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ANGEL

Ver os peões trabalhando me faz refletir e cogitar que um dia de trabalho aqui, equivale a dois dias do meu trabalho.

Estou aqui a quase uma semana e toda vez que o ogro sai, eu aproveito para ficar na rede que tem em seu quarto. Sempre dou um perdido nas meninas e paro aqui, onde passo o resto das minhas tardes.

Não vejo muito o Blake, e sempre que nos esbarramos pela casa fica um clima estranho. Acho que por causa do incidente de alguns dias atrás.

Estou começando a me habituar aqui na fazenda, pelo menos acredito que sim. Faço yoga sempre no fim da tarde, geralmente lá perto do açude onde não há ninguém, sombra e água fresca.

Tenho conversado bastante com a Jade, ela é uma boa menina. A dona Rosa anda me ensinando um pouco de crochê e a cozinhar também. A Clarinha é um amor e eu provavelmente surtaria aqui se não fosse por ela e sua doçura.

Acreditem se quiser, já me acostumei com o canto do Madrugada e não acordo mais. E isso era algo que eu achava impossível de acontecer.

Jogo a coberta para os lados e me levanto da cama. Agora, pronto para mais um dia nessa extensa fazenda.

Vou ao banheiro e faço minha higiene e tomo um banho. Saio enrolada na toalha e corro pelo corredor até meu quarto onde fecho a porta e me visto calmamente.

Coloco um conjunto de lingeries bege e uma regata e um vestido soltinho que estava em minha mala. Deixo meus cabelos soltos para secarem ao natural, preciso urgentemente lavá-los. Calço os chinelos e passo meu protetor solar.

Desço as escadas e encontro Clarinha sentada à uma mesa na sala escrevendo.

- Bom dia. - chamo sua atenção

- Bom dia Angel, estava esperando você para tomar café. - diz e me abre um sorriso

Vou até ela e bagunço seus cabelos castanhos. Clara é um amor.

- Porque não tomou com a sua vó?

- Ela não tomou café sozinha, Blake estava com ela.

- Ah sim.

Espero ela guardar suas coisas e seguimos até a cozinha encontrando a Dona Rosa cortando legumes.

- Bom dia menina. - me sauda com um enorme sorriso

- Bom dia Rosa.

Me sento a mesa junto a Clara e tomo um maravilhoso café da manhã enquanto conversava com as duas.

Quando acabo, a Clara sai em disparada brincar enquanto eu arrumo a mesa do café.

Eu acho lindo essa ingenuidade da Clarinha. Mesmo entrando na pré-adolescência, ela troca qualquer coisa por cadernos e lápis de desenho. Ela é louca por isso e somente isso. O que me faz questionar como a condição de vida aqui é razoável e mesmo assim a educação é boa. Clara frequenta uma pequena escolinha que fica localizada um pouco afastada daqui, o Blake a leva umas três vezes por semana e ela é louca para aprender as coisas e até chora quando não tem aula. Estranho, mas verdadeiro.

- Menina Angel. - Dona Rosa me chama enquanto eu estou sentada à mesa agora organizada novamente.

- Sim?

- Chegue mais perto, vamos conversar.

Me aproximo da pequena senhora próxima a pia.

- Está gostando daqui? - pergunta

- Estou me habituando. - digo a verdade

- Aqui é legal quando se está aberto a conhecer.

- Fala pela senhora. - digo e bufo e ela sorrir

Dona rosa termina de corta os legumes e os coloca dentro de uma panela que estava no fogão fervendo.

- Menina, pode jogar essas cascas lá para os porcos. - me pede

A única coisa que não me desceu ainda é o livre contato com esses animais. Ainda morro de medo das galinhas e aqueles ganço sempre ameaçam correr atrás de mim

Pego a vasilha com um sorriso falso para a senhora a minha frente e saio da casa pelas portas dos fundos indo a caminho do chiqueiro.

- Dia moça bonita. - Encontro Ricardo fechando a porta do chiqueiro

Ricardo é um cara legal. Sempre que tenho chances, converso com ele e é extremamente divertido. Sem contar que ele é para lá de lindo né.

- Bom dia Ricardo. Pode me ajudar, tenho que jogar isso aos porcos. - digo e mostro as cascas para ele

- Claro, deixa eu abrir aqui e é só jogar rápido.

Aceno com a cabeça e ele abre a porta. Sou rápida ao jogar as cascas mas são tantos porcos que chega me arrepio. Um deles me encara e tenta avançar em direção a claridade da porta o que me faz gritar e pular de susto causando gargalhada ao Ricardo que é rápido ao fechar a porta  

- Não tem graça. - digo ainda assustada

- Tem sim moça. - diz ainda gargalhando - ocê deu um baita de um grito.

Reviro meus olhos e grunho, passo por ele batendo os pés  de pura raiva.

Eu ainda odeio esses animais.

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KKKKKKKKK eu teria pena, mas estranhamente não tenho

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Xxlys

AngelOnde histórias criam vida. Descubra agora