele para e esfrega as mãos no rosto limpando as lágrimas - e quando minha mãe ligou, eu e meus irmãos, e ela também, vimos o que tava passando, ficamos horrorizados... - ele abaixa a cabeça de novo - um homem sofreu acidente de carro e não sobrevive... esse homem Millie, era meu pai. - ele coloca as mãos no rosto, apoia o cotovelo na perna e começa a chorar.

Eu juro, que tentei me conter não ir até ele, mas a vontade falou mais alto.

-Finn... - sentei do lado dele na cama e o abracei.

Are you with me? (cancelada)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora